{"id":3725,"date":"2023-12-21T09:10:52","date_gmt":"2023-12-21T12:10:52","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/gabo-e-a-solidao\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:52","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:52","slug":"gabo-e-a-solidao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/gabo-e-a-solidao\/","title":{"rendered":"GABO E A SOLID\u00c3O"},"content":{"rendered":"<p>Um dia desses algu\u00e9m me perguntou se deveria ler o livro \u00b4Cem anos de solid\u00e3o\u00b4, de Gabriel (Gabo) Garcia M\u00e1rquez. E argumentava: \u00b4j\u00e1 n\u00e3o aguento a minha pr\u00f3pria solid\u00e3o, pois n\u00e3o sei administr\u00e1-la. Como perder meu tempo lendo um s\u00e9culo de solid\u00e3o?\u00b4<br \/>\nCada pessoa \u00e9 livre e ler \u00e9 um ato individual que exige vontade e concentra\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma decis\u00e3o pessoal em que os olhos passam a comandar os nossos sentidos e nos fazem deixar o mundo real para penetrar em uma seara imagin\u00e1ria em que tudo \u00e9 permitido, pois depende do contrato de ades\u00e3o entre a mente de quem l\u00ea e foco de quem escreve. Ler pode at\u00e9 ser perda de tempo, mas \u00e9 uma das perdas de tempo mais gratificantes da vida. O ser humano come\u00e7a a ler quando identifica a m\u00e3e, o pai e o lugar onde vive. Antes de falar, os olhos j\u00e1 leem. Depois, passa a entender s\u00edmbolos: as letras do alfabeto. Em seguida, junta os s\u00edmbolos e faz um primeiro jogo com as palavras: bola, p\u00e9, papai, mam\u00e3e etc. De repente, o jogo clareia e as palavras formam frases. \u00c9 claro que o ambiente familiar e a forma\u00e7\u00e3o escolar ajudam a formar leitores. Se observa os pais lendo e h\u00e1 jornais, livros e revistas em casa \u00e9 um passo para a crian\u00e7a passar a ser um leitor, especialmente se foi acostumada, desde cedo, a ouvir hist\u00f3rias antes de dormir. Igualmente, se a escola a estimula a ler para fazer pesquisas, aprender biografias e Hist\u00f3ria. Feito isso, ser\u00e1 mais f\u00e1cil gostar de escrever e compreender melhor o que l\u00ea.<br \/>\nVoltemos ao livro. N\u00e3o vou fazer resenha nem aconselhar. Apenas tal pergunta agu\u00e7ou minha curiosidade. Resolvi procurar o meu velho livro \u00b4Cem anos de solid\u00e3o\u00b4 e verifiquei que o permanente costume de marcar frases estava l\u00e1. A marca\u00e7\u00e3o de frases pode representar o que se pensa no momento da leitura, concord\u00e2ncia ou discord\u00e2ncia com o que diz o autor atrav\u00e9s de seus personagens.<br \/>\nEntre amigos que gostam de ler h\u00e1 interc\u00e2mbio de livros \u00b4marcados\u00b4, isto \u00e9, j\u00e1 lidos. A partir das marca\u00e7\u00f5es, fazem at\u00e9 psican\u00e1lise de brincadeira e identificam os pontos que t\u00eam em comum, apesar de, muitas vezes, terem nascido em lugares ou pa\u00edses distintos e profiss\u00f5es diferentes.<br \/>\nVou mostrar as minhas marca\u00e7\u00f5es de frases sobre o que dizem os personagens de M\u00e1rquez no \u00b4Cem Anos de Solid\u00e3o\u00b4. Cito apenas sete: 01. As coisas t\u00eam vida pr\u00f3pria. Tudo \u00e9 quest\u00e3o de despertar a sua alma. 02. A curiosidade pode mais que o temor. 03. Na verdade estavam ligados at\u00e9 \u00e0 morte por um v\u00ednculo mais s\u00f3lido que o amor: uma dor comum de consci\u00eancia. 04. O tempo p\u00f5e as coisas no lugar. 05. N\u00e3o suplique a ningu\u00e9m, nem se rebaixe diante de ningu\u00e9m. 06. S\u00f3 ele sabia, naquele tempo, que o seu aturdido cora\u00e7\u00e3o estava condenado para sempre \u00e0 incerteza. 07. A armadilha da saudade&#8230; Que se h\u00e1 de fazer, o tempo passa. \u00c9 verdade. Mas n\u00e3o tanto.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nEscritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 22\/06\/2003.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dia desses algu\u00e9m me perguntou se deveria ler o livro \u00b4Cem anos de solid\u00e3o\u00b4, de Gabriel (Gabo) Garcia M\u00e1rquez. E argumentava: \u00b4j\u00e1 n\u00e3o aguento a minha pr\u00f3pria solid\u00e3o, pois n\u00e3o sei administr\u00e1-la. Como perder meu tempo lendo um s\u00e9culo de solid\u00e3o?\u00b4<br \/>\nCada pessoa \u00e9 livre e ler \u00e9 um ato individual que exige vontade e concentra\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma decis\u00e3o pessoal em que os olhos passam a comandar os nossos sentidos e nos fazem deixar o mundo real para penetrar em uma seara imagin\u00e1ria em que tudo \u00e9 permitido, pois depende do contrato de ades\u00e3o entre a mente de quem l\u00ea e foco de quem escreve. Ler pode at\u00e9 ser perda de tempo, mas \u00e9 uma das perdas de tempo mais gratificantes da vida. O ser humano come\u00e7a a ler quando identifica a m\u00e3e, o pai e o lugar onde vive. Antes de falar, os olhos j\u00e1 leem. Depois, passa a entender s\u00edmbolos: as letras do alfabeto. Em seguida, junta os s\u00edmbolos e faz um primeiro jogo com as palavras: bola, p\u00e9, papai, mam\u00e3e etc. De repente, o jogo clareia e as palavras formam frases. \u00c9 claro que o ambiente familiar e a forma\u00e7\u00e3o escolar ajudam a formar leitores. Se observa os pais lendo e h\u00e1 jornais, livros e revistas em casa \u00e9 um passo para a crian\u00e7a passar a ser um leitor, especialmente se foi acostumada, desde cedo, a ouvir hist\u00f3rias antes de dormir. Igualmente, se a escola a estimula a ler para fazer pesquisas, aprender biografias e Hist\u00f3ria. Feito isso, ser\u00e1 mais f\u00e1cil gostar de escrever e compreender melhor o que l\u00ea.<br \/>\nVoltemos ao livro. N\u00e3o vou fazer resenha nem aconselhar. Apenas tal pergunta agu\u00e7ou minha curiosidade. Resolvi procurar o meu velho livro \u00b4Cem anos de solid\u00e3o\u00b4 e verifiquei que o permanente costume de marcar frases estava l\u00e1. A marca\u00e7\u00e3o de frases pode representar o que se pensa no momento da leitura, concord\u00e2ncia ou discord\u00e2ncia com o que diz o autor atrav\u00e9s de seus personagens.<br \/>\nEntre amigos que gostam de ler h\u00e1 interc\u00e2mbio de livros \u00b4marcados\u00b4, isto \u00e9, j\u00e1 lidos. A partir das marca\u00e7\u00f5es, fazem at\u00e9 psican\u00e1lise de brincadeira e identificam os pontos que t\u00eam em comum, apesar de, muitas vezes, terem nascido em lugares ou pa\u00edses distintos e profiss\u00f5es diferentes.<br \/>\nVou mostrar as minhas marca\u00e7\u00f5es de frases sobre o que dizem os personagens de M\u00e1rquez no \u00b4Cem Anos de Solid\u00e3o\u00b4. Cito apenas sete: 01. As coisas t\u00eam vida pr\u00f3pria. Tudo \u00e9 quest\u00e3o de despertar a sua alma. 02. A curiosidade pode mais que o temor. 03. Na verdade estavam ligados at\u00e9 \u00e0 morte por um v\u00ednculo mais s\u00f3lido que o amor: uma dor comum de consci\u00eancia. 04. O tempo p\u00f5e as coisas no lugar. 05. N\u00e3o suplique a ningu\u00e9m, nem se rebaixe diante de ningu\u00e9m. 06. S\u00f3 ele sabia, naquele tempo, que o seu aturdido cora\u00e7\u00e3o estava condenado para sempre \u00e0 incerteza. 07. A armadilha da saudade&#8230; Que se h\u00e1 de fazer, o tempo passa. \u00c9 verdade. Mas n\u00e3o tanto.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nEscritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 22\/06\/2003.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3725","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3725","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3725"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3725\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3725"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3725"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3725"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}