{"id":3623,"date":"2023-12-21T09:10:50","date_gmt":"2023-12-21T12:10:50","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/especulacoes-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:50","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:50","slug":"especulacoes-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/especulacoes-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"ESPECULA\u00c7\u00d5ES &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>Esta cr\u00f4nica me leva a utilizar este finito espa\u00e7o em caminhos de especula\u00e7\u00f5es recorrentes. Ouso arguir tr\u00eas aspectos complexos da vida de todos: o ser, o ter e o parecer.<br \/>\nO ser \u00e9 a base. \u00c9 onde ficam o Pa\u00eds, estado, cidade, bairro, espa\u00e7o em que se vive, o tipo de fam\u00edlia que nos trouxe ao mundo; com ra\u00e7a, origem, categoria social e formou a base da educa\u00e7\u00e3o, seja dom\u00e9stica, formal pela escola, professores e colegas; informal ou social e no que o seu espelho e a consci\u00eancia revelam e se aceita com ou sem questionamentos.<br \/>\nO ter \u00e9 aquilo que se agregou a voc\u00ea, sejam bens materiais ou as bagagens profissional, cultural, intelectual ou cient\u00edfica desenvolvidas, a partir dos valores que acredita b\u00e1sicos para a sua exist\u00eancia. O ter \u00e9 o que voc\u00ea n\u00e3o tinha e acredita possuir, como se seu fosse ou seu \u00e9, sendo.<br \/>\nO problema \u00e9 que, entre o ser e o ter, existe o parecer. Algumas pessoas querem parecer o que n\u00e3o s\u00e3o e viver com o que n\u00e3o t\u00eam. \u00c9 o mundo da apar\u00eancia, do sup\u00e9rfluo em que uma camisa ou um vestido, por exemplo, \u00e9 aceito n\u00e3o por sua qualidade intr\u00ednseca, mas por ostentar uma marca de significa\u00e7\u00e3o para a imagem de quem usa. Um rel\u00f3gio, dando outro exemplo, deveria servir apenas para ler as horas, mas pode definir a posi\u00e7\u00e3o social de quem, diferencialmente, ostenta uma marca famosa. Falo em objetos para n\u00e3o trafegar na senda perigosa da ess\u00eancia, pois a\u00ed o terreno \u00e9 movedi\u00e7o. E ainda h\u00e1 os que usam coisas falsas imaginando que possam parecer verdadeiras para os<br \/>\noutros. Ora, o que isso importa, se quem usa sabe que \u00e9 imita\u00e7\u00e3o, c\u00f3pia?<br \/>\nA sociedade e, por mais que n\u00e3o queiramos estamos nela envolvidos, cobra o ser, o ter e o parecer. O parecer \u00e9 o reflexo, a imagem que os outros t\u00eam de n\u00f3s, a partir de ju\u00edzo de valor falso ou verdadeiro. \u00c9 aquilo que se acredita poder ser fabricado com \u201cmarketing pessoal\u201d. O sair de casa, para mostrar-se ou ser visto, compensar o vazio de n\u00e3o poder ficar consigo mesmo e disso gostar. Algumas pessoas se acreditam ser o que os outros pensam ou dizem delas. Essas pessoas, certamente, ficam \u00e0 cata do que se chama de valida\u00e7\u00e3o. A valida\u00e7\u00e3o \u00e9 acreditar no que o outro diz para admitir-se ser aquilo. N\u00e3o pesa, para o validado, a refer\u00eancia pr\u00f3pria, aquilo que a sua ess\u00eancia profunda diz, mas o que lhe \u00e9 soprado ou gritado em seu ouvido ou escrito a seu respeito.<br \/>\nEsse eterno questionamento entre o ser, o ter e o parecer passa, talvez necessariamente, pela maior ou menor capacidade de cada um se auto avaliar e ver a autoestima a partir da pr\u00f3pria consci\u00eancia ou raz\u00e3o. Mas, descubro ter come\u00e7ado um assunto que n\u00e3o cabe em cr\u00f4nica. Bem apropriado seria em ensaio ou tese para os quais, infelizmente, faltam-me engenho e capacidade. Como disse Chamfort: \u201ch\u00e1 tolices bem vestidas como h\u00e1 tolos bem vestidos\u201d.<br \/>\nJo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nCronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 24\/11\/2006.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta cr\u00f4nica me leva a utilizar este finito espa\u00e7o em caminhos de especula\u00e7\u00f5es recorrentes. 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Algumas pessoas querem parecer o que n\u00e3o s\u00e3o e viver com o que n\u00e3o t\u00eam. \u00c9 o mundo da apar\u00eancia, do sup\u00e9rfluo em que uma camisa ou um vestido, por exemplo, \u00e9 aceito n\u00e3o por sua qualidade intr\u00ednseca, mas por ostentar uma marca de significa\u00e7\u00e3o para a imagem de quem usa. Um rel\u00f3gio, dando outro exemplo, deveria servir apenas para ler as horas, mas pode definir a posi\u00e7\u00e3o social de quem, diferencialmente, ostenta uma marca famosa. Falo em objetos para n\u00e3o trafegar na senda perigosa da ess\u00eancia, pois a\u00ed o terreno \u00e9 movedi\u00e7o. E ainda h\u00e1 os que usam coisas falsas imaginando que possam parecer verdadeiras para os<br \/>\noutros. Ora, o que isso importa, se quem usa sabe que \u00e9 imita\u00e7\u00e3o, c\u00f3pia?<br \/>\nA sociedade e, por mais que n\u00e3o queiramos estamos nela envolvidos, cobra o ser, o ter e o parecer. O parecer \u00e9 o reflexo, a imagem que os outros t\u00eam de n\u00f3s, a partir de ju\u00edzo de valor falso ou verdadeiro. \u00c9 aquilo que se acredita poder ser fabricado com \u201cmarketing pessoal\u201d. O sair de casa, para mostrar-se ou ser visto, compensar o vazio de n\u00e3o poder ficar consigo mesmo e disso gostar. Algumas pessoas se acreditam ser o que os outros pensam ou dizem delas. Essas pessoas, certamente, ficam \u00e0 cata do que se chama de valida\u00e7\u00e3o. A valida\u00e7\u00e3o \u00e9 acreditar no que o outro diz para admitir-se ser aquilo. N\u00e3o pesa, para o validado, a refer\u00eancia pr\u00f3pria, aquilo que a sua ess\u00eancia profunda diz, mas o que lhe \u00e9 soprado ou gritado em seu ouvido ou escrito a seu respeito.<br \/>\nEsse eterno questionamento entre o ser, o ter e o parecer passa, talvez necessariamente, pela maior ou menor capacidade de cada um se auto avaliar e ver a autoestima a partir da pr\u00f3pria consci\u00eancia ou raz\u00e3o. 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Como disse Chamfort: \u201ch\u00e1 tolices bem vestidas como h\u00e1 tolos bem vestidos\u201d.<br \/>\nJo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nCronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 24\/11\/2006.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3623","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3623","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3623"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3623\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3623"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3623"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3623"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}