{"id":3731,"date":"2023-12-21T09:10:53","date_gmt":"2023-12-21T12:10:53","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/benquerenca\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:53","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:53","slug":"benquerenca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/benquerenca\/","title":{"rendered":"BENQUEREN\u00c7A"},"content":{"rendered":"<p>Vai chegando um tempo em que as \u00e1guas assentam no fundo do pote. Voc\u00ea sabe bem quando a coisa est\u00e1 acontecendo e quando as benqueren\u00e7as ficam definidas. \u00c9 uma coisa que n\u00e3o depende de voc\u00ea, nem de contrato, tampouco de tempo definido. Chega e mostra a cara, quando vem de sopet\u00e3o, parecendo enchente de rio em inverno bom. Outras vezes, aparece de mansinho, vai somando afinidade e se define no jeito de ver as coisas, o mundo e as pessoas, principalmente, como se fosse uma \u00e1rvore que vai crescendo e j\u00e1 lhe d\u00e1 sombra. H\u00e1 tamb\u00e9m aquelas que pareciam ser uma coisa e s\u00e3o outra. A purpurina parece ouro, mas n\u00e3o \u00e9. O ouro \u00e9 feio e esmaecido, quando sai do garimpo. A\u00ed a gente reformula o pensamento, pede desculpas, se explica e abre o cora\u00e7\u00e3o sem medo. Tal como o polimento do ouro fora do garimpo bruto, quando o brilho resplandece parecendo sol de ver\u00e3o.<br \/>\nBenqueren\u00e7a \u00e9 reserva de dom\u00ednio de sentimento. \u00c9 aquela vontade de trocar ideias sobre qualquer coisa ou nada, especificamente. \u00c9 empatia ou anseio que se transmuta em identidade entre duas pessoas, independente de sexo, idade, estado civil, cor da pele, dinheiro na poupan\u00e7a, grau de instru\u00e7\u00e3o, religi\u00e3o, ideologia ou nacionalidade. Isso que, a gente sabe, vai rareando a cada dia que passa, mas \u00e9 s\u00f3 parar e sentir, sem pressa. Quando do lado de fora h\u00e1 tanta pressa em se chegar. Alguns n\u00e3o sabem bem para onde v\u00e3o, mas v\u00e3o apressados. Basta voc\u00ea ver quem buzina no sinal de tr\u00e2nsito, n\u00e3o respeita pedestre, v\u00ea mendigo com olhar atravessado, fura fila, faz cursos que n\u00e3o levam a nada, v\u00e3o a tudo que \u00e9 lugar, riem sempre ou s\u00e3o sempre zangados, n\u00e3o sabem ficar calados e ouvir, t\u00eam respostas para tudo e imaginam que a vida \u00e9 eterna.<br \/>\nComportamentos assim mostram como a vida \u00e9 complexa, porque n\u00f3s, seres humanos, somos t\u00e3o diferentes apesar de parecidos. A\u00ed que, se algu\u00e9m afina com voc\u00ea, n\u00e3o perca tempo. \u00c9 a tal hist\u00f3ria do cavalo selado que passa na sua frente. N\u00e3o tenha medo de benqueren\u00e7a. Pessoas seguras de si revelam sentimentos e abrem as comportas de suas reservas, deixando escoar o que podem compartilhar e usufruir. E, preste aten\u00e7\u00e3o, benqueren\u00e7a n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o usufruto do prazer, mas a percep\u00e7\u00e3o do outro em suas nuances n\u00e3o faladas, mas reveladas em gestos e sil\u00eancios.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nEscritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 31\/08\/2003.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vai chegando um tempo em que as \u00e1guas assentam no fundo do pote. Voc\u00ea sabe bem quando a coisa est\u00e1 acontecendo e quando as benqueren\u00e7as ficam definidas. \u00c9 uma coisa que n\u00e3o depende de voc\u00ea, nem de contrato, tampouco de tempo definido. Chega e mostra a cara, quando vem de sopet\u00e3o, parecendo enchente de rio em inverno bom. Outras vezes, aparece de mansinho, vai somando afinidade e se define no jeito de ver as coisas, o mundo e as pessoas, principalmente, como se fosse uma \u00e1rvore que vai crescendo e j\u00e1 lhe d\u00e1 sombra. H\u00e1 tamb\u00e9m aquelas que pareciam ser uma coisa e s\u00e3o outra. A purpurina parece ouro, mas n\u00e3o \u00e9. O ouro \u00e9 feio e esmaecido, quando sai do garimpo. A\u00ed a gente reformula o pensamento, pede desculpas, se explica e abre o cora\u00e7\u00e3o sem medo. Tal como o polimento do ouro fora do garimpo bruto, quando o brilho resplandece parecendo sol de ver\u00e3o.<br \/>\nBenqueren\u00e7a \u00e9 reserva de dom\u00ednio de sentimento. \u00c9 aquela vontade de trocar ideias sobre qualquer coisa ou nada, especificamente. \u00c9 empatia ou anseio que se transmuta em identidade entre duas pessoas, independente de sexo, idade, estado civil, cor da pele, dinheiro na poupan\u00e7a, grau de instru\u00e7\u00e3o, religi\u00e3o, ideologia ou nacionalidade. Isso que, a gente sabe, vai rareando a cada dia que passa, mas \u00e9 s\u00f3 parar e sentir, sem pressa. Quando do lado de fora h\u00e1 tanta pressa em se chegar. Alguns n\u00e3o sabem bem para onde v\u00e3o, mas v\u00e3o apressados. Basta voc\u00ea ver quem buzina no sinal de tr\u00e2nsito, n\u00e3o respeita pedestre, v\u00ea mendigo com olhar atravessado, fura fila, faz cursos que n\u00e3o levam a nada, v\u00e3o a tudo que \u00e9 lugar, riem sempre ou s\u00e3o sempre zangados, n\u00e3o sabem ficar calados e ouvir, t\u00eam respostas para tudo e imaginam que a vida \u00e9 eterna.<br \/>\nComportamentos assim mostram como a vida \u00e9 complexa, porque n\u00f3s, seres humanos, somos t\u00e3o diferentes apesar de parecidos. A\u00ed que, se algu\u00e9m afina com voc\u00ea, n\u00e3o perca tempo. \u00c9 a tal hist\u00f3ria do cavalo selado que passa na sua frente. N\u00e3o tenha medo de benqueren\u00e7a. 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E, preste aten\u00e7\u00e3o, benqueren\u00e7a n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o usufruto do prazer, mas a percep\u00e7\u00e3o do outro em suas nuances n\u00e3o faladas, mas reveladas em gestos e sil\u00eancios.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nEscritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 31\/08\/2003.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3731","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3731","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3731"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3731\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3731"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3731"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3731"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}