{"id":3741,"date":"2023-12-21T09:10:53","date_gmt":"2023-12-21T12:10:53","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/se-e-natal-por-que-ler\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:53","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:53","slug":"se-e-natal-por-que-ler","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/se-e-natal-por-que-ler\/","title":{"rendered":"SE \u00c9 NATAL, POR QU\u00ca LER?"},"content":{"rendered":"<p>Neste domingo, voc\u00ea escolheu, entre tantas op\u00e7\u00f5es, ler esta cr\u00f4nica. Obrigado. V\u00e1 juntando as palavras e frases e veja se elas fazem sentido para voc\u00ea. Uma cr\u00f4nica \u00e9 um relato simples, uma mistura da intui\u00e7\u00e3o de quem escreve e a sua oportunidade de falar do cotidiano. Hoje, o mote \u00e9 dizer do Natal que a\u00ed est\u00e1. Um natal sem fome, pregam uns. Um natal de paz, oram outros. Um natal sem injusti\u00e7as, pedem todos. Um natal de amor, enfim. Mas, poucos se d\u00e3o conta de que o Natal \u00e9 uma etapa, o nascimento, a d\u00e9livrance, a expuls\u00e3o de um feto que deixa o \u00fatero ap\u00f3s meses de gesta\u00e7\u00e3o e, para viver, chora.<br \/>\nAssim \u00e9 o ensinamento deste Natal, mesmo que a nossa f\u00e9 seja interesseira, a solidariedade seja falsa e amor se esfume na primeira intriga. De repente, n\u00e3o importa a nossa hist\u00f3ria pessoal. Estamos todos, queiramos ou n\u00e3o, envolvidos na aura de um tempo que h\u00e1 de vir. Sempre foi assim e \u00e9 assim que deve ser, pois n\u00e3o importa o que somos, vale agora como estamos e o queremos vir a ser.<br \/>\nE como estamos? Estamos perplexos pela pouca prepara\u00e7\u00e3o de vida de cada um de n\u00f3s para esta festa, repetida todos os anos, como se fosse um aviso ou chamamento que, independente do que compramos ou comemos, d\u00e1 um sacolejo em nossas entranhas, tornando estranhas as mesquinharias a que todos estamos sujeitos. Esta festa \u00e9 uma esp\u00e9cie de incenso virtual inalado, a penetrar em nossa pequenez. A fuma\u00e7a perpassa, simbolicamente, os nossos chacras, sentimentos, a raz\u00e3o e as \u00e1reas de nossos corpos e mentes. Corpos e mentes talvez afetados por males reais ou imagin\u00e1rios, e sai&#8230; Sai, subindo o espa\u00e7o sideral e leva uma radiografia do que somos, temos e podemos nos transformar ainda.<br \/>\nPrecisamos reescrever novos roteiros pessoais, mesmo que isso nos custe caro e as incompreens\u00f5es surjam. N\u00e3o \u00e9 uma garfada segura que nos garante o alimento que necessitamos, mas o of\u00edcio de reescrever sempre o que precisamos e devemos, com os sinos da esperan\u00e7a que teimam em tocar dentro de n\u00f3s, por mais descrentes e indiferentes que estejamos.<br \/>\nVale o lugar comum: este \u00e9 um tempo m\u00e1gico, mas, paradoxalmente, temos de arremessar fora cartola, habilidades de m\u00e1gico e cartas marcadas. A magia de que se fala \u00e9 uma conjun\u00e7\u00e3o e voc\u00ea, despido de suas verdades e certezas, pode sair do abstrato de sua realidade atual e imprimir o sonho que nunca teve coragem de viver.<br \/>\nSe voc\u00ea chegou at\u00e9 aqui \u00e9 porque valeu a pena. Feliz Natal. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 21\/12\/2003.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste domingo, voc\u00ea escolheu, entre tantas op\u00e7\u00f5es, ler esta cr\u00f4nica. Obrigado. V\u00e1 juntando as palavras e frases e veja se elas fazem sentido para voc\u00ea. Uma cr\u00f4nica \u00e9 um relato simples, uma mistura da intui\u00e7\u00e3o de quem escreve e a sua oportunidade de falar do cotidiano. Hoje, o mote \u00e9 dizer do Natal que a\u00ed est\u00e1. Um natal sem fome, pregam uns. Um natal de paz, oram outros. Um natal sem injusti\u00e7as, pedem todos. Um natal de amor, enfim. Mas, poucos se d\u00e3o conta de que o Natal \u00e9 uma etapa, o nascimento, a d\u00e9livrance, a expuls\u00e3o de um feto que deixa o \u00fatero ap\u00f3s meses de gesta\u00e7\u00e3o e, para viver, chora.<br \/>\nAssim \u00e9 o ensinamento deste Natal, mesmo que a nossa f\u00e9 seja interesseira, a solidariedade seja falsa e amor se esfume na primeira intriga. De repente, n\u00e3o importa a nossa hist\u00f3ria pessoal. Estamos todos, queiramos ou n\u00e3o, envolvidos na aura de um tempo que h\u00e1 de vir. Sempre foi assim e \u00e9 assim que deve ser, pois n\u00e3o importa o que somos, vale agora como estamos e o queremos vir a ser.<br \/>\nE como estamos? Estamos perplexos pela pouca prepara\u00e7\u00e3o de vida de cada um de n\u00f3s para esta festa, repetida todos os anos, como se fosse um aviso ou chamamento que, independente do que compramos ou comemos, d\u00e1 um sacolejo em nossas entranhas, tornando estranhas as mesquinharias a que todos estamos sujeitos. Esta festa \u00e9 uma esp\u00e9cie de incenso virtual inalado, a penetrar em nossa pequenez. A fuma\u00e7a perpassa, simbolicamente, os nossos chacras, sentimentos, a raz\u00e3o e as \u00e1reas de nossos corpos e mentes. Corpos e mentes talvez afetados por males reais ou imagin\u00e1rios, e sai&#8230; Sai, subindo o espa\u00e7o sideral e leva uma radiografia do que somos, temos e podemos nos transformar ainda.<br \/>\nPrecisamos reescrever novos roteiros pessoais, mesmo que isso nos custe caro e as incompreens\u00f5es surjam. N\u00e3o \u00e9 uma garfada segura que nos garante o alimento que necessitamos, mas o of\u00edcio de reescrever sempre o que precisamos e devemos, com os sinos da esperan\u00e7a que teimam em tocar dentro de n\u00f3s, por mais descrentes e indiferentes que estejamos.<br \/>\nVale o lugar comum: este \u00e9 um tempo m\u00e1gico, mas, paradoxalmente, temos de arremessar fora cartola, habilidades de m\u00e1gico e cartas marcadas. A magia de que se fala \u00e9 uma conjun\u00e7\u00e3o e voc\u00ea, despido de suas verdades e certezas, pode sair do abstrato de sua realidade atual e imprimir o sonho que nunca teve coragem de viver.<br \/>\nSe voc\u00ea chegou at\u00e9 aqui \u00e9 porque valeu a pena. Feliz Natal. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 21\/12\/2003.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3741","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3741","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3741"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3741\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3741"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3741"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3741"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}