{"id":3685,"date":"2023-12-21T09:10:51","date_gmt":"2023-12-21T12:10:51","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/a-janela-da-vida\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:51","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:51","slug":"a-janela-da-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/a-janela-da-vida\/","title":{"rendered":"A JANELA DA VIDA"},"content":{"rendered":"<p>Em meio \u00e0 quietude da tarde, por op\u00e7\u00e3o e prazer, abro o envelope, rompo o lacre e retiro o disco compacto que recebi de presente de Jos\u00e9 Arimat\u00e9ia Santos, um homem que mexe h\u00e1 tanto tempo com grandes n\u00fameros e conservou a capacidade de ser simples. Ligo o som, coloco o CD, ajusto graves e agudos procurando qualidade, e associo-me \u00e0 harmonia, melodia e ritmo tirados dos ajustes das cordas \u00e0s cravelhas de violino, viola e violoncelo dos m\u00fasicos do Quarteto Igua\u00e7u. Os arcos de Oliver, Freitas, Jos\u00e9 Maria e Dany est\u00e3o prontos e ressoam os primeiros acordes com arranjos de Ricardo Petracca. Fecho os olhos e deixo que os sons das cordas do quarteto se misturem ao vento que entra na janela do meu quarto. Nem todas as janelas s\u00e3o da vida, mas a m\u00fasica que ou\u00e7o d\u00e1 vida \u00e0 janela pela qual vejo, em meio ao casario e tantos pr\u00e9dios, a singeleza da igrejinha de S\u00e3o Pedro, nesta t\u00e3o bonita, intrigante, discutida e abandonada Praia de Iracema.<br \/>\nDe princ\u00edpio, veio Prel\u00fadio ao Luar, certamente Pensando em Voc\u00ea, mas ainda d\u00e1 para ver O Sol que Brilha no Mar. Se um dia n\u00e3o tivesse existido Isolete, penso eu, com a sua Mensagem de Amor, certamente n\u00e3o teria acontecido A Janela da Vida. Mas aconteceu. E Jos\u00e9 de Arimat\u00e9ia \u00e9 gente que troca a brisa do mar da cidade grande pelo calor e o amor \u00e0 Guanac\u00e9s, um lugarejo quase perdido no interior do Cear\u00e1, em Cascavel, onde espalha gra\u00e7a e esparge a sua benqueren\u00e7a com atitudes e afeto, levando sa\u00fade, instruindo jovens e formando banda de m\u00fasica. Mesmo n\u00e3o sendo compositor de carteira, pediu aos santos &#8211; que obrigatoriamente o acompanham at\u00e9 no nome &#8211; inspira\u00e7\u00e3o e Deus parece ter atendido nos sons aqui paridos e purificados por um quarteto no Paran\u00e1, capitaneado pelo m\u00fasico cearense Jos\u00e9 Maria Magalh\u00e3es Silva.<br \/>\nE enquanto O P\u00f4r do Sol j\u00e1 se aproxima desta Ponte dos Ingleses, aqui nesta terra em que pouca gente ouve m\u00fasica com enlevo e sem remelexo, ecoa O Meu Cear\u00e1, com uma viola sofrida e bela. De repente, aparecem A Espera, Voc\u00ea Chegou. Paradoxalmente, acabou-se a espera. \u00c9 hora d\u2019 A Chegada. At\u00e9 que enfim, pois o Crep\u00fasculo vai caindo, permitindo que os acordes do Quarteto Igua\u00e7u reavivem os sentimentos nesta tarde-noite em que os sons parecem dar m\u00e3os ao marulho das ondas que morrem e renascem nestas pedras e areias com ritmo essencial para dizer que tudo \u00e9 poss\u00edvel. \u00c9, basta abrir a janela para a vida.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 18\/01\/2004.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em meio \u00e0 quietude da tarde, por op\u00e7\u00e3o e prazer, abro o envelope, rompo o lacre e retiro o disco compacto que recebi de presente de Jos\u00e9 Arimat\u00e9ia Santos, um homem que mexe h\u00e1 tanto tempo com grandes n\u00fameros e conservou a capacidade de ser simples. Ligo o som, coloco o CD, ajusto graves e agudos procurando qualidade, e associo-me \u00e0 harmonia, melodia e ritmo tirados dos ajustes das cordas \u00e0s cravelhas de violino, viola e violoncelo dos m\u00fasicos do Quarteto Igua\u00e7u. Os arcos de Oliver, Freitas, Jos\u00e9 Maria e Dany est\u00e3o prontos e ressoam os primeiros acordes com arranjos de Ricardo Petracca. Fecho os olhos e deixo que os sons das cordas do quarteto se misturem ao vento que entra na janela do meu quarto. Nem todas as janelas s\u00e3o da vida, mas a m\u00fasica que ou\u00e7o d\u00e1 vida \u00e0 janela pela qual vejo, em meio ao casario e tantos pr\u00e9dios, a singeleza da igrejinha de S\u00e3o Pedro, nesta t\u00e3o bonita, intrigante, discutida e abandonada Praia de Iracema.<br \/>\nDe princ\u00edpio, veio Prel\u00fadio ao Luar, certamente Pensando em Voc\u00ea, mas ainda d\u00e1 para ver O Sol que Brilha no Mar. Se um dia n\u00e3o tivesse existido Isolete, penso eu, com a sua Mensagem de Amor, certamente n\u00e3o teria acontecido A Janela da Vida. Mas aconteceu. E Jos\u00e9 de Arimat\u00e9ia \u00e9 gente que troca a brisa do mar da cidade grande pelo calor e o amor \u00e0 Guanac\u00e9s, um lugarejo quase perdido no interior do Cear\u00e1, em Cascavel, onde espalha gra\u00e7a e esparge a sua benqueren\u00e7a com atitudes e afeto, levando sa\u00fade, instruindo jovens e formando banda de m\u00fasica. Mesmo n\u00e3o sendo compositor de carteira, pediu aos santos &#8211; que obrigatoriamente o acompanham at\u00e9 no nome &#8211; inspira\u00e7\u00e3o e Deus parece ter atendido nos sons aqui paridos e purificados por um quarteto no Paran\u00e1, capitaneado pelo m\u00fasico cearense Jos\u00e9 Maria Magalh\u00e3es Silva.<br \/>\nE enquanto O P\u00f4r do Sol j\u00e1 se aproxima desta Ponte dos Ingleses, aqui nesta terra em que pouca gente ouve m\u00fasica com enlevo e sem remelexo, ecoa O Meu Cear\u00e1, com uma viola sofrida e bela. De repente, aparecem A Espera, Voc\u00ea Chegou. Paradoxalmente, acabou-se a espera. \u00c9 hora d\u2019 A Chegada. At\u00e9 que enfim, pois o Crep\u00fasculo vai caindo, permitindo que os acordes do Quarteto Igua\u00e7u reavivem os sentimentos nesta tarde-noite em que os sons parecem dar m\u00e3os ao marulho das ondas que morrem e renascem nestas pedras e areias com ritmo essencial para dizer que tudo \u00e9 poss\u00edvel. \u00c9, basta abrir a janela para a vida.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 18\/01\/2004.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3685","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3685","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3685"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3685\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3685"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3685"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3685"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}