{"id":3697,"date":"2023-12-21T09:10:52","date_gmt":"2023-12-21T12:10:52","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/o-merito-industrial\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:52","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:52","slug":"o-merito-industrial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/o-merito-industrial\/","title":{"rendered":"O M\u00c9RITO INDUSTRIAL"},"content":{"rendered":"<p>Fico feliz quando vejo pessoas jovens determinadas a ser empres\u00e1rios. Sei como isso acontece. \u00c9 aquela vontade de ser independente, dono do pr\u00f3prio nariz e de escolher uma \u00e1rea para atuar. N\u00e3o vai estudar para concursos p\u00fablicos, n\u00e3o quer ser profissional liberal, o que deseja \u00e9 criar, transformar e empreender. Tirar algo do nada e torn\u00e1-lo real, palp\u00e1vel, mesmo que seja uma f\u00e1brica de velas. A pessoa que monta, por exemplo, uma f\u00e1brica de velas, compra a cera, faz ou manda fazer as formas, um grande fog\u00e3o e panel\u00f5es, cord\u00e3o para o pavio e coloca um nome. Digamos, velas celestiais. O dono da f\u00e1brica de velas celestiais sabe que est\u00e1 criando algo para vender, disputar o mercado e, se tiver qualidade e pre\u00e7o, permanecer\u00e1. Caso contr\u00e1rio, a tal da m\u00e3o invis\u00edvel de que falava Adam Smith se encarregar\u00e1 de por termo \u00e0 sua iniciativa. As velas servir\u00e3o para iluminar a morte da empresa.<br \/>\nImagine que uma pessoa jovem, em vez de fazer velas, resolva, digamos, montar uma pequena ind\u00fastria de confec\u00e7\u00f5es. \u00c9 um prazer imenso estudar o mercado, escolher modelos, mandar fazer moldes, tecidos, aviamentos, embalagem, marca, distribui\u00e7\u00e3o, ajustar as m\u00e1quinas em uma linha de produ\u00e7\u00e3o e contratar gente, pois sem gente boa ao lado n\u00e3o se vai a lugar nenhum.N\u00e3o importa o tamanho ou o neg\u00f3cio que se tenha, o admir\u00e1vel \u00e9 que o traga seguro na m\u00e3o, isto \u00e9, saiba como fazer para torn\u00e1-lo rent\u00e1vel e vivo, ano ap\u00f3s ano. Este \u00e9 o grande segredo, pois as empresas morrem muito cedo no Brasil. T\u00e3o logo algu\u00e9m monta um neg\u00f3cio e, orgulhoso, coloca a placa na frente, chega o fiscal municipal perguntando pelo alvar\u00e1 de funcionamento, o IPTU e a vigil\u00e2ncia sanit\u00e1ria sai para ver banheiros, vesti\u00e1rios e refeit\u00f3rio.<br \/>\nDepois, vem o fiscal estadual cobrando o ICMS e os livros de entrada e sa\u00edda de mercadorias. Em seguida e, muitas vezes ao mesmo tempo, entra o Auditor da previd\u00eancia pedindo as carteiras dos funcion\u00e1rios, os recolhimentos disso e daquilo, enquanto o pessoal do sindicato da categoria dos empregados coloca um alto-falante na porta e pede aumento, diminui\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, produtividade etc, mesmo que as vendas tenham despencado, o estoque cres\u00e7a e os clientes n\u00e3o paguem. Tem tamb\u00e9m a fiscaliza\u00e7\u00e3o do IPI que chega junto. Se ocorrer de dar um lucro, o imposto de renda fica com um ter\u00e7o do que voc\u00ea produziu. E at\u00e9 agora n\u00e3o se falou ainda do tempo para cuidar da clientela, financiamentos banc\u00e1rios, de certos concorrentes que querem v\u00ea-lo arruinado, e da fam\u00edlia que cobra, com justo direito, aten\u00e7\u00e3o e n\u00e3o entende porque n\u00e3o tira f\u00e9rias. Respira fundo, v\u00ea que j\u00e1 n\u00e3o cuida muito bem do seu corpo, dorme mal e, muitas vezes, recorre \u00e0 bebida ou tranquilizantes para esquecer os problemas que voltam no dia seguinte.<br \/>\nEssa est\u00f3ria acima n\u00e3o \u00e9 para fazer ningu\u00e9m desanimar, mas para vibrar com os jovens capazes e corajosos que, mesmo cientes de tudo isso, resolvem ser empres\u00e1rios. Industriais, principalmente. E enaltecer os que, na \u00faltima quinta-feira, receberam o M\u00e9rito da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias, vencendo o tempo e todas as suas barreiras, inj\u00farias, invejas, desapontamentos, a imensa e desigual carga fiscal brasileira e gerando empregos. Eles sabem como isso \u00e9 gratificante e, paradoxalmente, dif\u00edcil de ser compartilhado.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\n Escritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 04\/07\/2004.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fico feliz quando vejo pessoas jovens determinadas a ser empres\u00e1rios. Sei como isso acontece. \u00c9 aquela vontade de ser independente, dono do pr\u00f3prio nariz e de escolher uma \u00e1rea para atuar. N\u00e3o vai estudar para concursos p\u00fablicos, n\u00e3o quer ser profissional liberal, o que deseja \u00e9 criar, transformar e empreender. Tirar algo do nada e torn\u00e1-lo real, palp\u00e1vel, mesmo que seja uma f\u00e1brica de velas. A pessoa que monta, por exemplo, uma f\u00e1brica de velas, compra a cera, faz ou manda fazer as formas, um grande fog\u00e3o e panel\u00f5es, cord\u00e3o para o pavio e coloca um nome. Digamos, velas celestiais. O dono da f\u00e1brica de velas celestiais sabe que est\u00e1 criando algo para vender, disputar o mercado e, se tiver qualidade e pre\u00e7o, permanecer\u00e1. Caso contr\u00e1rio, a tal da m\u00e3o invis\u00edvel de que falava Adam Smith se encarregar\u00e1 de por termo \u00e0 sua iniciativa. As velas servir\u00e3o para iluminar a morte da empresa.<br \/>\nImagine que uma pessoa jovem, em vez de fazer velas, resolva, digamos, montar uma pequena ind\u00fastria de confec\u00e7\u00f5es. \u00c9 um prazer imenso estudar o mercado, escolher modelos, mandar fazer moldes, tecidos, aviamentos, embalagem, marca, distribui\u00e7\u00e3o, ajustar as m\u00e1quinas em uma linha de produ\u00e7\u00e3o e contratar gente, pois sem gente boa ao lado n\u00e3o se vai a lugar nenhum.N\u00e3o importa o tamanho ou o neg\u00f3cio que se tenha, o admir\u00e1vel \u00e9 que o traga seguro na m\u00e3o, isto \u00e9, saiba como fazer para torn\u00e1-lo rent\u00e1vel e vivo, ano ap\u00f3s ano. Este \u00e9 o grande segredo, pois as empresas morrem muito cedo no Brasil. T\u00e3o logo algu\u00e9m monta um neg\u00f3cio e, orgulhoso, coloca a placa na frente, chega o fiscal municipal perguntando pelo alvar\u00e1 de funcionamento, o IPTU e a vigil\u00e2ncia sanit\u00e1ria sai para ver banheiros, vesti\u00e1rios e refeit\u00f3rio.<br \/>\nDepois, vem o fiscal estadual cobrando o ICMS e os livros de entrada e sa\u00edda de mercadorias. Em seguida e, muitas vezes ao mesmo tempo, entra o Auditor da previd\u00eancia pedindo as carteiras dos funcion\u00e1rios, os recolhimentos disso e daquilo, enquanto o pessoal do sindicato da categoria dos empregados coloca um alto-falante na porta e pede aumento, diminui\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, produtividade etc, mesmo que as vendas tenham despencado, o estoque cres\u00e7a e os clientes n\u00e3o paguem. Tem tamb\u00e9m a fiscaliza\u00e7\u00e3o do IPI que chega junto. Se ocorrer de dar um lucro, o imposto de renda fica com um ter\u00e7o do que voc\u00ea produziu. E at\u00e9 agora n\u00e3o se falou ainda do tempo para cuidar da clientela, financiamentos banc\u00e1rios, de certos concorrentes que querem v\u00ea-lo arruinado, e da fam\u00edlia que cobra, com justo direito, aten\u00e7\u00e3o e n\u00e3o entende porque n\u00e3o tira f\u00e9rias. Respira fundo, v\u00ea que j\u00e1 n\u00e3o cuida muito bem do seu corpo, dorme mal e, muitas vezes, recorre \u00e0 bebida ou tranquilizantes para esquecer os problemas que voltam no dia seguinte.<br \/>\nEssa est\u00f3ria acima n\u00e3o \u00e9 para fazer ningu\u00e9m desanimar, mas para vibrar com os jovens capazes e corajosos que, mesmo cientes de tudo isso, resolvem ser empres\u00e1rios. Industriais, principalmente. E enaltecer os que, na \u00faltima quinta-feira, receberam o M\u00e9rito da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias, vencendo o tempo e todas as suas barreiras, inj\u00farias, invejas, desapontamentos, a imensa e desigual carga fiscal brasileira e gerando empregos. Eles sabem como isso \u00e9 gratificante e, paradoxalmente, dif\u00edcil de ser compartilhado.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\n Escritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 04\/07\/2004.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3697","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3697","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3697"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3697\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3697"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3697"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3697"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}