{"id":3600,"date":"2023-12-21T09:10:49","date_gmt":"2023-12-21T12:10:49","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/as-dores-dos-filhos-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:49","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:49","slug":"as-dores-dos-filhos-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/as-dores-dos-filhos-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"AS DORES DOS FILHOS &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>Quem tem filhos sabe do que estou falando. Primeiro, s\u00e3o os choros que eclodem com a sa\u00edda do ventre materno e o forte impacto com uma nova ordem de vida, alimenta\u00e7\u00e3o, sono e vig\u00edlia. Depois, vem a socializa\u00e7\u00e3o com a fam\u00edlia, escola, amigos e colegas que v\u00e3o encontrando ao longo da inf\u00e2ncia. Um dia, mais cedo que se imagina, come\u00e7am a entender que existe amor al\u00e9m da fam\u00edlia. \u00c9 o namoro que vem, rompendo as amarras dos sentimentos que estavam ancorados nos pais e irm\u00e3os, e chega com for\u00e7a, mexendo com a estrutura familiar que era fechada e n\u00e3o conhecia estranho, exceto parentes, amigos e colegas.<br \/>\n\u00c9 a partir desse encontro de nossos filhos e filhas com as filhas e filhos de outras fam\u00edlias que surgem as primeiras dores existenciais das crian\u00e7as que v\u00e3o se tornando adultas, mas ainda acorrentadas pela imaturidade que nos acompanha quase sempre e, muitas vezes, atravessa toda a vida. Pois bem, os namoros geram conflitos e s\u00e3o os pais os que primeiro participam das dores de amores dos filhos, sem que tenham rem\u00e9dios prontos, pois suas receitas s\u00e3o de outros tempos, outros valores, outras hist\u00f3rias. Assim \u00e9 que as fam\u00edlias v\u00e3o se conhecendo, quando h\u00e1 choro c\u00e1 e chora l\u00e1. Quando as incompreens\u00f5es podem toldar a alegria de estar junto, de dividir quimeras, de amealhar esperan\u00e7as.<br \/>\nDepois, amainado esse tempo, trabalho resolvido, vem o casamento e s\u00e3o tantas as dores quanto \u00e0s alegrias nos preparativos, independente do que possu\u00edmos, que todos chegam estressados \u00e0 cerim\u00f4nia, muitas vezes sob a ditadura tempor\u00e1ria de uma cerimonialista que se arvora de magistrada, decidindo, impondo a sua ordem aos que lhe pagam e t\u00eam que obedecer. Casados, enfim. E a\u00ed, pela ordem natural, esperam-se filhos dos filhos e os desejamos que venham sadios, bonitos, que portem nossos nomes e sobrenomes, mas h\u00e1 des\u00edgnios outros que, muitas vezes, impedem a realiza\u00e7\u00e3o dessa vontade e isto causa dor, dor essa que vai se alastrando e atinge a todos. E \u00e9 nos instantes naturais, mas diferentes da alegria da chegada dos filhos dos filhos na incapacidade ou perda moment\u00e2nea de uma planejada e querida vinda, que todos devem estar juntos, descobrindo-se solid\u00e1rios e coerentes, admitindo que a vida n\u00e3o \u00e9 apenas um acontecimento, qualquer que seja ele, mas o saber extrair dela algumas reflex\u00f5es que possam nos tornar mais humildes e corajosos, paradoxalmente, para enfrentar o futuro, esse lugar entre as lembran\u00e7as de ontem e o que devemos fazer de bom, hoje.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\ncronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 25\/08\/2006.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem tem filhos sabe do que estou falando. Primeiro, s\u00e3o os choros que eclodem com a sa\u00edda do ventre materno e o forte impacto com uma nova ordem de vida, alimenta\u00e7\u00e3o, sono e vig\u00edlia. Depois, vem a socializa\u00e7\u00e3o com a fam\u00edlia, escola, amigos e colegas que v\u00e3o encontrando ao longo da inf\u00e2ncia. Um dia, mais cedo que se imagina, come\u00e7am a entender que existe amor al\u00e9m da fam\u00edlia. \u00c9 o namoro que vem, rompendo as amarras dos sentimentos que estavam ancorados nos pais e irm\u00e3os, e chega com for\u00e7a, mexendo com a estrutura familiar que era fechada e n\u00e3o conhecia estranho, exceto parentes, amigos e colegas.<br \/>\n\u00c9 a partir desse encontro de nossos filhos e filhas com as filhas e filhos de outras fam\u00edlias que surgem as primeiras dores existenciais das crian\u00e7as que v\u00e3o se tornando adultas, mas ainda acorrentadas pela imaturidade que nos acompanha quase sempre e, muitas vezes, atravessa toda a vida. Pois bem, os namoros geram conflitos e s\u00e3o os pais os que primeiro participam das dores de amores dos filhos, sem que tenham rem\u00e9dios prontos, pois suas receitas s\u00e3o de outros tempos, outros valores, outras hist\u00f3rias. Assim \u00e9 que as fam\u00edlias v\u00e3o se conhecendo, quando h\u00e1 choro c\u00e1 e chora l\u00e1. Quando as incompreens\u00f5es podem toldar a alegria de estar junto, de dividir quimeras, de amealhar esperan\u00e7as.<br \/>\nDepois, amainado esse tempo, trabalho resolvido, vem o casamento e s\u00e3o tantas as dores quanto \u00e0s alegrias nos preparativos, independente do que possu\u00edmos, que todos chegam estressados \u00e0 cerim\u00f4nia, muitas vezes sob a ditadura tempor\u00e1ria de uma cerimonialista que se arvora de magistrada, decidindo, impondo a sua ordem aos que lhe pagam e t\u00eam que obedecer. Casados, enfim. E a\u00ed, pela ordem natural, esperam-se filhos dos filhos e os desejamos que venham sadios, bonitos, que portem nossos nomes e sobrenomes, mas h\u00e1 des\u00edgnios outros que, muitas vezes, impedem a realiza\u00e7\u00e3o dessa vontade e isto causa dor, dor essa que vai se alastrando e atinge a todos. 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