{"id":3758,"date":"2023-12-21T09:10:53","date_gmt":"2023-12-21T12:10:53","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/vinte-anos-sem-ele\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:53","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:53","slug":"vinte-anos-sem-ele","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/vinte-anos-sem-ele\/","title":{"rendered":"VINTE ANOS SEM ELE"},"content":{"rendered":"<p>Ontem fez 20 anos. Fortaleza amanheceu estarrecida com o acidente do avi\u00e3o da Vasp na serra de Pacatuba. Naquela oportunidade, publiquei, neste mesmo DN, o artigo que ora tomo a liberdade de reproduzir.<br \/>\n\u201c\u00c9 dif\u00edcil entender certas coisas. A morte, por exemplo. \u00c9 cruel admitir a nossa dimens\u00e3o diante dos fatos. Quem n\u00e3o est\u00e1 abalado e, guardadas as propor\u00e7\u00f5es, um pouco morto com o desastre de ontem?<br \/>\nSenti, com a minha incapacidade de mudar os fatos consumados o drama pungente de tantas fam\u00edlias hoje esfaceladas. \u00c9 triste reconhecer que a m\u00e3o do destino atingiu, de uma s\u00f3 vez, tantas pessoas que, na sua maioria, tinham o \u00fanico objetivo de trabalhar e produzir. Desse bin\u00f4mio, trabalho e produ\u00e7\u00e3o, fizeram sua cren\u00e7a e sobre ele montaram suas empresas, tais quais templos contra o subdesenvolvimento.<br \/>\nImagino a alegria dos que voltavam da Fenit, alguns pela primeira vez. Extasiados pelo sucesso do que produziram, jamais poderiam admitir que seus compromissos n\u00e3o iriam t\u00e3o longe. Desses jovens empres\u00e1rios, forjados na camaradagem e na disputa que, ao mesmo tempo, os unia e separava, fica a lembran\u00e7a de que, de forma espont\u00e2nea, estavam dando uma contribui\u00e7\u00e3o valiosa e decisiva para o futuro do Cear\u00e1.<br \/>\nCada um deles, na dimens\u00e3o de seu universo, estava se sentindo um Edson Queiroz e o destino trouxe exatamente esse mesmo Edson Queiroz para paraninf\u00e1-los em sua \u00faltima viagem.<br \/>\nSobre Edson Queiroz n\u00e3o se pode falar sem passionalidade, sem que se invoque tudo o que ele fez. O que dizer de um vitorioso? O que dizer de um obstinado? O que dizer de um l\u00edder? O que dizer de um fan\u00e1tico do progresso? O que dizer de um idealista pr\u00e1tico? Se \u00e9 que se pode ser idealista e pr\u00e1tico ao mesmo tempo.<br \/>\nDe nossa parte, fica a lembran\u00e7a de um homem quase sisudo, com risos largos quando descontra\u00eddo, um homem nervoso como todos os que t\u00eam uma dimens\u00e3o maior do universo e um trabalho com 10.000 companheiros que o tinham como comandante.<br \/>\nO engra\u00e7ado ou paradoxal \u00e9 que ele morreu como viveu: em um avi\u00e3o de classe econ\u00f4mica, aproveitando a noite para ter mais disponibilidade de tempo para o trabalho, voltando para a sua terra querida, em alta velocidade e, mesmo sem o querer, como a estrela maior desse acontecimento\u201d.<\/p>\n<p>CR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 09\/07\/2002.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ontem fez 20 anos. Fortaleza amanheceu estarrecida com o acidente do avi\u00e3o da Vasp na serra de Pacatuba. Naquela oportunidade, publiquei, neste mesmo DN, o artigo que ora tomo a liberdade de reproduzir.<br \/>\n\u201c\u00c9 dif\u00edcil entender certas coisas. A morte, por exemplo. \u00c9 cruel admitir a nossa dimens\u00e3o diante dos fatos. Quem n\u00e3o est\u00e1 abalado e, guardadas as propor\u00e7\u00f5es, um pouco morto com o desastre de ontem?<br \/>\nSenti, com a minha incapacidade de mudar os fatos consumados o drama pungente de tantas fam\u00edlias hoje esfaceladas. \u00c9 triste reconhecer que a m\u00e3o do destino atingiu, de uma s\u00f3 vez, tantas pessoas que, na sua maioria, tinham o \u00fanico objetivo de trabalhar e produzir. Desse bin\u00f4mio, trabalho e produ\u00e7\u00e3o, fizeram sua cren\u00e7a e sobre ele montaram suas empresas, tais quais templos contra o subdesenvolvimento.<br \/>\nImagino a alegria dos que voltavam da Fenit, alguns pela primeira vez. Extasiados pelo sucesso do que produziram, jamais poderiam admitir que seus compromissos n\u00e3o iriam t\u00e3o longe. Desses jovens empres\u00e1rios, forjados na camaradagem e na disputa que, ao mesmo tempo, os unia e separava, fica a lembran\u00e7a de que, de forma espont\u00e2nea, estavam dando uma contribui\u00e7\u00e3o valiosa e decisiva para o futuro do Cear\u00e1.<br \/>\nCada um deles, na dimens\u00e3o de seu universo, estava se sentindo um Edson Queiroz e o destino trouxe exatamente esse mesmo Edson Queiroz para paraninf\u00e1-los em sua \u00faltima viagem.<br \/>\nSobre Edson Queiroz n\u00e3o se pode falar sem passionalidade, sem que se invoque tudo o que ele fez. O que dizer de um vitorioso? O que dizer de um obstinado? O que dizer de um l\u00edder? O que dizer de um fan\u00e1tico do progresso? O que dizer de um idealista pr\u00e1tico? Se \u00e9 que se pode ser idealista e pr\u00e1tico ao mesmo tempo.<br \/>\nDe nossa parte, fica a lembran\u00e7a de um homem quase sisudo, com risos largos quando descontra\u00eddo, um homem nervoso como todos os que t\u00eam uma dimens\u00e3o maior do universo e um trabalho com 10.000 companheiros que o tinham como comandante.<br \/>\nO engra\u00e7ado ou paradoxal \u00e9 que ele morreu como viveu: em um avi\u00e3o de classe econ\u00f4mica, aproveitando a noite para ter mais disponibilidade de tempo para o trabalho, voltando para a sua terra querida, em alta velocidade e, mesmo sem o querer, como a estrela maior desse acontecimento\u201d.<\/p>\n<p>CR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 09\/07\/2002.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3758","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3758","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3758"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3758\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3758"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3758"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3758"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}