{"id":3621,"date":"2023-12-21T09:10:50","date_gmt":"2023-12-21T12:10:50","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/liberdade\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:50","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:50","slug":"liberdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/liberdade\/","title":{"rendered":"LIBERDADE"},"content":{"rendered":"<p>Alguns comportamentos s\u00e3o repetitivos. Por exemplo: voc\u00ea encontra com algu\u00e9m e esquece que assumiu compromissos com outra pessoa. Por amizade, amor ou mera gentileza, deveria fazer o favor de comunicar a sua aus\u00eancia.<br \/>\n\u00c9 prov\u00e1vel que essa caracter\u00edstica n\u00e3o seja um defeito, mas um h\u00e1bito. E os h\u00e1bitos ficam entranhados e passam a ser naturais para quem os t\u00eam. H\u00e1 ainda artif\u00edcios que muitos usam, como o de dizer que est\u00e1 sempre cansado, doente, cheio de problemas e afins. Essa tend\u00eancia, como uma esp\u00e9cie de defesa, pode levar, inclusive, \u00e0 somatiza\u00e7\u00e3o que cria doen\u00e7as de verdade. O corpo obedece ao que \u00e9 repetido, sempre.<br \/>\nTodos sabemos da import\u00e2ncia da fam\u00edlia e mais ainda das singularidades de cada uma, mas deve haver um m\u00ednimo de delicadeza no trato uns com os outros, na n\u00e3o dramatiza\u00e7\u00e3o de problemas pessoais que, por si s\u00f3s, j\u00e1 s\u00e3o complicados.<br \/>\nAs rela\u00e7\u00f5es pessoais n\u00e3o podem ser tolhidas por nossas conveni\u00eancias, pois assim estaremos cuidando apenas do eu que sou e n\u00e3o do n\u00f3s que uma rela\u00e7\u00e3o cria. Algumas pessoas, por caminhos diferentes, foram habituadas a ditar as regras de uma rela\u00e7\u00e3o. Por tal raz\u00e3o, talvez, as rela\u00e7\u00f5es pret\u00e9ritas dessas pessoas n\u00e3o tenham sido boas. N\u00e3o h\u00e1 boa rela\u00e7\u00e3o se ela n\u00e3o for franca, civilizada e consequente. Isto n\u00e3o implica em descaracterizar a nossa personalidade, nem invadir a privacidade do outro, tampouco abolir a fam\u00edlia, mas ajust\u00e1-la a uma rela\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel e n\u00e3o traum\u00e1tica.<br \/>\nSe algu\u00e9m fica feliz com a alegria e o bem-estar do outro, \u00e9 natural que a pessoa que \u00e9 o foco da aten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m deva se comprometer. Uma simples liga\u00e7\u00e3o de dois minutos pode ser esclarecedora; uma atitude respeitosa sempre \u00e9 entendida, mas a arma usada do telefone desligado, no silencioso ou n\u00e3o atendido \u00e9 uma forma, no m\u00ednimo, n\u00e3o afetuosa ou educada de comportamento, para n\u00e3o falar de desrespeito. Cria-se um biombo na comunica\u00e7\u00e3o e na rela\u00e7\u00e3o.<br \/>\nN\u00e3o temos o predom\u00ednio da verdade, tudo o que se disse acima pode n\u00e3o ter sentido para voc\u00ea, mas pode fazer sentido para quem vive misturado com os seus sentimentos, sejam eles certos ou errados. Por essas raz\u00f5es e por n\u00e3o acreditar em rela\u00e7\u00e3o com horas, momentos, dia ou m\u00eas previamente marcados, \u00e9 que muitos se consideram absolutamente livres, at\u00e9 porque \u00e9 outra caracter\u00edstica p\u00f3s-moderna a liberdade de agir, viver e interagir com as pessoas, na hora e nas condi\u00e7\u00f5es que se quer.<br \/>\nTemos todos, h\u00e1bitos arraigados. Por exemplo, o de n\u00e3o aceitar formas veladas ou ostensivas de desaten\u00e7\u00e3o. Ser amigo, simplesmente, pode parecer f\u00e1cil, mas n\u00e3o \u00e9. O que mais se precisa \u00e9 de cuidado. N\u00e3o se n\u00e3o se pode continuar pensando e fazendo o que sempre se fez e n\u00e3o deu certo, sob pena de incorrer nos mesmos erros e resultados.<br \/>\nJo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\ncronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 17\/11\/2006.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alguns comportamentos s\u00e3o repetitivos. Por exemplo: voc\u00ea encontra com algu\u00e9m e esquece que assumiu compromissos com outra pessoa. Por amizade, amor ou mera gentileza, deveria fazer o favor de comunicar a sua aus\u00eancia.<br \/>\n\u00c9 prov\u00e1vel que essa caracter\u00edstica n\u00e3o seja um defeito, mas um h\u00e1bito. E os h\u00e1bitos ficam entranhados e passam a ser naturais para quem os t\u00eam. H\u00e1 ainda artif\u00edcios que muitos usam, como o de dizer que est\u00e1 sempre cansado, doente, cheio de problemas e afins. Essa tend\u00eancia, como uma esp\u00e9cie de defesa, pode levar, inclusive, \u00e0 somatiza\u00e7\u00e3o que cria doen\u00e7as de verdade. O corpo obedece ao que \u00e9 repetido, sempre.<br \/>\nTodos sabemos da import\u00e2ncia da fam\u00edlia e mais ainda das singularidades de cada uma, mas deve haver um m\u00ednimo de delicadeza no trato uns com os outros, na n\u00e3o dramatiza\u00e7\u00e3o de problemas pessoais que, por si s\u00f3s, j\u00e1 s\u00e3o complicados.<br \/>\nAs rela\u00e7\u00f5es pessoais n\u00e3o podem ser tolhidas por nossas conveni\u00eancias, pois assim estaremos cuidando apenas do eu que sou e n\u00e3o do n\u00f3s que uma rela\u00e7\u00e3o cria. Algumas pessoas, por caminhos diferentes, foram habituadas a ditar as regras de uma rela\u00e7\u00e3o. Por tal raz\u00e3o, talvez, as rela\u00e7\u00f5es pret\u00e9ritas dessas pessoas n\u00e3o tenham sido boas. N\u00e3o h\u00e1 boa rela\u00e7\u00e3o se ela n\u00e3o for franca, civilizada e consequente. Isto n\u00e3o implica em descaracterizar a nossa personalidade, nem invadir a privacidade do outro, tampouco abolir a fam\u00edlia, mas ajust\u00e1-la a uma rela\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel e n\u00e3o traum\u00e1tica.<br \/>\nSe algu\u00e9m fica feliz com a alegria e o bem-estar do outro, \u00e9 natural que a pessoa que \u00e9 o foco da aten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m deva se comprometer. Uma simples liga\u00e7\u00e3o de dois minutos pode ser esclarecedora; uma atitude respeitosa sempre \u00e9 entendida, mas a arma usada do telefone desligado, no silencioso ou n\u00e3o atendido \u00e9 uma forma, no m\u00ednimo, n\u00e3o afetuosa ou educada de comportamento, para n\u00e3o falar de desrespeito. Cria-se um biombo na comunica\u00e7\u00e3o e na rela\u00e7\u00e3o.<br \/>\nN\u00e3o temos o predom\u00ednio da verdade, tudo o que se disse acima pode n\u00e3o ter sentido para voc\u00ea, mas pode fazer sentido para quem vive misturado com os seus sentimentos, sejam eles certos ou errados. Por essas raz\u00f5es e por n\u00e3o acreditar em rela\u00e7\u00e3o com horas, momentos, dia ou m\u00eas previamente marcados, \u00e9 que muitos se consideram absolutamente livres, at\u00e9 porque \u00e9 outra caracter\u00edstica p\u00f3s-moderna a liberdade de agir, viver e interagir com as pessoas, na hora e nas condi\u00e7\u00f5es que se quer.<br \/>\nTemos todos, h\u00e1bitos arraigados. Por exemplo, o de n\u00e3o aceitar formas veladas ou ostensivas de desaten\u00e7\u00e3o. Ser amigo, simplesmente, pode parecer f\u00e1cil, mas n\u00e3o \u00e9. O que mais se precisa \u00e9 de cuidado. N\u00e3o se n\u00e3o se pode continuar pensando e fazendo o que sempre se fez e n\u00e3o deu certo, sob pena de incorrer nos mesmos erros e resultados.<br \/>\nJo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\ncronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 17\/11\/2006.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3621","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3621","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3621"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3621\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3621"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3621"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3621"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}