{"id":3740,"date":"2023-12-21T09:10:53","date_gmt":"2023-12-21T12:10:53","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/maledicencias-e-desentendimentos\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:53","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:53","slug":"maledicencias-e-desentendimentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/maledicencias-e-desentendimentos\/","title":{"rendered":"MALEDIC\u00caNCIAS E DESENTENDIMENTOS"},"content":{"rendered":"<p>Uma pessoa reclama das leituras erradas que fazem do que fala e de como vive. Diz que \u00e9 incompreendida e que alguns, de boa ou m\u00e1-f\u00e9, resolveram espalhar inverdades a seu respeito. Lamenta que n\u00e3o a conhe\u00e7am na sua ess\u00eancia e fa\u00e7am coro a est\u00f3rias, sem ouvir a sua palavra. Reclama que alguns n\u00e3o a conhe\u00e7am como realmente \u00e9, desconhe\u00e7am as atitudes que toma em situa\u00e7\u00f5es emergenciais quando \u00e9 preciso ter bom senso, comandar, discernir e ajudar o pr\u00f3ximo.<br \/>\nPois \u00e9. O comum, e mais c\u00f4modo, \u00e9 as pessoas fazerem leituras erradas dos outros. Os sentimentos de empatia, simpatia e antipatia s\u00e3o muito pr\u00f3ximos, lim\u00edtrofes, e dependem sempre da hist\u00f3ria de vida, da ess\u00eancia, do olho e do ouvido do outro. N\u00f3s somos o que somos, mas os outros imaginam que somos o que pensam que somos. E a\u00ed \u00e9 que residem as grandes querelas entre gente que se amou, foi colega ou amiga. Um dia, rompem.<br \/>\nS\u00e3o fatos, atitudes, e boatos que minam as rela\u00e7\u00f5es de benqueren\u00e7a e amor. Chega um dia em que os arautos da maledic\u00eancia s\u00e3o os &#8216;vencedores&#8217;, por plantarem a disc\u00f3rdia, a desuni\u00e3o e at\u00e9 a separa\u00e7\u00e3o de pessoas que, mesmo cometendo erros, gostariam de ter algu\u00e9m que lhes trouxesse alento. Falta, nestas horas, um pacificador, algu\u00e9m leal \u00e0s partes envolvidas, sem tomar partido. Ao contr\u00e1rio, sobram os que p\u00f5em lenha na fogueira das fofocas, os que referendam leituras erradas, aqueles que trazem a &#8216;solidariedade&#8217; n\u00e3o pedida, fazendo eco \u00e0s tais maledic\u00eancias e desentendimentos. Os maledicentes depois voltam para as suas vidas, tristes, alegres ou indiferentes por terem insuflado o rompimento de colegas, familiares, casais ou amigos.Os rompidos ficam l\u00e1, em suas solid\u00f5es induzidas, quest\u00f5es a resolver, sem ter mais o apoio dos que lhes minaram a rela\u00e7\u00e3o e que, via de regra, j\u00e1 est\u00e3o atr\u00e1s de outras est\u00f3rias, fofocas e v\u00edtimas. Os &#8216;solid\u00e1rios&#8217; voltam, quando muito, como Pilatos no Credo, de m\u00e3os lavadas, sem a emo\u00e7\u00e3o e o comprometimento da coragem para dizer: reconsiderem, reexaminem, n\u00e3o foi bem assim e, se foi assim, desculpem ou perdoem.<br \/>\nCada um precisa encontrar a sua pr\u00f3pria resposta, sem medo de ceder e sem \u00f3dio. E n\u00e3o seria perda de tempo conhecer a letra traduzida da m\u00fasica \u00b4My Way\u00b4. Cada um tem o seu jeito, o seu modo de viver, reagir, amar e ser amigo. E o importante \u00e9 que o nosso jeito de ser possa, apesar dos pesares, aceitar o jeito de ser do outro. E vice-versa. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 07\/12\/2003.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma pessoa reclama das leituras erradas que fazem do que fala e de como vive. Diz que \u00e9 incompreendida e que alguns, de boa ou m\u00e1-f\u00e9, resolveram espalhar inverdades a seu respeito. Lamenta que n\u00e3o a conhe\u00e7am na sua ess\u00eancia e fa\u00e7am coro a est\u00f3rias, sem ouvir a sua palavra. Reclama que alguns n\u00e3o a conhe\u00e7am como realmente \u00e9, desconhe\u00e7am as atitudes que toma em situa\u00e7\u00f5es emergenciais quando \u00e9 preciso ter bom senso, comandar, discernir e ajudar o pr\u00f3ximo.<br \/>\nPois \u00e9. O comum, e mais c\u00f4modo, \u00e9 as pessoas fazerem leituras erradas dos outros. Os sentimentos de empatia, simpatia e antipatia s\u00e3o muito pr\u00f3ximos, lim\u00edtrofes, e dependem sempre da hist\u00f3ria de vida, da ess\u00eancia, do olho e do ouvido do outro. N\u00f3s somos o que somos, mas os outros imaginam que somos o que pensam que somos. E a\u00ed \u00e9 que residem as grandes querelas entre gente que se amou, foi colega ou amiga. Um dia, rompem.<br \/>\nS\u00e3o fatos, atitudes, e boatos que minam as rela\u00e7\u00f5es de benqueren\u00e7a e amor. Chega um dia em que os arautos da maledic\u00eancia s\u00e3o os &#8216;vencedores&#8217;, por plantarem a disc\u00f3rdia, a desuni\u00e3o e at\u00e9 a separa\u00e7\u00e3o de pessoas que, mesmo cometendo erros, gostariam de ter algu\u00e9m que lhes trouxesse alento. Falta, nestas horas, um pacificador, algu\u00e9m leal \u00e0s partes envolvidas, sem tomar partido. Ao contr\u00e1rio, sobram os que p\u00f5em lenha na fogueira das fofocas, os que referendam leituras erradas, aqueles que trazem a &#8216;solidariedade&#8217; n\u00e3o pedida, fazendo eco \u00e0s tais maledic\u00eancias e desentendimentos. Os maledicentes depois voltam para as suas vidas, tristes, alegres ou indiferentes por terem insuflado o rompimento de colegas, familiares, casais ou amigos.Os rompidos ficam l\u00e1, em suas solid\u00f5es induzidas, quest\u00f5es a resolver, sem ter mais o apoio dos que lhes minaram a rela\u00e7\u00e3o e que, via de regra, j\u00e1 est\u00e3o atr\u00e1s de outras est\u00f3rias, fofocas e v\u00edtimas. Os &#8216;solid\u00e1rios&#8217; voltam, quando muito, como Pilatos no Credo, de m\u00e3os lavadas, sem a emo\u00e7\u00e3o e o comprometimento da coragem para dizer: reconsiderem, reexaminem, n\u00e3o foi bem assim e, se foi assim, desculpem ou perdoem.<br \/>\nCada um precisa encontrar a sua pr\u00f3pria resposta, sem medo de ceder e sem \u00f3dio. 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E vice-versa. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 07\/12\/2003.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3740","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3740","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3740"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3740\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3740"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3740"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3740"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}