{"id":3682,"date":"2023-12-21T09:10:51","date_gmt":"2023-12-21T12:10:51","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/boas-festas-ou-feliz-natal\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:51","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:51","slug":"boas-festas-ou-feliz-natal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/boas-festas-ou-feliz-natal\/","title":{"rendered":"BOAS FESTAS OU FELIZ NATAL?"},"content":{"rendered":"<p>Est\u00e3o discutindo por este mundo afora, como se isso resolvesse alguma coisa, se devemos dizer Boas Festas ou Feliz Natal. Argumentam que, pelo menos, 30% da popula\u00e7\u00e3o do mundo n\u00e3o t\u00eam nada a ver com o mundo ocidental e crist\u00e3o. Para eles, este tempo \u00e9 uma quadra qualquer. E dizem que n\u00f3s n\u00e3o celebramos Buda e Maom\u00e9. De qualquer modo, fico com as duas. Esses, os questionadores, os tais politicamente corretos, preferem Boas Festas.<br \/>\nArgumentam, repito, que nem todos acreditam na natividade, no menino que nasceu em Bel\u00e9m e j\u00e1 h\u00e1 mais de 2.000 anos mexe com a cabe\u00e7a das cabe\u00e7as. Mexe com o que temos de mais profundo, o que revel\u00e1vamos ao padre confessor, no tempo em que isso existia da forma que era. Mexe ainda hoje, quando, meio c\u00ednico e meio crente, nos perguntamos como anda a nossa f\u00e9. Essa f\u00e9 que, com altos e baixos, nos remete ao nosso eu mais denso, quando mergulhamos no mar dos nossos pensamentos, sonhos e palmilhamos a estrada do que j\u00e1 passou e ficou. E nos faz, quando faz, orar em sil\u00eancio, sem repetir f\u00f3rmulas prontas.<br \/>\nBoas Festas ou Feliz Natal? Fico com as festas, n\u00e3o essas a que somos obrigados a ir e todos j\u00e1 chegam com ar de enfado, o olho no rel\u00f3gio e a desculpa de que h\u00e1 ainda caminhos e caminhos a percorrer. As festas s\u00e3o os brilhos que saem dos nossos olhos quando estamos com gente que nos diz respeito, com quem o abra\u00e7o n\u00e3o \u00e9 uma pantomima, mas um halo de aconchego, um jeito seguro de ficar, sem que o tempo nos incomode. \u00c9 festa quando as palavras n\u00e3o s\u00e3o policiadas e a delicadeza n\u00e3o \u00e9 fruto de ensaio.<br \/>\nBoas Festas ou Feliz Natal? Fico com o Feliz Natal, n\u00e3o pelos presentes, pelas \u00e1rvores ou a alegria consumista, mas a certeza de que precisamos estar juntos, n\u00e3o por la\u00e7os de engodo, mas pelo enlevo e a suspeita de que somos \u00fanicos, uns para os outros. N\u00e3o s\u00f3 pela f\u00e9 renovada ou combalida, mas pela esperan\u00e7a. E \u00e9 essa esperan\u00e7a que nos chama ao conv\u00edvio e \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o, mesmo que tudo seja ef\u00eamero.<br \/>\nBoas Festas ou Feliz Natal? Fico com as duas, pois n\u00e3o h\u00e1 como dissoci\u00e1-las, embora algum leitor possa n\u00e3o acreditar nos meus sentimentos. A cren\u00e7a \u00e9 o produto da confian\u00e7a e da hist\u00f3ria de cada um. E neste dia de hoje, em que paramos e pairamos sobre as nossas diferen\u00e7as, h\u00e1 como ter perspectiva de que o amanh\u00e3 vir\u00e1 melhor se n\u00e3o dissimularmos o que sentimos. Assim, de verdade, Boas Festas e Feliz Natal.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\ncronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 25\/12\/2005.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Est\u00e3o discutindo por este mundo afora, como se isso resolvesse alguma coisa, se devemos dizer Boas Festas ou Feliz Natal. Argumentam que, pelo menos, 30% da popula\u00e7\u00e3o do mundo n\u00e3o t\u00eam nada a ver com o mundo ocidental e crist\u00e3o. Para eles, este tempo \u00e9 uma quadra qualquer. E dizem que n\u00f3s n\u00e3o celebramos Buda e Maom\u00e9. De qualquer modo, fico com as duas. Esses, os questionadores, os tais politicamente corretos, preferem Boas Festas.<br \/>\nArgumentam, repito, que nem todos acreditam na natividade, no menino que nasceu em Bel\u00e9m e j\u00e1 h\u00e1 mais de 2.000 anos mexe com a cabe\u00e7a das cabe\u00e7as. Mexe com o que temos de mais profundo, o que revel\u00e1vamos ao padre confessor, no tempo em que isso existia da forma que era. Mexe ainda hoje, quando, meio c\u00ednico e meio crente, nos perguntamos como anda a nossa f\u00e9. Essa f\u00e9 que, com altos e baixos, nos remete ao nosso eu mais denso, quando mergulhamos no mar dos nossos pensamentos, sonhos e palmilhamos a estrada do que j\u00e1 passou e ficou. E nos faz, quando faz, orar em sil\u00eancio, sem repetir f\u00f3rmulas prontas.<br \/>\nBoas Festas ou Feliz Natal? Fico com as festas, n\u00e3o essas a que somos obrigados a ir e todos j\u00e1 chegam com ar de enfado, o olho no rel\u00f3gio e a desculpa de que h\u00e1 ainda caminhos e caminhos a percorrer. As festas s\u00e3o os brilhos que saem dos nossos olhos quando estamos com gente que nos diz respeito, com quem o abra\u00e7o n\u00e3o \u00e9 uma pantomima, mas um halo de aconchego, um jeito seguro de ficar, sem que o tempo nos incomode. \u00c9 festa quando as palavras n\u00e3o s\u00e3o policiadas e a delicadeza n\u00e3o \u00e9 fruto de ensaio.<br \/>\nBoas Festas ou Feliz Natal? Fico com o Feliz Natal, n\u00e3o pelos presentes, pelas \u00e1rvores ou a alegria consumista, mas a certeza de que precisamos estar juntos, n\u00e3o por la\u00e7os de engodo, mas pelo enlevo e a suspeita de que somos \u00fanicos, uns para os outros. N\u00e3o s\u00f3 pela f\u00e9 renovada ou combalida, mas pela esperan\u00e7a. E \u00e9 essa esperan\u00e7a que nos chama ao conv\u00edvio e \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o, mesmo que tudo seja ef\u00eamero.<br \/>\nBoas Festas ou Feliz Natal? Fico com as duas, pois n\u00e3o h\u00e1 como dissoci\u00e1-las, embora algum leitor possa n\u00e3o acreditar nos meus sentimentos. A cren\u00e7a \u00e9 o produto da confian\u00e7a e da hist\u00f3ria de cada um. E neste dia de hoje, em que paramos e pairamos sobre as nossas diferen\u00e7as, h\u00e1 como ter perspectiva de que o amanh\u00e3 vir\u00e1 melhor se n\u00e3o dissimularmos o que sentimos. Assim, de verdade, Boas Festas e Feliz Natal.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\ncronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 25\/12\/2005.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3682","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3682","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3682"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3682\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3682"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3682"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3682"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}