{"id":3752,"date":"2023-12-21T09:10:53","date_gmt":"2023-12-21T12:10:53","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/violencia-ao-vivo\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:53","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:53","slug":"violencia-ao-vivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/violencia-ao-vivo\/","title":{"rendered":"VIOL\u00caNCIA AO VIVO"},"content":{"rendered":"<p>Estava dirigindo meu carro em estreita rua da cidade, com ve\u00edculos estacionados em paralelo, enquanto um jovem, conduzindo uma pick-up preta incrementada, ia \u00e0 minha frente. De repente, freou bruscamente. J\u00e1 desceu de punhos cerrados e saiu batendo em dois homens, b\u00eabados e completamente fora da realidade, andavam abra\u00e7ados no meio da via, atrapalhando o j\u00e1 conturbado tr\u00e2nsito.<br \/>\nEm quest\u00e3o de segundos, vi um festival de pancadaria. O jovem motorista, de camiseta cavada e tatuado em um dos bra\u00e7os, sentiu-se incomodado com os b\u00eabados que, mais para l\u00e1 do que para c\u00e1, tiveram a aud\u00e1cia de, nos seus andares cambaleantes, encostarem-se na reluzente camioneta.<br \/>\nSentado estava, sentado fiquei a observar. At\u00f4nito, descobri que o vidro do para-brisa do meu carro parecia uma tela de cinema com um filme violento em vers\u00e3o local. A agress\u00e3o do jovem motorista n\u00e3o ficou s\u00f3 nas pancadas desferidas. Quando os dois b\u00eabados tentaram, de forma atabalhoada e at\u00e9 c\u00f4mica, reagir, como se tamb\u00e9m atletas fossem, o rapaz tatuado correu, abriu a porta de sua camioneta e de l\u00e1 retirou uma arma com a qual passou a amea\u00e7ar os \u201cperigosos\u201d b\u00eabados. Felizmente, n\u00e3o houve tiros, pois muita gente foi juntando at\u00e9 que apareceram uns pedindo calma e levando os b\u00eabados, j\u00e1 cheios de hematomas, para longe.<br \/>\nBuzinei, olhei para o agressor e, por gestos, falei que o seu carro \u2013 atravessado e de porta aberta &#8211; estava atrapalhando o tr\u00e2nsito. Olhou firme para mim e, talvez por minha calma, resolveu sair e me dar passagem. Tudo isso ocorreu nesta semana. Durou uns dez a quinze minutos, em pleno cair da noite na Rua dos Tabajaras, na Praia de Iracema, \u00e1rea tur\u00edstica da cidade.<br \/>\nN\u00e3o apareceu nenhum policial, civil ou militar, tampouco os guardas azuis da autarquia do Tr\u00e2nsito, a AMC. Alguns turistas estrangeiros, apreensivos, ficaram longe e olhavam desconfiados. Talvez imaginassem tamb\u00e9m estar assistindo uma filmagem com cenas de viol\u00eancia, mas n\u00e3o havia nenhuma c\u00e2mera em a\u00e7\u00e3o. Era apenas a realidade de mais um in\u00edcio de noite na Praia de Iracema, com seus pontos de venda de drogas, suas prostitutas nas esquinas e onde alguns bares s\u00e3o meros antros de pedofilia.<br \/>\nN\u00e3o adianta construir hot\u00e9is, planejar um monumental centro de feiras e conven\u00e7\u00f5es, se n\u00e3o se cuida do b\u00e1sico, a seguran\u00e7a p\u00fablica, sem a qual nada disso vale nada. Quem escapar da viol\u00eancia, ver\u00e1.<\/p>\n<p>CR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 07\/04\/2002.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estava dirigindo meu carro em estreita rua da cidade, com ve\u00edculos estacionados em paralelo, enquanto um jovem, conduzindo uma pick-up preta incrementada, ia \u00e0 minha frente. De repente, freou bruscamente. 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Quando os dois b\u00eabados tentaram, de forma atabalhoada e at\u00e9 c\u00f4mica, reagir, como se tamb\u00e9m atletas fossem, o rapaz tatuado correu, abriu a porta de sua camioneta e de l\u00e1 retirou uma arma com a qual passou a amea\u00e7ar os \u201cperigosos\u201d b\u00eabados. Felizmente, n\u00e3o houve tiros, pois muita gente foi juntando at\u00e9 que apareceram uns pedindo calma e levando os b\u00eabados, j\u00e1 cheios de hematomas, para longe.<br \/>\nBuzinei, olhei para o agressor e, por gestos, falei que o seu carro \u2013 atravessado e de porta aberta &#8211; estava atrapalhando o tr\u00e2nsito. Olhou firme para mim e, talvez por minha calma, resolveu sair e me dar passagem. Tudo isso ocorreu nesta semana. Durou uns dez a quinze minutos, em pleno cair da noite na Rua dos Tabajaras, na Praia de Iracema, \u00e1rea tur\u00edstica da cidade.<br \/>\nN\u00e3o apareceu nenhum policial, civil ou militar, tampouco os guardas azuis da autarquia do Tr\u00e2nsito, a AMC. 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