{"id":3737,"date":"2023-12-21T09:10:53","date_gmt":"2023-12-21T12:10:53","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/os-novos-moinhos-de-castilla\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:53","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:53","slug":"os-novos-moinhos-de-castilla","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/os-novos-moinhos-de-castilla\/","title":{"rendered":"OS NOVOS MOINHOS DE CASTILLA"},"content":{"rendered":"<p>Andei pelas terras de Castilla neste outono chuvoso e quase frio de meados de outubro. N\u00e3o montava o \u00b4Rocinante\u00b4, tampouco estava atr\u00e1s de uma \u00b4Dulcin\u00e9ia\u00b4, mas percorri a regi\u00e3o que serviu de palco imagin\u00e1rio para a obra de Miguel de Cervantes. Foram 750 km, entre ir e vir, e descobri que os moinhos de ventos s\u00f3 existem agora nas duas partes do romance Dom Quixote, escrito entre 1605 e 1615 e que hoje faz parte da boa literatura universal.<br \/>\nPassei &#8211; e parei &#8211; por Toledo, patrim\u00f4nio hist\u00f3rico da humanidade, t\u00e3o linda com sua mistura de influ\u00eancia espanhola e moura, circundei o rio Tajo, que \u00e9 o nosso Tejo portugu\u00eas, e tomei a estrada moderna, sinalizada e sem ped\u00e1gios que d\u00e1 acesso a Albacete, nosso destino naquele dia.<br \/>\nChovia, o sol era t\u00edmido e o ar montanhoso mostrava uma regi\u00e3o in\u00f3spita, tal qual o Nordeste brasileiro. As pedras afloram do ch\u00e3o e a vegeta\u00e7\u00e3o n\u00e3o consegue esconder que suas ra\u00edzes sofrem ao penetrar no solo rochoso. Ovelhas lanzudas pastam como em uma eterna espera pelas diatribes de Sancho Pan\u00e7a, fiel escudeiro e servidor do cavaleiro Quixote.<br \/>\nPr\u00f3ximo a Albacete o sol reaparece e mostra que moinhos novos est\u00e3o surgindo nos morros a 1.000m acima do n\u00edvel do mar. S\u00e3o quase 200 aerogeradores imensos, com 54m de altura, captando a energia e\u00f3lica e a transformando em riqueza para acionar o desenvolvimento da Espanha arvorada, com sucesso, a pertencer ao time das na\u00e7\u00f5es desenvolvidas. Fecho os olhos e penso nos ventos cearenses t\u00e3o fortes quanto inaproveitados. \u00c9 bem verdade que j\u00e1 temos alguns aerogeradores espalhados pelo Titanzinho, na entrada da Prainha, e na Ta\u00edba. Mas s\u00e3o t\u00e3o poucos, quase nada em frente \u00e0 realidade que ora vejo no sil\u00eancio desta tarde que me molha o corpo, mas n\u00e3o impede que o meu esp\u00edrito continue a sonhar, tal qual um Quixote, por um Cear\u00e1 em que as suas potencialidades sejam aproveitadas, sem que sucumbamos no mar de vaidades e quase nenhuma a\u00e7\u00e3o.<br \/>\nE por tal raz\u00e3o \u00e9 que nesse dia tive a alegria de alinhavar palavras em papel para tentar sedimentar, mediante um protocolo de inten\u00e7\u00f5es, com a Universidade de Castilla &#8211; La Mancha e a Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Cear\u00e1, uma perspectiva de cria\u00e7\u00e3o em Fortaleza de um Instituto de Energia Renov\u00e1vel com a absor\u00e7\u00e3o de tecnologia que transforme os nossos ventos na riqueza t\u00e3o necess\u00e1ria para que n\u00e3o se percam como os sonhos mirabolantes de Dom Quixote.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nEscritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 26\/10\/2003.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Andei pelas terras de Castilla neste outono chuvoso e quase frio de meados de outubro. 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As pedras afloram do ch\u00e3o e a vegeta\u00e7\u00e3o n\u00e3o consegue esconder que suas ra\u00edzes sofrem ao penetrar no solo rochoso. Ovelhas lanzudas pastam como em uma eterna espera pelas diatribes de Sancho Pan\u00e7a, fiel escudeiro e servidor do cavaleiro Quixote.<br \/>\nPr\u00f3ximo a Albacete o sol reaparece e mostra que moinhos novos est\u00e3o surgindo nos morros a 1.000m acima do n\u00edvel do mar. S\u00e3o quase 200 aerogeradores imensos, com 54m de altura, captando a energia e\u00f3lica e a transformando em riqueza para acionar o desenvolvimento da Espanha arvorada, com sucesso, a pertencer ao time das na\u00e7\u00f5es desenvolvidas. Fecho os olhos e penso nos ventos cearenses t\u00e3o fortes quanto inaproveitados. \u00c9 bem verdade que j\u00e1 temos alguns aerogeradores espalhados pelo Titanzinho, na entrada da Prainha, e na Ta\u00edba. Mas s\u00e3o t\u00e3o poucos, quase nada em frente \u00e0 realidade que ora vejo no sil\u00eancio desta tarde que me molha o corpo, mas n\u00e3o impede que o meu esp\u00edrito continue a sonhar, tal qual um Quixote, por um Cear\u00e1 em que as suas potencialidades sejam aproveitadas, sem que sucumbamos no mar de vaidades e quase nenhuma a\u00e7\u00e3o.<br \/>\nE por tal raz\u00e3o \u00e9 que nesse dia tive a alegria de alinhavar palavras em papel para tentar sedimentar, mediante um protocolo de inten\u00e7\u00f5es, com a Universidade de Castilla &#8211; La Mancha e a Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Cear\u00e1, uma perspectiva de cria\u00e7\u00e3o em Fortaleza de um Instituto de Energia Renov\u00e1vel com a absor\u00e7\u00e3o de tecnologia que transforme os nossos ventos na riqueza t\u00e3o necess\u00e1ria para que n\u00e3o se percam como os sonhos mirabolantes de Dom Quixote.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nEscritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 26\/10\/2003.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3737","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3737","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3737"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3737\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3737"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3737"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3737"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}