{"id":3795,"date":"2023-12-21T09:10:54","date_gmt":"2023-12-21T12:10:54","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/o-brazuca-e-o-ano-novo\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:54","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:54","slug":"o-brazuca-e-o-ano-novo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/o-brazuca-e-o-ano-novo\/","title":{"rendered":"O BRAZUCA E O ANO NOVO"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 muita informa\u00e7\u00e3o no mundo e as not\u00edcias \u2013 ou fofocas \u2013 correm c\u00e9leres. Quando n\u00e3o saem nas televis\u00f5es e jornais locais ou nacionais, os de fora mostram sem d\u00f3, nem piedade. Acho que foi por tal raz\u00e3o que, de repente, um brazuca me liga e pergunta se n\u00e3o soube da hist\u00f3ria do FHC no Forte de Copacabana, no Posto Seis no Rio de Janeiro.<br \/>\nSegundo ele, auto banido do Brasil, a festa a que o nosso presidente compareceu parecia um\u201d baile da Ilha Fiscal\u201d com tendas, champanha francesa, u\u00edsque escoc\u00eas, vinhos de v\u00e1rias origens, acepipes e iguarias de todas as esp\u00e9cies.<br \/>\nHavia castas: 100 muitos amigos, 200 menos amigos e 200 militares, em espa\u00e7os separados. Pois n\u00e3o foi que o vento moleque de Copacabana resolveu acabar com a festa, derrubar tendas, apagar a luz e colocar em alerta os seguran\u00e7as que fizeram o que sabem: dar pancada em fot\u00f3grafos e jornalistas.<br \/>\nA grande imprensa n\u00e3o deu detalhes, mas n\u00e3o teve como esconder tudo. A coisa esteve feia e o nosso presidente viu o ano nascer no escuro, cercado por seguran\u00e7as, sem telefone funcionando (o que \u00e9 paradoxal) e ouvindo a trucul\u00eancia a poucos metros. E o que \u00e9 pior \u00e9 que tudo era pago pela Embratel, uma empresa nossa que virou transnacional. Nos Estados Unidos seria caso de cadeia, bradava ele. E desligou a liga\u00e7\u00e3o.<br \/>\nSei que o nosso brazuca, ou brasileiro desterrado, pode ter complexos, arengas pessoais ou exagerado, mas j\u00e1 \u00e9 tempo dos que s\u00e3o empregados por n\u00f3s para dirigir a coisa p\u00fablica, por tempo determinado, come\u00e7arem a pensar e agir de outra forma. Afinal, empregado tem que prestar contas do que faz, sob pena de perder o emprego.<br \/>\nNeste ano dos tr\u00eas zeros \u00e9 tempo de reflex\u00e3o para que, nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es, os zeros passem a ser nota. Os brasileiros j\u00e1 est\u00e3o recuperando a sua mem\u00f3ria e, por certo, saber\u00e3o exercit\u00e1-la no pr\u00f3ximo pleito municipal e, em 2002, escolher\u00e3o deputados, senadores, governadores e um presidente que tenham compromissos com os novos tempos que est\u00e3o surgindo e uma postura p\u00fablica mais coerente com a nossa realidade.<\/p>\n<p> Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\n escritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 09\/01\/2000.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 muita informa\u00e7\u00e3o no mundo e as not\u00edcias \u2013 ou fofocas \u2013 correm c\u00e9leres. Quando n\u00e3o saem nas televis\u00f5es e jornais locais ou nacionais, os de fora mostram sem d\u00f3, nem piedade. Acho que foi por tal raz\u00e3o que, de repente, um brazuca me liga e pergunta se n\u00e3o soube da hist\u00f3ria do FHC no Forte de Copacabana, no Posto Seis no Rio de Janeiro.<br \/>\nSegundo ele, auto banido do Brasil, a festa a que o nosso presidente compareceu parecia um\u201d baile da Ilha Fiscal\u201d com tendas, champanha francesa, u\u00edsque escoc\u00eas, vinhos de v\u00e1rias origens, acepipes e iguarias de todas as esp\u00e9cies.<br \/>\nHavia castas: 100 muitos amigos, 200 menos amigos e 200 militares, em espa\u00e7os separados. Pois n\u00e3o foi que o vento moleque de Copacabana resolveu acabar com a festa, derrubar tendas, apagar a luz e colocar em alerta os seguran\u00e7as que fizeram o que sabem: dar pancada em fot\u00f3grafos e jornalistas.<br \/>\nA grande imprensa n\u00e3o deu detalhes, mas n\u00e3o teve como esconder tudo. A coisa esteve feia e o nosso presidente viu o ano nascer no escuro, cercado por seguran\u00e7as, sem telefone funcionando (o que \u00e9 paradoxal) e ouvindo a trucul\u00eancia a poucos metros. E o que \u00e9 pior \u00e9 que tudo era pago pela Embratel, uma empresa nossa que virou transnacional. Nos Estados Unidos seria caso de cadeia, bradava ele. E desligou a liga\u00e7\u00e3o.<br \/>\nSei que o nosso brazuca, ou brasileiro desterrado, pode ter complexos, arengas pessoais ou exagerado, mas j\u00e1 \u00e9 tempo dos que s\u00e3o empregados por n\u00f3s para dirigir a coisa p\u00fablica, por tempo determinado, come\u00e7arem a pensar e agir de outra forma. Afinal, empregado tem que prestar contas do que faz, sob pena de perder o emprego.<br \/>\nNeste ano dos tr\u00eas zeros \u00e9 tempo de reflex\u00e3o para que, nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es, os zeros passem a ser nota. Os brasileiros j\u00e1 est\u00e3o recuperando a sua mem\u00f3ria e, por certo, saber\u00e3o exercit\u00e1-la no pr\u00f3ximo pleito municipal e, em 2002, escolher\u00e3o deputados, senadores, governadores e um presidente que tenham compromissos com os novos tempos que est\u00e3o surgindo e uma postura p\u00fablica mais coerente com a nossa realidade.<\/p>\n<p> Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\n escritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 09\/01\/2000.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3795","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3795","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3795"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3795\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3795"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3795"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3795"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}