{"id":3563,"date":"2023-12-21T09:10:48","date_gmt":"2023-12-21T12:10:48","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/2006-e-nos\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:48","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:48","slug":"2006-e-nos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/2006-e-nos\/","title":{"rendered":"2006 E N\u00d3S"},"content":{"rendered":"<p>Estamos aqui. 2005 j\u00e1 era. N\u00e3o vale mais falar dele, passou. \u00c9 passado. Depois da pregui\u00e7a, da missa, da premissa, entra na li\u00e7a o 2006. Vem com tudo o que tem de direito: cpi, carnaval, copa do mundo, elei\u00e7\u00f5es, secas, enchentes, inverno e tudo o que os outros anos t\u00eam de pior e do bom. O que \u00e9 \u00f3bvio n\u00e3o se diz, mas os anos s\u00e3o feitos por n\u00f3s. N\u00f3s, as pessoas. E os n\u00f3s que atamos ou deixamos que atem ao nosso redor. Se admitirmos que n\u00f3s fazemos o ano, ent\u00e3o \u00e9 hora de cada um ir arrumando o jeito de fazer a sua parte, com arte, destarte. Se acreditarmos que estamos cheios de n\u00f3s, os que nos enredam, prendem o nosso hoje e qui\u00e7\u00e1 o futuro, \u00e9 bom lembrar da hist\u00f3ria de Alexandre, o Grande, o l\u00edder guerreiro maced\u00f4nio que conquistou a \u00c1sia e deu sentido ao imp\u00e9rio hel\u00eanico, sobre o tal do n\u00f3 G\u00f3rdio.<br \/>\nO rei, chef\u00e3o, imperador da G\u00f3rdia, por onde passaria Alexandre, em sua guerra de conquista criou um n\u00f3. Esse n\u00f3 era um entrela\u00e7amento de cordas e n\u00e3o havia ningu\u00e9m que conseguisse desat\u00e1-lo. Era um n\u00f3 cego, onde n\u00e3o se via forma de desatar o seu emaranhado. At\u00e9 que um dia, conta a hist\u00f3ria, Alexandre resolveu aparecer por l\u00e1 e foi tentar desatar o n\u00f3. Chegou com o seu jeito de conquistador decidido, passo firme e encarou o dito n\u00f3. Olhou, matutou, co\u00e7ou a cabe\u00e7a coroada, n\u00e3o via como resolver o problema e n\u00e3o podia sair de l\u00e1 desmoralizado. Olhou para o chef\u00e3o da G\u00f3rdia e, sem avisar a ningu\u00e9m, desembainhou a espada e cortou o n\u00f3 ao meio. Estava resolvido o problema, de forma inusitada, e a fama de Alexandre foi aumentando.<br \/>\nAssim \u00e9 na vida real. De vez em quando precisamos tirar a nossa espada imagin\u00e1ria e cortar os n\u00f3s que atam as nossas vontades, atitudes e decis\u00f5es. Imagine o que deve ter passado pela cabe\u00e7a de Alexandre. Muitos j\u00e1 tinham tentado desatar o n\u00f3 g\u00f3rdio e todos voltavam de cabe\u00e7a baixa. Ele, n\u00e3o. Da mesma forma que os demais, n\u00e3o sabia o jeito de desmanch\u00e1-lo, pois n\u00e3o conseguia que as pontas penetrassem no novelo que se formara. Deu uma de doido. Partiu o n\u00f3 com a espada e todo novelo se desfez. Dar uma de doido, tempor\u00e1rio, pode n\u00e3o s\u00f3 desatar n\u00f3s, mas liberar o que temos aprisionado por medo, acomoda\u00e7\u00e3o ou indiferen\u00e7a.<br \/>\nSem querer dar uma de Paulo Coelho e assemelhados, \u00e9 bom que, de vez em quando, se fa\u00e7a algo inesperado, diferente do que esperam e que nos deixe livre de aporrinha\u00e7\u00f5es antigas. Come\u00e7o de ano \u00e9 tempo de amolar espada, verificar que a bainha est\u00e1 lubrificada e n\u00e3o vai impedir que, a qualquer dia ou hora, se ouse empunh\u00e1-la. O importante \u00e9 n\u00e3o ficar segurando o cabo da arma, pois at\u00e9 a paz precisa ser conquistada pela aud\u00e1cia e surpreender os que se imaginam reis da G\u00f3rdia. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\ncronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 01\/01\/2006<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estamos aqui. 2005 j\u00e1 era. N\u00e3o vale mais falar dele, passou. \u00c9 passado. 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Esse n\u00f3 era um entrela\u00e7amento de cordas e n\u00e3o havia ningu\u00e9m que conseguisse desat\u00e1-lo. Era um n\u00f3 cego, onde n\u00e3o se via forma de desatar o seu emaranhado. At\u00e9 que um dia, conta a hist\u00f3ria, Alexandre resolveu aparecer por l\u00e1 e foi tentar desatar o n\u00f3. Chegou com o seu jeito de conquistador decidido, passo firme e encarou o dito n\u00f3. Olhou, matutou, co\u00e7ou a cabe\u00e7a coroada, n\u00e3o via como resolver o problema e n\u00e3o podia sair de l\u00e1 desmoralizado. Olhou para o chef\u00e3o da G\u00f3rdia e, sem avisar a ningu\u00e9m, desembainhou a espada e cortou o n\u00f3 ao meio. Estava resolvido o problema, de forma inusitada, e a fama de Alexandre foi aumentando.<br \/>\nAssim \u00e9 na vida real. De vez em quando precisamos tirar a nossa espada imagin\u00e1ria e cortar os n\u00f3s que atam as nossas vontades, atitudes e decis\u00f5es. Imagine o que deve ter passado pela cabe\u00e7a de Alexandre. 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