{"id":3848,"date":"2023-12-21T09:10:55","date_gmt":"2023-12-21T12:10:55","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/os-nossos-mapas\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:55","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:55","slug":"os-nossos-mapas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/os-nossos-mapas\/","title":{"rendered":"OS NOSSOS MAPAS"},"content":{"rendered":"<p>O ano terminou, morreu. Outro ano nasceu e tamb\u00e9m morrer\u00e1. Os anos tem ciclos definidos e s\u00f3 podem fazer bem ou mal durante certo tempo. Por exemplo, este ano que terminou, ou morreu, s\u00f3 serve agora para a hist\u00f3ria e as est\u00f3rias que dele se contar\u00e3o. Quando muito, ficar\u00e1 na mem\u00f3ria das pessoas, pelo que representou em suas vidas.<br \/>\nAs pessoas s\u00e3o diferentes. No in\u00edcio de cada ano e, dizem, nos anivers\u00e1rios, recebem uma carga de energia transformadora, quando parece eclodir uma esp\u00e9cie de dil\u00favio interior que as compele a colocar em suas arcas o que vale a pena escapar. Esse dil\u00favio, esse cataclisma, \u00e9 um processo a que todos somos obrigados a passar. Seria, talvez, o que se diz em psicologia: um rito de passagem. \u00c9 como se receb\u00eassemos um aviso do eu profundo, dizendo: explore seus sentimentos e reformule sua maneira de encarar as pessoas e a vida e a\u00ed voc\u00ea encontrar\u00e1 suas pr\u00f3prias respostas. N\u00f3s podemos ter todas as respostas. Muitas vezes n\u00e3o queremos ou sabemos fazer as perguntas certas.<br \/>\nNo ano iniciante (e no dia do anivers\u00e1rio, v\u00e1 l\u00e1) o espelho n\u00e3o deve s\u00f3 refletir a nossa face, mas, se mudarmos o paradigma e encararmos a possibilidade de, ao mesmo tempo, sermos respons\u00e1veis e livres, poderemos ter consci\u00eancia de que a nossa vida tem sentido.<br \/>\nOs nossos paradigmas s\u00e3o, em suma, a maneira como vemos e encaramos o mundo e as pessoas. Imaginemos, por exemplo, que desejamos conhecer Paris com um mapa que nos deram. Na impress\u00e3o do mapa, aparentemente certo, tem o nome Paris, s\u00f3 que a cidade \u00e9 outra, por um erro gr\u00e1fico. N\u00e3o vai adiantar procurar o Louvre, a Notre Dame e o Boulevard Saint Michel, pelo simples fato do mapa n\u00e3o ter nada disso, apesar do nome Paris l\u00e1 em cima. Logo, \u00e9 preciso descobrir se o mapa est\u00e1 certo e, se for o caso, trocar de mapa. \u00c0s vezes, o que parece, n\u00e3o \u00e9, apesar do escrito.<br \/>\nNas nossas cabe\u00e7as, como diz Stephen Covey, escritor americano, n\u00f3s temos muitos mapas. Os mapas podem ser de dois tipos: mapas de como as coisas s\u00e3o, ou a pr\u00f3pria realidade (mapas reais) e mapas de como as coisas deveriam ser, segundo os nossos valores pessoais (mapas imaginados).<br \/>\nCada um faz sua vida a partir desses mapas. Raramente procuramos descobrir se o mapa est\u00e1 certo e, \u00e0s vezes, usamos os errados sem perceber. Quem usa o mapa errado n\u00e3o chega a lugar nenhum ou, quando muito, ao lugar para onde n\u00e3o queria ir.<br \/>\nAl\u00e9m de tudo isso, \u00e9 preciso saber o que queremos quando estamos com o mapa certo nas m\u00e3os. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a mera posse do mapa que nos far\u00e1 encontrar os caminhos. \u00c9 preciso saber ler e entender as estradas e as mudan\u00e7as que ocorrem nos mapas reais. Muitas vezes, chegamos a determinado lugar que sonh\u00e1vamos e exclamamos: era isso?<br \/>\nAssim \u00e9 a vida. Os mapas s\u00e3o cartas que precisam ser atualizadas em fun\u00e7\u00e3o da realidade, dos nossos desejos, do nosso crescimento e das pr\u00f3prias mudan\u00e7as da vida e do mundo que somos obrigados a absorver.<br \/>\nResumo da hist\u00f3ria dos mapas: A maneira como vemos o mundo e as coisas s\u00e3o a fonte do nosso pensar e agir. Duas pessoas podem ver uma mesma coisa de uma forma diferente e ambas terem raz\u00e3o. Isto n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o l\u00f3gica, mas psicol\u00f3gica. \u00c9 c\u00e9lebre o desenho em que uns veem uma mo\u00e7a jovem e outros, de olhar mais acurado, descobrem uma velha de nariz adunco. Quest\u00e3o de ponto-de-vista.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 10\/01\/1999.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ano terminou, morreu. Outro ano nasceu e tamb\u00e9m morrer\u00e1. Os anos tem ciclos definidos e s\u00f3 podem fazer bem ou mal durante certo tempo. Por exemplo, este ano que terminou, ou morreu, s\u00f3 serve agora para a hist\u00f3ria e as est\u00f3rias que dele se contar\u00e3o. Quando muito, ficar\u00e1 na mem\u00f3ria das pessoas, pelo que representou em suas vidas.<br \/>\nAs pessoas s\u00e3o diferentes. No in\u00edcio de cada ano e, dizem, nos anivers\u00e1rios, recebem uma carga de energia transformadora, quando parece eclodir uma esp\u00e9cie de dil\u00favio interior que as compele a colocar em suas arcas o que vale a pena escapar. Esse dil\u00favio, esse cataclisma, \u00e9 um processo a que todos somos obrigados a passar. Seria, talvez, o que se diz em psicologia: um rito de passagem. \u00c9 como se receb\u00eassemos um aviso do eu profundo, dizendo: explore seus sentimentos e reformule sua maneira de encarar as pessoas e a vida e a\u00ed voc\u00ea encontrar\u00e1 suas pr\u00f3prias respostas. N\u00f3s podemos ter todas as respostas. Muitas vezes n\u00e3o queremos ou sabemos fazer as perguntas certas.<br \/>\nNo ano iniciante (e no dia do anivers\u00e1rio, v\u00e1 l\u00e1) o espelho n\u00e3o deve s\u00f3 refletir a nossa face, mas, se mudarmos o paradigma e encararmos a possibilidade de, ao mesmo tempo, sermos respons\u00e1veis e livres, poderemos ter consci\u00eancia de que a nossa vida tem sentido.<br \/>\nOs nossos paradigmas s\u00e3o, em suma, a maneira como vemos e encaramos o mundo e as pessoas. Imaginemos, por exemplo, que desejamos conhecer Paris com um mapa que nos deram. 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Quest\u00e3o de ponto-de-vista.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 10\/01\/1999.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3848","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3848","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3848"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3848\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3848"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3848"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3848"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}