{"id":3604,"date":"2023-12-21T09:10:49","date_gmt":"2023-12-21T12:10:49","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/independencia-ou-sorte-diario-do-nordeste\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:49","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:49","slug":"independencia-ou-sorte-diario-do-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/independencia-ou-sorte-diario-do-nordeste\/","title":{"rendered":"INDEPENDENCIA OU SORTE? &#8211; Di\u00e1rio do Nordeste"},"content":{"rendered":"<p>Quinta-feira comemorou-se mais um anivers\u00e1rio da Independ\u00eancia do Brasil. J\u00e1 l\u00e1 se v\u00e3o 184 anos desde que D. Pedro I, \u201c\u00e0s margens do riacho Ipiranga, resolveu cortar os la\u00e7os com Portugal\u201d. O mais estranho nessa hist\u00f3ria \u00e9 que esse mesmo D. Pedro I, Imperador do Brasil, foi, quatro anos depois, escolhido Rei de Portugal, ainda que pelo per\u00edodo m\u00ednimo de sete dias, entre abril e maio de 1826, com o nome de D. Pedro IV. Ora, se era para romper os la\u00e7os, como \u00e9 que D. Pedro I veio a ser, tempos ap\u00f3s, Rei do pa\u00eds que havia perdido a sua mais importante col\u00f4nia? Coisas de fam\u00edlia real, os Orleans e Bragan\u00e7a que mandavam aqui e l\u00e1. Ser\u00e1 que isso mudou muito?<br \/>\nAgora, nesta antev\u00e9spera de uma nova elei\u00e7\u00e3o, inclusive para presidente da Rep\u00fablica, uma esp\u00e9cie de \u201crei\u201d para grande parte da popula\u00e7\u00e3o, exatamente a que vota agradecida por favores recebidos, pois n\u00e3o possui o menor sentimento de cidadania, n\u00e3o conhece os direitos que tem, analfabeta que \u00e9. N\u00e3o falo do analfabeto pol\u00edtico a que se referia Bertold Brecht e \u00e9 comumente citado, mas do dito analfabeto funcional, o que apenas sabe escrever o seu nome e n\u00e3o possui, pois estudo n\u00e3o teve, capacidade de analisar criticamente virtudes e defeitos de candidatos.<br \/>\nDessa forma, o pa\u00eds que todos desejamos independente, s\u00f3 o ser\u00e1 por sorte, pois o fado n\u00e3o concede prazos para quem n\u00e3o se qualifica aos humores do mundo, que nos cobra desempenho, responsabilidade e atitude. \u00c9 pat\u00e9tico ouvir frases que justificam votos a pessoas sabidamente comprometidas com falcatruas ou incompetentes. \u201cTodos s\u00e3o iguais\u201d, \u201cfarinha do mesmo saco\u201d e outros que tais, s\u00e3o exclama\u00e7\u00f5es de quem n\u00e3o tem tempo a perder com a escolha consciente de candidatos ou, infelizmente, n\u00e3o sabe mesmo escolher e vai \u00e0 onda.<br \/>\nAo ver as paradas militares, os pronunciamentos de pol\u00edticos e a cegueira de grande parte da imprensa, s\u00f3 nos resta exercer, mesmo com indigna\u00e7\u00e3o, os votos que somos obrigados a dar. O fato de ser obrigat\u00f3rio, como forma de consolidar o h\u00e1bito democr\u00e1tico de votar, transformou-se em pesadelo para quem n\u00e3o acredita mais na ordem que est\u00e1 vigendo e n\u00e3o sabe qual a melhor sa\u00edda que nos tire da op\u00e7\u00e3o da sorte e que nos conduza n\u00e3o \u00e0 morte, mas \u00e0 vida. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\ncronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 10\/09\/2006.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quinta-feira comemorou-se mais um anivers\u00e1rio da Independ\u00eancia do Brasil. J\u00e1 l\u00e1 se v\u00e3o 184 anos desde que D. Pedro I, \u201c\u00e0s margens do riacho Ipiranga, resolveu cortar os la\u00e7os com Portugal\u201d. O mais estranho nessa hist\u00f3ria \u00e9 que esse mesmo D. Pedro I, Imperador do Brasil, foi, quatro anos depois, escolhido Rei de Portugal, ainda que pelo per\u00edodo m\u00ednimo de sete dias, entre abril e maio de 1826, com o nome de D. Pedro IV. Ora, se era para romper os la\u00e7os, como \u00e9 que D. Pedro I veio a ser, tempos ap\u00f3s, Rei do pa\u00eds que havia perdido a sua mais importante col\u00f4nia? Coisas de fam\u00edlia real, os Orleans e Bragan\u00e7a que mandavam aqui e l\u00e1. Ser\u00e1 que isso mudou muito?<br \/>\nAgora, nesta antev\u00e9spera de uma nova elei\u00e7\u00e3o, inclusive para presidente da Rep\u00fablica, uma esp\u00e9cie de \u201crei\u201d para grande parte da popula\u00e7\u00e3o, exatamente a que vota agradecida por favores recebidos, pois n\u00e3o possui o menor sentimento de cidadania, n\u00e3o conhece os direitos que tem, analfabeta que \u00e9. N\u00e3o falo do analfabeto pol\u00edtico a que se referia Bertold Brecht e \u00e9 comumente citado, mas do dito analfabeto funcional, o que apenas sabe escrever o seu nome e n\u00e3o possui, pois estudo n\u00e3o teve, capacidade de analisar criticamente virtudes e defeitos de candidatos.<br \/>\nDessa forma, o pa\u00eds que todos desejamos independente, s\u00f3 o ser\u00e1 por sorte, pois o fado n\u00e3o concede prazos para quem n\u00e3o se qualifica aos humores do mundo, que nos cobra desempenho, responsabilidade e atitude. \u00c9 pat\u00e9tico ouvir frases que justificam votos a pessoas sabidamente comprometidas com falcatruas ou incompetentes. \u201cTodos s\u00e3o iguais\u201d, \u201cfarinha do mesmo saco\u201d e outros que tais, s\u00e3o exclama\u00e7\u00f5es de quem n\u00e3o tem tempo a perder com a escolha consciente de candidatos ou, infelizmente, n\u00e3o sabe mesmo escolher e vai \u00e0 onda.<br \/>\nAo ver as paradas militares, os pronunciamentos de pol\u00edticos e a cegueira de grande parte da imprensa, s\u00f3 nos resta exercer, mesmo com indigna\u00e7\u00e3o, os votos que somos obrigados a dar. O fato de ser obrigat\u00f3rio, como forma de consolidar o h\u00e1bito democr\u00e1tico de votar, transformou-se em pesadelo para quem n\u00e3o acredita mais na ordem que est\u00e1 vigendo e n\u00e3o sabe qual a melhor sa\u00edda que nos tire da op\u00e7\u00e3o da sorte e que nos conduza n\u00e3o \u00e0 morte, mas \u00e0 vida. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\ncronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 10\/09\/2006.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3604","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3604","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3604"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3604\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3604"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3604"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3604"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}