{"id":3670,"date":"2023-12-21T09:10:51","date_gmt":"2023-12-21T12:10:51","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/sorri-ou-smile\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:51","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:51","slug":"sorri-ou-smile","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/sorri-ou-smile\/","title":{"rendered":"SORRI OU \u201cSMILE\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Pedem-me que escreva sobre a m\u00fasica \u201cSmile\u201d ou \u201cSorri\u201d, em Portugu\u00eas. \u00c9 covardia. Ela, com 69 aos e desgastada, \u00e9 ainda das minhas favoritas e diz bem da tristeza que h\u00e1 at\u00e9 nos palha\u00e7os e humoristas. \u00c9 verdade que Charles Chaplin \u00e9 apenas um dos tr\u00eas autores, os outros s\u00e3o John Turner e Geoffrey Parsons. A vers\u00e3o brasileira, feita pelo compositor Braguinha, \u00e9 um primor de delicadeza. Vejam como \u00e9 bonita: \u201cSorri, quando a dor te torturar e a saudade atormentar os teus dias tristonhos, vazios. Sorri, quando tudo terminar, quando nada mais restar do teu sonho encantador. Sorri, quando o sol perder a luz e sentires uma cruz, nos teus ombros cansados, doridos. Sorri, vai mentindo a tua dor e ao notar que tu sorris todo mundo ir\u00e1 supor que \u00e9s feliz\u201d.<br \/>\n\u201cSmile\u201d foi feita para o filme \u201cTempos Modernos\u201d, de 1936. Uma profunda s\u00e1tira a um mundo que havia, entre outras coisas, acabado com o cinema mudo, criava o \u201cfordismo\u201d, a sincroniza\u00e7\u00e3o dos tempos e movimentos industriais e deixava perplexo quem n\u00e3o queria aceitar o dito \u201cprogresso\u201d com greves, desemprego, drogas e pobreza no s\u00e9culo XX. Charles Chaplin, ou \u201cCarlitos\u201d, seu personagem-clone, usou a bengala, quem sabe, como um modo de expressar que todos somos capengas e claudicamos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s nossas pequenas dores e as grandes agonias do mundo. E a\u00ed tem que sorrir.<br \/>\nO sorriso \u00e9 tido como atenuante \u201cquando a dor te torturar\u201d. E cada um deve saber qual a dor que o atormenta, se real ou imagin\u00e1ria\/emocional. Ora, se a dor mexe com a emo\u00e7\u00e3o, ela deixa de ser imagin\u00e1ria e passa a ser \u201creal\u201d. E \u00e9 uma tortura, pois faz \u201ca saudade atormentar os teus dias tristonhos, vazios\u201d. Pois \u00e9, quando a saudade chega, ela toma assento e o sol se faz cinza e o dia fica vazio, embora possa estar pleno de luz. E a m\u00fasica pede \u2013 ou manda \u2013 que se sorria \u201cquando tudo terminar, quando nada mais restar do teu sonho encantador\u201d. Quando o sonho acaba, o amor termina, a doen\u00e7a chega, algu\u00e9m morre, uma amizade aparta, a trag\u00e9dia surge, parece que a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o \u00e9 sorrir. Pode at\u00e9 ser do jeito que Carlitos sorria, meio amarelo, meio triste, misturando o palha\u00e7o que mora na crian\u00e7a que fomos um dia, com o adulto que reclama, como se ainda crian\u00e7a fosse, das pauladas que a vida nos imp\u00f5e.<br \/>\nPor esta raz\u00e3o \u00e9 que h\u00e1 d\u00e9cadas ou\u00e7o as muitas interpreta\u00e7\u00f5es originais e vers\u00f5es de \u201cSmile\u201d. Ouvir d\u00e1 for\u00e7a, embora, como qualquer mortal, se possa sentir quando o sol perde a luz e rouba a energia. \u00c9 a\u00ed, \u201cquando sentires uma cruz nos teus ombros, cansados, doridos\u201d deves mandar tudo para o alto, respirar fundo e sorrir. Sorri, porque \u00e9 uma boa solu\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Eita, est\u00e1 parecendo autoajuda, mas n\u00e3o h\u00e1 como n\u00e3o ficar tocado quando se ouve, fala ou escreve sobre \u201cSmile\u201d.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nCronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 02\/10\/2005.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pedem-me que escreva sobre a m\u00fasica \u201cSmile\u201d ou \u201cSorri\u201d, em Portugu\u00eas. \u00c9 covardia. Ela, com 69 aos e desgastada, \u00e9 ainda das minhas favoritas e diz bem da tristeza que h\u00e1 at\u00e9 nos palha\u00e7os e humoristas. \u00c9 verdade que Charles Chaplin \u00e9 apenas um dos tr\u00eas autores, os outros s\u00e3o John Turner e Geoffrey Parsons. A vers\u00e3o brasileira, feita pelo compositor Braguinha, \u00e9 um primor de delicadeza. Vejam como \u00e9 bonita: \u201cSorri, quando a dor te torturar e a saudade atormentar os teus dias tristonhos, vazios. Sorri, quando tudo terminar, quando nada mais restar do teu sonho encantador. Sorri, quando o sol perder a luz e sentires uma cruz, nos teus ombros cansados, doridos. Sorri, vai mentindo a tua dor e ao notar que tu sorris todo mundo ir\u00e1 supor que \u00e9s feliz\u201d.<br \/>\n\u201cSmile\u201d foi feita para o filme \u201cTempos Modernos\u201d, de 1936. Uma profunda s\u00e1tira a um mundo que havia, entre outras coisas, acabado com o cinema mudo, criava o \u201cfordismo\u201d, a sincroniza\u00e7\u00e3o dos tempos e movimentos industriais e deixava perplexo quem n\u00e3o queria aceitar o dito \u201cprogresso\u201d com greves, desemprego, drogas e pobreza no s\u00e9culo XX. Charles Chaplin, ou \u201cCarlitos\u201d, seu personagem-clone, usou a bengala, quem sabe, como um modo de expressar que todos somos capengas e claudicamos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s nossas pequenas dores e as grandes agonias do mundo. E a\u00ed tem que sorrir.<br \/>\nO sorriso \u00e9 tido como atenuante \u201cquando a dor te torturar\u201d. E cada um deve saber qual a dor que o atormenta, se real ou imagin\u00e1ria\/emocional. Ora, se a dor mexe com a emo\u00e7\u00e3o, ela deixa de ser imagin\u00e1ria e passa a ser \u201creal\u201d. E \u00e9 uma tortura, pois faz \u201ca saudade atormentar os teus dias tristonhos, vazios\u201d. Pois \u00e9, quando a saudade chega, ela toma assento e o sol se faz cinza e o dia fica vazio, embora possa estar pleno de luz. E a m\u00fasica pede \u2013 ou manda \u2013 que se sorria \u201cquando tudo terminar, quando nada mais restar do teu sonho encantador\u201d. Quando o sonho acaba, o amor termina, a doen\u00e7a chega, algu\u00e9m morre, uma amizade aparta, a trag\u00e9dia surge, parece que a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o \u00e9 sorrir. 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Sorri, porque \u00e9 uma boa solu\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Eita, est\u00e1 parecendo autoajuda, mas n\u00e3o h\u00e1 como n\u00e3o ficar tocado quando se ouve, fala ou escreve sobre \u201cSmile\u201d.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nCronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 02\/10\/2005.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3670","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3670","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3670"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3670\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3670"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3670"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3670"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}