{"id":3675,"date":"2023-12-21T09:10:51","date_gmt":"2023-12-21T12:10:51","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/homens-e-mulheres\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:51","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:51","slug":"homens-e-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/homens-e-mulheres\/","title":{"rendered":"HOMENS E MULHERES"},"content":{"rendered":"<p>Li cr\u00f4nica de Danuza Le\u00e3o sobre misoginia (desprezo e avers\u00e3o \u00e0s mulheres) publicada no domingo passado na Folha de S\u00e3o Paulo. Ela fala de desencontro e indaga o que estar\u00e1 acontecendo se homens, de verdade, preferem conversar entre si em bares e restaurantes? Imagino que ela trocou a palavra. Talvez desejasse usar, em sentido amplo, misogamia (horror ao casamento). Os homens t\u00eam vivenciado que o casamento &#8211; ou uni\u00e3o \u2013vem se transformando, com a libera\u00e7\u00e3o e o crescimento das mulheres, numa rela\u00e7\u00e3o nova, compartilhada e n\u00e3o de submiss\u00e3o. Ficaram tontos, mas nada de horror.<br \/>\nAlguns homens podem ter medo da nova mulher, esse ser que despontou e que ainda est\u00e1 em processo de montagem final. Ela mexeu com a cabe\u00e7a dos homens e n\u00e3o houve ainda a sedimenta\u00e7\u00e3o dessa mudan\u00e7a, t\u00e3o forte quanto necess\u00e1ria. O choque, que antecede ao ajuste, tem sido mais longo que o esperado, mais agudo que a capacidade de absor\u00e7\u00e3o masculina pode ter. Que nenhum homem saiba, mas as mulheres parecem mais centradas que eles. Sabem o que querem, v\u00e3o \u00e0 luta e, quase sempre, conseguem seus objetivos. Por outro lado, a conquista, em sentido amplo, que era privil\u00e9gio masculino, passou a ser comum de dois. Se ela quer, encara e chega junto. Alguns homens, em resposta, ficam receosos e n\u00e3o sabem reagir com naturalidade a esse mundo emergente.<br \/>\nQuando homens se re\u00fanem isoladamente podem estar apenas se divertindo ou, em alguns casos, mostrando que a bebida, a vangl\u00f3ria e o falar alto, s\u00e3o disfarces de sua perplexidade. Nada de horror, avers\u00e3o ou desprezo \u00e0s mulheres. A perplexidade vai passar. Caso contr\u00e1rio, poderia torn\u00e1-los, paradoxalmente, mais distante do real encontro com as suas parceiras.<br \/>\nPassar\u00e1. E chegar\u00e1 num tempo breve em que homens e mulheres n\u00e3o disputar\u00e3o supremacia, pois reconhecer\u00e3o que s\u00e3o seres distintos, livres, mas necess\u00e1rios, suplementares e indispens\u00e1veis uns aos outros. Nesse tempo de uma nova conquista, haver\u00e1 mais mesas de casais em bares e restaurantes e, em vez, das vozes alteradas, sussurros e afagos anteceder\u00e3o o prazer do verdadeiro encontro. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\ncronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 06\/11\/2005<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Li cr\u00f4nica de Danuza Le\u00e3o sobre misoginia (desprezo e avers\u00e3o \u00e0s mulheres) publicada no domingo passado na Folha de S\u00e3o Paulo. Ela fala de desencontro e indaga o que estar\u00e1 acontecendo se homens, de verdade, preferem conversar entre si em bares e restaurantes? Imagino que ela trocou a palavra. Talvez desejasse usar, em sentido amplo, misogamia (horror ao casamento). Os homens t\u00eam vivenciado que o casamento &#8211; ou uni\u00e3o \u2013vem se transformando, com a libera\u00e7\u00e3o e o crescimento das mulheres, numa rela\u00e7\u00e3o nova, compartilhada e n\u00e3o de submiss\u00e3o. Ficaram tontos, mas nada de horror.<br \/>\nAlguns homens podem ter medo da nova mulher, esse ser que despontou e que ainda est\u00e1 em processo de montagem final. Ela mexeu com a cabe\u00e7a dos homens e n\u00e3o houve ainda a sedimenta\u00e7\u00e3o dessa mudan\u00e7a, t\u00e3o forte quanto necess\u00e1ria. O choque, que antecede ao ajuste, tem sido mais longo que o esperado, mais agudo que a capacidade de absor\u00e7\u00e3o masculina pode ter. Que nenhum homem saiba, mas as mulheres parecem mais centradas que eles. Sabem o que querem, v\u00e3o \u00e0 luta e, quase sempre, conseguem seus objetivos. Por outro lado, a conquista, em sentido amplo, que era privil\u00e9gio masculino, passou a ser comum de dois. Se ela quer, encara e chega junto. Alguns homens, em resposta, ficam receosos e n\u00e3o sabem reagir com naturalidade a esse mundo emergente.<br \/>\nQuando homens se re\u00fanem isoladamente podem estar apenas se divertindo ou, em alguns casos, mostrando que a bebida, a vangl\u00f3ria e o falar alto, s\u00e3o disfarces de sua perplexidade. Nada de horror, avers\u00e3o ou desprezo \u00e0s mulheres. A perplexidade vai passar. Caso contr\u00e1rio, poderia torn\u00e1-los, paradoxalmente, mais distante do real encontro com as suas parceiras.<br \/>\nPassar\u00e1. E chegar\u00e1 num tempo breve em que homens e mulheres n\u00e3o disputar\u00e3o supremacia, pois reconhecer\u00e3o que s\u00e3o seres distintos, livres, mas necess\u00e1rios, suplementares e indispens\u00e1veis uns aos outros. Nesse tempo de uma nova conquista, haver\u00e1 mais mesas de casais em bares e restaurantes e, em vez, das vozes alteradas, sussurros e afagos anteceder\u00e3o o prazer do verdadeiro encontro. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\ncronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 06\/11\/2005<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3675","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3675","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3675"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3675\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3675"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3675"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3675"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}