{"id":3573,"date":"2023-12-21T09:10:49","date_gmt":"2023-12-21T12:10:49","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/porte-de-arma\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:49","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:49","slug":"porte-de-arma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/porte-de-arma\/","title":{"rendered":"PORTE DE ARMA"},"content":{"rendered":"<p>Ao ler, no pachorrento domingo passado, o caderno Ve\u00edculos da Folha de S\u00e3o Paulo, deparei-me com a reportagem de capa sobre o Sal\u00e3o do Autom\u00f3vel ora em consuma\u00e7\u00e3o em Genebra, na Su\u00ed\u00e7a. N\u00e3o se preocupem, n\u00e3o vou falar dos ve\u00edculos, seus modelos arrojados e futuristas, mas de uma observa\u00e7\u00e3o quase solta, que mostra como \u00e9 vista a seguran\u00e7a em nosso pa\u00eds. Ao comentar determinado modelo, cuja marca n\u00e3o vem ao caso, o rep\u00f3rter diz de forma corriqueira, acidental e banal que \u201co teto fechado ajuda em pa\u00edses violentos como o Brasil\u201d.<br \/>\n\u00c9 assim como nos enxergam hoje, um pa\u00eds violento, ilhado pela desigualdade que gera inseguran\u00e7a individual e coletiva, o que est\u00e1 causando paranoia em muitas pessoas. Todos querem ficar fechados, isolados em suas casas gradeadas, com medo do que possa acontecer nas ruas, como se n\u00e3o bastassem os outros golpes comedidos por espertos.<br \/>\nFiquemos apenas nas ruas. Hoje, todos conhecemos pessoas que foram v\u00edtimas de assaltos quando estavam aguardando em seus carros a abertura do sinal, dito sem\u00e1foro. Todas as cidades t\u00eam pontos considerados \u201cnegros\u201d, isto \u00e9, onde os assaltos ocorrem com frequ\u00eancia regular. A pr\u00f3pria pol\u00edcia nomina os cruzamentos perigosos e a imprensa os divulga. Assim, ao inv\u00e9s de elimin\u00e1-los, torn\u00e1-los livres para todos, indica-se que \u00e9 preciso contorn\u00e1-los ou correr o risco.<br \/>\nEstar sitiado em sua pr\u00f3pria cidade passa a ser um fato que pode modificar comportamentos de pessoas pacatas, respons\u00e1veis e s\u00e9rias. Avultam os assaltos em transportes coletivos e em ve\u00edculos particulares. Nesta semana, ouvi relato em roda de amigos, dito pela pr\u00f3pria senhora assaltada, ao cair da tarde, voltando de seu trabalho, em uma avenida de grande circula\u00e7\u00e3o. Ouviu um grande barulho e teve dois vidros do seu carro quebrados simultaneamente por assaltantes. Um, quebrou o vidro traseiro esquerdo. O outro, o vidro direito, lado do passageiro, no banco dianteiro. Ao mesmo tempo, um roubava a sua bolsa que estava no ch\u00e3o traseiro do carro e, o outro, armado de uma faca, amea\u00e7ava-a e desferia palavras de baixo cal\u00e3o, tomando-lhe pertences, inclusive celular.<br \/>\nAt\u00f4nita, tentou reagir e teve a sorte de sair viva, embora traumatizada. Em seguida, fez o registro da ocorr\u00eancia na pol\u00edcia, sem esperan\u00e7a de solu\u00e7\u00e3o. Resolveu tomar uma atitude, vai fazer um curso de tiro e tentar obter um porte de arma, pois este foi o segundo assalto que sofreu.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\ncronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 12\/03\/2006.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao ler, no pachorrento domingo passado, o caderno Ve\u00edculos da Folha de S\u00e3o Paulo, deparei-me com a reportagem de capa sobre o Sal\u00e3o do Autom\u00f3vel ora em consuma\u00e7\u00e3o em Genebra, na Su\u00ed\u00e7a. N\u00e3o se preocupem, n\u00e3o vou falar dos ve\u00edculos, seus modelos arrojados e futuristas, mas de uma observa\u00e7\u00e3o quase solta, que mostra como \u00e9 vista a seguran\u00e7a em nosso pa\u00eds. Ao comentar determinado modelo, cuja marca n\u00e3o vem ao caso, o rep\u00f3rter diz de forma corriqueira, acidental e banal que \u201co teto fechado ajuda em pa\u00edses violentos como o Brasil\u201d.<br \/>\n\u00c9 assim como nos enxergam hoje, um pa\u00eds violento, ilhado pela desigualdade que gera inseguran\u00e7a individual e coletiva, o que est\u00e1 causando paranoia em muitas pessoas. Todos querem ficar fechados, isolados em suas casas gradeadas, com medo do que possa acontecer nas ruas, como se n\u00e3o bastassem os outros golpes comedidos por espertos.<br \/>\nFiquemos apenas nas ruas. Hoje, todos conhecemos pessoas que foram v\u00edtimas de assaltos quando estavam aguardando em seus carros a abertura do sinal, dito sem\u00e1foro. Todas as cidades t\u00eam pontos considerados \u201cnegros\u201d, isto \u00e9, onde os assaltos ocorrem com frequ\u00eancia regular. A pr\u00f3pria pol\u00edcia nomina os cruzamentos perigosos e a imprensa os divulga. Assim, ao inv\u00e9s de elimin\u00e1-los, torn\u00e1-los livres para todos, indica-se que \u00e9 preciso contorn\u00e1-los ou correr o risco.<br \/>\nEstar sitiado em sua pr\u00f3pria cidade passa a ser um fato que pode modificar comportamentos de pessoas pacatas, respons\u00e1veis e s\u00e9rias. Avultam os assaltos em transportes coletivos e em ve\u00edculos particulares. Nesta semana, ouvi relato em roda de amigos, dito pela pr\u00f3pria senhora assaltada, ao cair da tarde, voltando de seu trabalho, em uma avenida de grande circula\u00e7\u00e3o. Ouviu um grande barulho e teve dois vidros do seu carro quebrados simultaneamente por assaltantes. Um, quebrou o vidro traseiro esquerdo. O outro, o vidro direito, lado do passageiro, no banco dianteiro. Ao mesmo tempo, um roubava a sua bolsa que estava no ch\u00e3o traseiro do carro e, o outro, armado de uma faca, amea\u00e7ava-a e desferia palavras de baixo cal\u00e3o, tomando-lhe pertences, inclusive celular.<br \/>\nAt\u00f4nita, tentou reagir e teve a sorte de sair viva, embora traumatizada. Em seguida, fez o registro da ocorr\u00eancia na pol\u00edcia, sem esperan\u00e7a de solu\u00e7\u00e3o. Resolveu tomar uma atitude, vai fazer um curso de tiro e tentar obter um porte de arma, pois este foi o segundo assalto que sofreu.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\ncronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 12\/03\/2006.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3573","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3573","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3573"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3573\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3573"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3573"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3573"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}