{"id":3668,"date":"2023-12-21T09:10:51","date_gmt":"2023-12-21T12:10:51","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/a-dura-arte-de-vender-livros\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:51","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:51","slug":"a-dura-arte-de-vender-livros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/a-dura-arte-de-vender-livros\/","title":{"rendered":"A DURA ARTE DE VENDER LIVROS"},"content":{"rendered":"<p>No in\u00edcio da d\u00e9cada de 80 tentei ser editor. Criei uma pequena editora. S\u00f3 consegui fazer uma publica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e dei o neg\u00f3cio por encerrado. N\u00e3o me atreveria a voltar a ser editor. \u00c9 uma tarefa dif\u00edcil, incompreendida e de resultados imprevis\u00edveis. Isso n\u00e3o impede que observe e admire os editores profissionais. H\u00e1 pouco tempo, por dever, curiosidade e convite, participei de duas feiras de livro. Uma em Fortaleza, outra no M\u00e9xico.<br \/>\nNa Feira de Fortaleza, anfitrionei mexicanos desejosos de conhecer o nosso jeito de fazer feiras e fiz uma travessia liter\u00e1ria com Moacyr Scliar. A Feira \u00e9 realizada no ambiente refrigerado do Centro de Conven\u00e7\u00f5es, em meio \u00e0 dificuldade de estacionamento e a uma circula\u00e7\u00e3o for\u00e7ada por pisos diferentes.<br \/>\nNa Feira da cidade do M\u00e9xico, fui como convidado e vi a sua montagem em uma grande e plana pra\u00e7a central com pequenas, m\u00e9dias e gigantes tendas brancas, armadas ao ar livre em meio a bonitas esculturas e a uma vegeta\u00e7\u00e3o em vasos. Ao canto, \u00e1rea para shows. Ao seu derredor, circulavam ve\u00edculos, inclusive \u00f4nibus, sem falar na esta\u00e7\u00e3o de metr\u00f4 no subsolo. O povo se misturava naturalmente \u00e0 Feira, pois ela estava no meio deles.<br \/>\nEm ambas, vi o cuidado dos organizadores, editores, livreiros e autores, em apresentar op\u00e7\u00f5es v\u00e1rias de livros, especialmente os de pre\u00e7os populares. Das feiras, fiz dois registros.<br \/>\nO primeiro, em Fortaleza: S\u00e9rgio Braga, que trafega entre a livraria e a editoria, revelou-me que as boas vendas foram apenas as de livros a pre\u00e7os abaixo do mercado, os chamados saldos. O segundo, no M\u00e9xico: Luiz Falc\u00e3o, da Imprensa da UFC, que comandou a venda de livros na bem decorada tenda do Cear\u00e1, viu como \u00e9 duro vender livros em Portugu\u00eas. Ao final, resolveu doar os livros que sobraram a institui\u00e7\u00f5es universit\u00e1rias, culturais e \u00e0 Embaixada do Brasil, sob pena de se pagar o frete de volta. Valeram os contatos.<br \/>\nNa \u00faltima Feira Nacional do Livro, em Porto Alegre, que tamb\u00e9m usa tendas e abomina os estandes e refrigera\u00e7\u00e3o, ficou clara a dura realidade do mercado de livros que encolheu 8% no \u00faltimo ano. O Brasil n\u00e3o tem ainda \u201ca fome de livros\u201d, projeto que o ministro Gilberto Gil tenta incrementar. Apenas 26 milh\u00f5es de brasileiros s\u00e3o leitores ativos. Eleitores, sim. temos mais de 110 milh\u00f5es. Mas isto \u00e9 outra est\u00f3ria para livros de Hist\u00f3ria. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\ncronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 18\/09\/2005.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No in\u00edcio da d\u00e9cada de 80 tentei ser editor. Criei uma pequena editora. S\u00f3 consegui fazer uma publica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e dei o neg\u00f3cio por encerrado. N\u00e3o me atreveria a voltar a ser editor. \u00c9 uma tarefa dif\u00edcil, incompreendida e de resultados imprevis\u00edveis. Isso n\u00e3o impede que observe e admire os editores profissionais. H\u00e1 pouco tempo, por dever, curiosidade e convite, participei de duas feiras de livro. Uma em Fortaleza, outra no M\u00e9xico.<br \/>\nNa Feira de Fortaleza, anfitrionei mexicanos desejosos de conhecer o nosso jeito de fazer feiras e fiz uma travessia liter\u00e1ria com Moacyr Scliar. A Feira \u00e9 realizada no ambiente refrigerado do Centro de Conven\u00e7\u00f5es, em meio \u00e0 dificuldade de estacionamento e a uma circula\u00e7\u00e3o for\u00e7ada por pisos diferentes.<br \/>\nNa Feira da cidade do M\u00e9xico, fui como convidado e vi a sua montagem em uma grande e plana pra\u00e7a central com pequenas, m\u00e9dias e gigantes tendas brancas, armadas ao ar livre em meio a bonitas esculturas e a uma vegeta\u00e7\u00e3o em vasos. Ao canto, \u00e1rea para shows. Ao seu derredor, circulavam ve\u00edculos, inclusive \u00f4nibus, sem falar na esta\u00e7\u00e3o de metr\u00f4 no subsolo. O povo se misturava naturalmente \u00e0 Feira, pois ela estava no meio deles.<br \/>\nEm ambas, vi o cuidado dos organizadores, editores, livreiros e autores, em apresentar op\u00e7\u00f5es v\u00e1rias de livros, especialmente os de pre\u00e7os populares. Das feiras, fiz dois registros.<br \/>\nO primeiro, em Fortaleza: S\u00e9rgio Braga, que trafega entre a livraria e a editoria, revelou-me que as boas vendas foram apenas as de livros a pre\u00e7os abaixo do mercado, os chamados saldos. O segundo, no M\u00e9xico: Luiz Falc\u00e3o, da Imprensa da UFC, que comandou a venda de livros na bem decorada tenda do Cear\u00e1, viu como \u00e9 duro vender livros em Portugu\u00eas. Ao final, resolveu doar os livros que sobraram a institui\u00e7\u00f5es universit\u00e1rias, culturais e \u00e0 Embaixada do Brasil, sob pena de se pagar o frete de volta. Valeram os contatos.<br \/>\nNa \u00faltima Feira Nacional do Livro, em Porto Alegre, que tamb\u00e9m usa tendas e abomina os estandes e refrigera\u00e7\u00e3o, ficou clara a dura realidade do mercado de livros que encolheu 8% no \u00faltimo ano. O Brasil n\u00e3o tem ainda \u201ca fome de livros\u201d, projeto que o ministro Gilberto Gil tenta incrementar. Apenas 26 milh\u00f5es de brasileiros s\u00e3o leitores ativos. Eleitores, sim. temos mais de 110 milh\u00f5es. Mas isto \u00e9 outra est\u00f3ria para livros de Hist\u00f3ria. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\ncronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 18\/09\/2005.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3668","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3668","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3668"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3668\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3668"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3668"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3668"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}