{"id":3614,"date":"2023-12-21T09:10:50","date_gmt":"2023-12-21T12:10:50","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/o-amanhecer-nas-praias-diario-do-nordeste\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:50","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:50","slug":"o-amanhecer-nas-praias-diario-do-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/o-amanhecer-nas-praias-diario-do-nordeste\/","title":{"rendered":"O AMANHECER NAS PRAIAS &#8211; Di\u00e1rio do Nordeste"},"content":{"rendered":"<p>Amanhece. \u00c9 hora de ouvir motoristas com camisas doadas por algum dono de boate, esperando incautos ou impetuosos turistas sexuais sa\u00edrem de suas tocas aqui nestas praias sem dono.<br \/>\nEles param os carros de qualquer jeito. N\u00e3o h\u00e1 m\u00e3o ou contram\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 sil\u00eancio, tamb\u00e9m pudera, n\u00e3o h\u00e1 fiscaliza\u00e7\u00e3o. O que vale uma orla em uma cidade cheia de problemas? Mero mict\u00f3rio p\u00fablico e estacionamento matutino de t\u00e1xis que aguardam o fim de encontros entre mulheres pobres ou pobres mulheres que ainda acalentam sonhos de ser amadas por seus cafet\u00f5es e clientes-usu\u00e1rios e se entregam a estrangeiros de qualquer n\u00edvel por poucos euros, d\u00f3lares ou reais, t\u00e3o poucos que n\u00e3o dariam para uma refei\u00e7\u00e3o ligeira no outro lado do continente. Imagino o que possam pensar desta cidade os que v\u00eam, apenas ejaculam e voltam. Lembrar\u00e3o do seu nome? Seria Fortaleza ou retirariam do nome o rt e colocariam um d?<br \/>\nPor outro lado, literalmente, do lado de fora da prote\u00e7\u00e3o estrutural do local de onde estou escrevendo, ou\u00e7o pios de andorinhas. Ser\u00e3o pios ou cantos pios? Na sutileza do canto da andorinha h\u00e1 a esperan\u00e7a n\u00e3o dissipada de que o pesadelo que deixaram florescer nestas praias n\u00e3o prospere e a cidade retome o que foi seu, t\u00e3o grosseiramente perdido.<br \/>\nEnquanto o canto da andorinha nos nutre de esperan\u00e7a, a algazarra dos motoristas insones &#8211; catadores de lixo, meninos que cheiram cola, passeios quebrados plenos de areia por conta de uma disputa judicial sem fim, b\u00eabados, pedintes &#8211; retrata o que todos plantamos com a nossa indiferen\u00e7a, descaso ou, quem sabe, da corrup\u00e7\u00e3o institucionalizada nos \u00f3rg\u00e3os licenciadores e de registros, policiais surdos, rondas que n\u00e3o acontecem, imprensa investigativa que ainda dorme, CPI da prostitui\u00e7\u00e3o que deu palanque e votos, promessas n\u00e3o cumpridas e escolhas que n\u00e3o sabemos fazer, mas fazemos, sem respeito a n\u00f3s mesmos e ao pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>JO\u00c3O SOARES NETO,<br \/>\nCRONISTA<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 15\/10\/2006.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Amanhece. \u00c9 hora de ouvir motoristas com camisas doadas por algum dono de boate, esperando incautos ou impetuosos turistas sexuais sa\u00edrem de suas tocas aqui nestas praias sem dono.<br \/>\nEles param os carros de qualquer jeito. 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