{"id":3707,"date":"2023-12-21T09:10:52","date_gmt":"2023-12-21T12:10:52","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/eleicoes-ca-e-la\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:52","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:52","slug":"eleicoes-ca-e-la","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/eleicoes-ca-e-la\/","title":{"rendered":"ELEI\u00c7\u00d5ES: C\u00c1 E L\u00c1"},"content":{"rendered":"<p>Fico pensando que no pr\u00f3ximo domingo, dia 31, eleitores, de 44 m\u00e9dias e grandes cidades brasileiras, estar\u00e3o escolhendo, em segundo turno, obrigatoriamente, os seus prefeitos. No Brasil, somos obrigados a votar. Dizem que \u00e9 uma forma de aprimoramento democr\u00e1tico. Devemos escolher sempre entre duas pessoas, geralmente de pensamentos opostos, que admitem ter solu\u00e7\u00f5es e respostas para todos os calcificados e end\u00eamicos problemas urbanos. Dois dias ap\u00f3s, os eleitores americanos, que desejarem, estar\u00e3o votando para eleger o presidente dos Estados Unidos. L\u00e1 o voto \u00e9 opcional, vota quem quer. Dizem por l\u00e1 que n\u00e3o votar \u00e9 uma express\u00e3o de liberdade, de democracia.<br \/>\nO que tem uma coisa a ver com a outra? Nada e tudo. Nada porque as cidades brasileiras, aparentemente, pouco t\u00eam a ver com a realidade americana. Tudo, porque da decis\u00e3o da escolha do Presidente americano, depender\u00e1, quer queiramos ou n\u00e3o, parte do modo de viver da humanidade.<br \/>\nA pobreza das cidades brasileiras \u2013 e isto inclui S\u00e3o Paulo \u2013 \u00e9 fruto, entre outras coisas, de uma falsa autoestima da sociedade dita culta e dos que se consideram ricos. Somos meros copiadores de padr\u00f5es que nos repassam a academia, a moda, as grandes empresas transnacionais, a televis\u00e3o, e os outros meios de comunica\u00e7\u00e3o. N\u00e3o criamos ainda uma identidade nacional e at\u00e9 parece que temos vergonha disso. N\u00e3o aprendemos a nos contentar com o essencial, mas buscar o sup\u00e9rfluo e a copiar o que tem de pior nas sociedades ditas avan\u00e7adas. Aprendemos a olhar os nossos pobres e miser\u00e1veis com desd\u00e9m e a nada fazer por eles, como se fossem pessoas de outras naturezas e nos encastelamos em nossas casamatas com seguran\u00e7as, alarmes e medo.<br \/>\nIgualmente, nas sociedades avan\u00e7adas, se fez do medo a motiva\u00e7\u00e3o para a guerra. Se voc\u00ea \u00e9 social ou racialmente diferente, se n\u00e3o pensa como a maioria, pode ser uma amea\u00e7a que precisa ser isolada, recha\u00e7ada ou exterminada. L\u00e1 e c\u00e1 n\u00e3o se ajuda a erradicar as causas da pobreza que passam pela baixa ou nenhuma educa\u00e7\u00e3o e do absoluto paradoxo que a vida industrial nos relegou: as m\u00e1quinas precisam de pouca m\u00e3o-de-obra e os \u201cpobres e os ignorantes parecem n\u00e3o ter jeito\u201d. Esperemos que c\u00e1 e l\u00e1 tenhamos um m\u00ednimo de bom senso na hora de votar, para n\u00e3o continuarmos neste intrincado mundo em que a sa\u00edda mais parece um denso labirinto que se assemelha a trincheiras cavadas repletas de cansados e confusos combatentes. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 24\/10\/2004<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fico pensando que no pr\u00f3ximo domingo, dia 31, eleitores, de 44 m\u00e9dias e grandes cidades brasileiras, estar\u00e3o escolhendo, em segundo turno, obrigatoriamente, os seus prefeitos. No Brasil, somos obrigados a votar. Dizem que \u00e9 uma forma de aprimoramento democr\u00e1tico. Devemos escolher sempre entre duas pessoas, geralmente de pensamentos opostos, que admitem ter solu\u00e7\u00f5es e respostas para todos os calcificados e end\u00eamicos problemas urbanos. Dois dias ap\u00f3s, os eleitores americanos, que desejarem, estar\u00e3o votando para eleger o presidente dos Estados Unidos. L\u00e1 o voto \u00e9 opcional, vota quem quer. Dizem por l\u00e1 que n\u00e3o votar \u00e9 uma express\u00e3o de liberdade, de democracia.<br \/>\nO que tem uma coisa a ver com a outra? Nada e tudo. Nada porque as cidades brasileiras, aparentemente, pouco t\u00eam a ver com a realidade americana. Tudo, porque da decis\u00e3o da escolha do Presidente americano, depender\u00e1, quer queiramos ou n\u00e3o, parte do modo de viver da humanidade.<br \/>\nA pobreza das cidades brasileiras \u2013 e isto inclui S\u00e3o Paulo \u2013 \u00e9 fruto, entre outras coisas, de uma falsa autoestima da sociedade dita culta e dos que se consideram ricos. Somos meros copiadores de padr\u00f5es que nos repassam a academia, a moda, as grandes empresas transnacionais, a televis\u00e3o, e os outros meios de comunica\u00e7\u00e3o. N\u00e3o criamos ainda uma identidade nacional e at\u00e9 parece que temos vergonha disso. N\u00e3o aprendemos a nos contentar com o essencial, mas buscar o sup\u00e9rfluo e a copiar o que tem de pior nas sociedades ditas avan\u00e7adas. Aprendemos a olhar os nossos pobres e miser\u00e1veis com desd\u00e9m e a nada fazer por eles, como se fossem pessoas de outras naturezas e nos encastelamos em nossas casamatas com seguran\u00e7as, alarmes e medo.<br \/>\nIgualmente, nas sociedades avan\u00e7adas, se fez do medo a motiva\u00e7\u00e3o para a guerra. Se voc\u00ea \u00e9 social ou racialmente diferente, se n\u00e3o pensa como a maioria, pode ser uma amea\u00e7a que precisa ser isolada, recha\u00e7ada ou exterminada. L\u00e1 e c\u00e1 n\u00e3o se ajuda a erradicar as causas da pobreza que passam pela baixa ou nenhuma educa\u00e7\u00e3o e do absoluto paradoxo que a vida industrial nos relegou: as m\u00e1quinas precisam de pouca m\u00e3o-de-obra e os \u201cpobres e os ignorantes parecem n\u00e3o ter jeito\u201d. 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