{"id":3854,"date":"2023-12-21T09:10:56","date_gmt":"2023-12-21T12:10:56","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/clinton-e-a-infidelidade\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:56","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:56","slug":"clinton-e-a-infidelidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/clinton-e-a-infidelidade\/","title":{"rendered":"CLINTON E A INFIDELIDADE"},"content":{"rendered":"<p>Steven Pinker, cientista, 44 anos, casado, \u00e9 diretor do centro de Neuroci\u00eancia Cognitiva do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o famoso MIT. Pois bem, o Dr. Pinker assegura (Veja, 13.01.99) que o \u201ccomportamento \u00e9 resultado de um conflito entre os nossos m\u00f3dulos mentais\u201d. Ainda segundo ele, os homens s\u00e3o mais infi\u00e9is n\u00e3o porque desejam, mas por serem vol\u00faveis. Diz ele: \u201cQuando uma mulher \u00e9 infiel, normalmente \u00e9 porque seu parceiro ocasional \u00e9 sexualmente mais desej\u00e1vel que o habitual. No caso masculino, a infidelidade ocorre apenas porque uma parceira \u00e9 diferente da outra. Os homens buscam muitas parceiras pelo prazer de t\u00ea-las\u201d. Fica claro, na teoria do Dr. Pinker que a volubilidade masculina independe de sua vontade?<br \/>\nSegundo algumas teorias cient\u00edficas ainda n\u00e3o comprovadas, seria uma quest\u00e3o de falha no DNA masculino, um problema em seu c\u00f3digo gen\u00e9tico. Seriam esses cientistas apenas homens procurando uma desculpa para seus comportamentos?<br \/>\nTomemos, por exemplo, a figura de Bill Clinton. Monica Lewinsky n\u00e3o foi a sua primeira encrenca, foi a mais recente e que lhe causou mais confus\u00e3o. Antes houve Gennifer Flowers e Paula Jones. A posi\u00e7\u00e3o de Clinton e os casos revelados de Flowers e Jones deveriam ter acautelado a sua libido. Apesar disso, correndo todos os riscos, Clinton se meteu com Monica. Isso comprovaria a teorias de Pinker ou da falha no DNA masculino?<br \/>\nAdam Phillips, um m\u00e9dico psicanalista ingl\u00eas, escreveu recentemente um livro chamado \u201cMonogamia\u201d. Nesse livro, Phillips, usa a estrat\u00e9gia dos aforismos, talvez para tornar a leitura mais amena e passar suas mensagens de forma pontual. O primeiro deles: \u201cNem todo mundo acredita na monogamia, mas todos vivem como se acreditassem. Todos t\u00eam consci\u00eancia de estar mentindo ou querendo dizer a verdade quando est\u00e3o em jogo a lealdade ou a fidelidade. Todos sentem ci\u00fames ou se sentem culpados, e sofrem a ang\u00fastia de suas prefer\u00eancias&#8230; Noutras palavras, acreditar na monogamia n\u00e3o \u00e9 diferente de acreditar em Deus\u201d.<br \/>\nSeria ent\u00e3o a fidelidade (ou a infidelidade) uma quest\u00e3o de f\u00e9? E a\u00ed a palavra f\u00e9 vem mesmo a calhar. O que \u00e9 mesmo ser fiel? Ou o contr\u00e1rio disso, o que \u00e9 ser infiel? Seria apenas uma quest\u00e3o de natureza sexual? Ou, considerando a capacidade do ser humano de pensar e sonhar, envolveria quest\u00f5es subjetivas em que os corpos n\u00e3o s\u00e3o necessariamente envolvidos? O \u201cflirt\u201d \u00e9 infidelidade? Amizades secretas sem a consuma\u00e7\u00e3o do sexo s\u00e3o infidelidades? \u201cDesejar a mulher- ou o homem \u2013 do (a) pr\u00f3ximo(a)\u201d \u00e9 infidelidade? As pessoas que n\u00e3o traem com medo de perder o \u201cstatus\u201d s\u00e3o fi\u00e9is?<br \/>\nPor outro lado, ser fiel envolveria a perda da liberdade? Todos querem ter liberdade. Poucos admitem que o(a) parceiro(a) tamb\u00e9m anseia por liberdade? A maioria das pessoas acredita que seus relacionamentos duradouros n\u00e3o s\u00e3o satisfat\u00f3rios e isso alimentaria o desejo de descobrir algo novo, que quebre a monotonia de suas vidas. Esse desejo, essa busca de liberdade, seria um embri\u00e3o da infidelidade ou a mera constata\u00e7\u00e3o de sua individualidade independente do outro?<br \/>\nEstas quest\u00f5es n\u00e3o tem respostas prontas. As respostas afloram no cotidiano das pessoas e o mais \u00f3bvio \u2013 e pouco considerado \u2013 \u00e9 que estamos constantemente mudando, com o(a) outro(a) ou apesar do(a) outro(a).<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 21\/02\/1999.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Steven Pinker, cientista, 44 anos, casado, \u00e9 diretor do centro de Neuroci\u00eancia Cognitiva do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o famoso MIT. Pois bem, o Dr. Pinker assegura (Veja, 13.01.99) que o \u201ccomportamento \u00e9 resultado de um conflito entre os nossos m\u00f3dulos mentais\u201d. Ainda segundo ele, os homens s\u00e3o mais infi\u00e9is n\u00e3o porque desejam, mas por serem vol\u00faveis. Diz ele: \u201cQuando uma mulher \u00e9 infiel, normalmente \u00e9 porque seu parceiro ocasional \u00e9 sexualmente mais desej\u00e1vel que o habitual. No caso masculino, a infidelidade ocorre apenas porque uma parceira \u00e9 diferente da outra. Os homens buscam muitas parceiras pelo prazer de t\u00ea-las\u201d. Fica claro, na teoria do Dr. Pinker que a volubilidade masculina independe de sua vontade?<br \/>\nSegundo algumas teorias cient\u00edficas ainda n\u00e3o comprovadas, seria uma quest\u00e3o de falha no DNA masculino, um problema em seu c\u00f3digo gen\u00e9tico. Seriam esses cientistas apenas homens procurando uma desculpa para seus comportamentos?<br \/>\nTomemos, por exemplo, a figura de Bill Clinton. Monica Lewinsky n\u00e3o foi a sua primeira encrenca, foi a mais recente e que lhe causou mais confus\u00e3o. Antes houve Gennifer Flowers e Paula Jones. A posi\u00e7\u00e3o de Clinton e os casos revelados de Flowers e Jones deveriam ter acautelado a sua libido. Apesar disso, correndo todos os riscos, Clinton se meteu com Monica. Isso comprovaria a teorias de Pinker ou da falha no DNA masculino?<br \/>\nAdam Phillips, um m\u00e9dico psicanalista ingl\u00eas, escreveu recentemente um livro chamado \u201cMonogamia\u201d. Nesse livro, Phillips, usa a estrat\u00e9gia dos aforismos, talvez para tornar a leitura mais amena e passar suas mensagens de forma pontual. O primeiro deles: \u201cNem todo mundo acredita na monogamia, mas todos vivem como se acreditassem. Todos t\u00eam consci\u00eancia de estar mentindo ou querendo dizer a verdade quando est\u00e3o em jogo a lealdade ou a fidelidade. Todos sentem ci\u00fames ou se sentem culpados, e sofrem a ang\u00fastia de suas prefer\u00eancias&#8230; Noutras palavras, acreditar na monogamia n\u00e3o \u00e9 diferente de acreditar em Deus\u201d.<br \/>\nSeria ent\u00e3o a fidelidade (ou a infidelidade) uma quest\u00e3o de f\u00e9? E a\u00ed a palavra f\u00e9 vem mesmo a calhar. O que \u00e9 mesmo ser fiel? Ou o contr\u00e1rio disso, o que \u00e9 ser infiel? Seria apenas uma quest\u00e3o de natureza sexual? Ou, considerando a capacidade do ser humano de pensar e sonhar, envolveria quest\u00f5es subjetivas em que os corpos n\u00e3o s\u00e3o necessariamente envolvidos? O \u201cflirt\u201d \u00e9 infidelidade? Amizades secretas sem a consuma\u00e7\u00e3o do sexo s\u00e3o infidelidades? \u201cDesejar a mulher- ou o homem \u2013 do (a) pr\u00f3ximo(a)\u201d \u00e9 infidelidade? As pessoas que n\u00e3o traem com medo de perder o \u201cstatus\u201d s\u00e3o fi\u00e9is?<br \/>\nPor outro lado, ser fiel envolveria a perda da liberdade? Todos querem ter liberdade. Poucos admitem que o(a) parceiro(a) tamb\u00e9m anseia por liberdade? A maioria das pessoas acredita que seus relacionamentos duradouros n\u00e3o s\u00e3o satisfat\u00f3rios e isso alimentaria o desejo de descobrir algo novo, que quebre a monotonia de suas vidas. 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As respostas afloram no cotidiano das pessoas e o mais \u00f3bvio \u2013 e pouco considerado \u2013 \u00e9 que estamos constantemente mudando, com o(a) outro(a) ou apesar do(a) outro(a).<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 21\/02\/1999.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3854","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3854","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3854"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3854\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3854"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3854"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3854"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}