{"id":3844,"date":"2023-12-21T09:10:55","date_gmt":"2023-12-21T12:10:55","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/reflexoes-de-fim-de-seculo\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:55","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:55","slug":"reflexoes-de-fim-de-seculo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/reflexoes-de-fim-de-seculo\/","title":{"rendered":"REFLEX\u00d5ES DE FIM DE S\u00c9CULO"},"content":{"rendered":"<p>Pois n\u00e3o \u00e9 que os tais de fim de ano, de d\u00e9cada, de s\u00e9culo e de mil\u00eanio v\u00e3o nos levando, mesmo sem querer, a fazer reflex\u00f5es?<br \/>\nA primeira delas \u00e9: o que andamos fazendo neste mundo de meu Deus? Como nos livrar dos que roubam o nosso tempo e, paradoxalmente, cuidar dos dias e horas em que n\u00e3o fazemos nada, s\u00f3s ou acompanhados, desperdi\u00e7ando-os?<br \/>\nEste foi o s\u00e9culo da ci\u00eancia e da tecnologia, dos equipamentos criados para destruir (bomba at\u00f4mica, gases tipo napalm, m\u00edsseis e outros) e facilitar as nossas vidas. No ano 1900 n\u00e3o t\u00ednhamos quase nada do que utilizamos hoje. O que nos foi agregado em mat\u00e9ria de felicidade ou, para ser p\u00f3s-moderno, de qualidade de vida?<br \/>\nCom a geladeira, o cinema falado e colorido, as m\u00e1quinas de lavar e secar, a televis\u00e3o, o v\u00eddeo cassete, o ar condicionado, o fax, o telefone celular, o computador, o carro com airbags e freios Abs, o avi\u00e3o a jato, o micro-ondas, o cart\u00e3o de cr\u00e9dito, as comidas congeladas etc. ficamos mais felizes ou mais neur\u00f3ticos?<br \/>\nNossos desejos de consumo foram ficando sem limites e isso nos levou a qu\u00ea? Para que isso tudo foi feito? Por coincid\u00eancia, ouvi ontem em uma emissora de r\u00e1dio que a m\u00e9dia de tentativas de suic\u00eddio nesta cidade de 2 milh\u00f5es de habitantes \u00e9 de dez por dia ou 3650 por ano. Dos que tentam, dez por cento conseguem.<br \/>\nA m\u00eddia nos impele a ficar por dentro de tudo, sabendo de tudo e desfrutar o que est\u00e1 acontecendo. Mas j\u00e1 se sabe que a maioria das pessoas s\u00f3 utiliza em torno de cinco por cento do que lhe \u00e9 oferecido, em todos os sentidos. Falamos em bem-estar, lazer, afetividade, desejos, amizade, ecologia, cuidar do corpo, mas realmente estamos comprometidos com isso? As pessoas parecem estar fugindo dos outros e de si mesmas, em nome do qu\u00ea?<br \/>\nEste tamb\u00e9m foi o s\u00e9culo da penicilina, valium, prozac, gardenal, anticoncepcional, isordil, enfim, de tantos rem\u00e9dios feitos para prevenir, melhorar ou curar, mas as doen\u00e7as se renovaram, os v\u00edrus se multiplicaram, as bact\u00e9rias est\u00e3o aqui e ai e a ci\u00eancia de tantas universidades e laborat\u00f3rios n\u00e3o sabe o que fazer com muitos tipos de canceres e ainda parece estar longe a cura da Aids que j\u00e1 afeta 36 milh\u00f5es de pessoas, isto sem falar na fome end\u00eamica da \u00c1frica, enquanto alimentos s\u00e3o desperdi\u00e7ados nos pa\u00edses do Primeiro Mundo.<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 cat\u00e1strofe, nem pessimismo, mas n\u00e3o podemos viver em um mundo do faz de conta. H\u00e1, por outro lado, muita coisa boa acontecendo e a realidade s\u00f3 pode ser mudada com a\u00e7\u00e3o e n\u00e3o com avestruzes. V\u00e1 fazendo a sua parte, pare de conversa mole e mude voc\u00ea o que achar que est\u00e1 errado. Pare de dar valor a coisas, pessoas e institui\u00e7\u00f5es sem sentido. S\u00f3 a partir da sua pr\u00f3pria conscientiza\u00e7\u00e3o, as coisas, as pessoas e as institui\u00e7\u00f5es poder\u00e3o ir mudando. Leva tempo, mas precisa come\u00e7ar a ser feito. Agora \u00e9 hora.<br \/>\nO que estamos refletindo \u00e9 o que vivemos neste instante. Amanh\u00e3 poderemos pensar diferente, mas j\u00e1 \u00e9 um caminho. Voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 obrigado a concordar conosco, mas \u00e9 ruim n\u00e3o pensar, esperar por governo, pol\u00edticos e acreditar em promessas. Duvide e aja. Rememore Einstein: \u201cUma coisa s\u00f3 \u00e9 imposs\u00edvel at\u00e9 que algu\u00e9m duvida e acaba provando o contr\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 17\/12\/2000.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pois n\u00e3o \u00e9 que os tais de fim de ano, de d\u00e9cada, de s\u00e9culo e de mil\u00eanio v\u00e3o nos levando, mesmo sem querer, a fazer reflex\u00f5es?<br \/>\nA primeira delas \u00e9: o que andamos fazendo neste mundo de meu Deus? Como nos livrar dos que roubam o nosso tempo e, paradoxalmente, cuidar dos dias e horas em que n\u00e3o fazemos nada, s\u00f3s ou acompanhados, desperdi\u00e7ando-os?<br \/>\nEste foi o s\u00e9culo da ci\u00eancia e da tecnologia, dos equipamentos criados para destruir (bomba at\u00f4mica, gases tipo napalm, m\u00edsseis e outros) e facilitar as nossas vidas. No ano 1900 n\u00e3o t\u00ednhamos quase nada do que utilizamos hoje. O que nos foi agregado em mat\u00e9ria de felicidade ou, para ser p\u00f3s-moderno, de qualidade de vida?<br \/>\nCom a geladeira, o cinema falado e colorido, as m\u00e1quinas de lavar e secar, a televis\u00e3o, o v\u00eddeo cassete, o ar condicionado, o fax, o telefone celular, o computador, o carro com airbags e freios Abs, o avi\u00e3o a jato, o micro-ondas, o cart\u00e3o de cr\u00e9dito, as comidas congeladas etc. ficamos mais felizes ou mais neur\u00f3ticos?<br \/>\nNossos desejos de consumo foram ficando sem limites e isso nos levou a qu\u00ea? Para que isso tudo foi feito? Por coincid\u00eancia, ouvi ontem em uma emissora de r\u00e1dio que a m\u00e9dia de tentativas de suic\u00eddio nesta cidade de 2 milh\u00f5es de habitantes \u00e9 de dez por dia ou 3650 por ano. Dos que tentam, dez por cento conseguem.<br \/>\nA m\u00eddia nos impele a ficar por dentro de tudo, sabendo de tudo e desfrutar o que est\u00e1 acontecendo. Mas j\u00e1 se sabe que a maioria das pessoas s\u00f3 utiliza em torno de cinco por cento do que lhe \u00e9 oferecido, em todos os sentidos. Falamos em bem-estar, lazer, afetividade, desejos, amizade, ecologia, cuidar do corpo, mas realmente estamos comprometidos com isso? As pessoas parecem estar fugindo dos outros e de si mesmas, em nome do qu\u00ea?<br \/>\nEste tamb\u00e9m foi o s\u00e9culo da penicilina, valium, prozac, gardenal, anticoncepcional, isordil, enfim, de tantos rem\u00e9dios feitos para prevenir, melhorar ou curar, mas as doen\u00e7as se renovaram, os v\u00edrus se multiplicaram, as bact\u00e9rias est\u00e3o aqui e ai e a ci\u00eancia de tantas universidades e laborat\u00f3rios n\u00e3o sabe o que fazer com muitos tipos de canceres e ainda parece estar longe a cura da Aids que j\u00e1 afeta 36 milh\u00f5es de pessoas, isto sem falar na fome end\u00eamica da \u00c1frica, enquanto alimentos s\u00e3o desperdi\u00e7ados nos pa\u00edses do Primeiro Mundo.<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 cat\u00e1strofe, nem pessimismo, mas n\u00e3o podemos viver em um mundo do faz de conta. H\u00e1, por outro lado, muita coisa boa acontecendo e a realidade s\u00f3 pode ser mudada com a\u00e7\u00e3o e n\u00e3o com avestruzes. V\u00e1 fazendo a sua parte, pare de conversa mole e mude voc\u00ea o que achar que est\u00e1 errado. Pare de dar valor a coisas, pessoas e institui\u00e7\u00f5es sem sentido. S\u00f3 a partir da sua pr\u00f3pria conscientiza\u00e7\u00e3o, as coisas, as pessoas e as institui\u00e7\u00f5es poder\u00e3o ir mudando. Leva tempo, mas precisa come\u00e7ar a ser feito. Agora \u00e9 hora.<br \/>\nO que estamos refletindo \u00e9 o que vivemos neste instante. Amanh\u00e3 poderemos pensar diferente, mas j\u00e1 \u00e9 um caminho. Voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 obrigado a concordar conosco, mas \u00e9 ruim n\u00e3o pensar, esperar por governo, pol\u00edticos e acreditar em promessas. Duvide e aja. Rememore Einstein: \u201cUma coisa s\u00f3 \u00e9 imposs\u00edvel at\u00e9 que algu\u00e9m duvida e acaba provando o contr\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 17\/12\/2000.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3844","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3844","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3844"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3844\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3844"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3844"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3844"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}