{"id":3856,"date":"2023-12-21T09:10:56","date_gmt":"2023-12-21T12:10:56","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/as-mulheres-de-todos-nos\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:56","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:56","slug":"as-mulheres-de-todos-nos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/as-mulheres-de-todos-nos\/","title":{"rendered":"AS MULHERES DE TODOS N\u00d3S"},"content":{"rendered":"<p>Amanh\u00e3, dia 08, se comemora mais um Dia Internacional da Mulher. Talvez, por tal raz\u00e3o tenham me ocorrido \u00e0s reflex\u00f5es abaixo. N\u00e3o as fiz, com o prop\u00f3sito de agradar ou desagradar, mas com a inten\u00e7\u00e3o de procurar entender o que aconteceu conosco, homens e mulheres neste fim de s\u00e9culo. N\u00e3o necessariamente, o fim dos tempos. Qui\u00e7\u00e1, um novo.<br \/>\nN\u00f3s, os homens nascidos pelo meio deste s\u00e9culo, n\u00e3o fomos, culturalmente, acostumados a atender a alma feminina. V\u00edamos, em nossas casas, quase sempre, um pai dominador com direito a tudo. Nossa m\u00e3e era, via de regra, submissa. Estud\u00e1vamos em col\u00e9gios s\u00f3 para homens, jog\u00e1vamos futebol, brig\u00e1vamos de tapa uns com os outros, come\u00e7\u00e1vamos a namorar meio amedrontados e nos inici\u00e1vamos sexualmente com prostitutas.<br \/>\nO nosso contato mais aberto com as mulheres, como parceiras, come\u00e7ava na universidade ou no trabalho. Jovens, mulheres e homens, n\u00e3o sabiam como lidar um com o outro. Era o princ\u00edpio de um aprendizado doloroso e, ao mesmo tempo, estimulante. Surgiam os Beatles, acontecia o ano de 1968, eclodia o cen\u00e1rio de Woodstock e o feminismo mostrava a sua cara mais sect\u00e1ria, para se defender de um mundo absolutamente masculino, machista.<br \/>\nOs homens n\u00e3o sabiam como lidar com essa avalanche e reagiam mal. Procuravam uma afirma\u00e7\u00e3o e n\u00e3o tinham refer\u00eancias para descobrir a sa\u00edda. A perpetua\u00e7\u00e3o do machismo estava sedimentada no seu inconsciente e n\u00e3o havia, ainda, a consci\u00eancia de que homens e mulheres s\u00e3o seres complementares e n\u00e3o advers\u00e1rios. N\u00e3o existia literatura, n\u00e3o havia hist\u00f3ria, n\u00e3o havia boa vontade e, principalmente n\u00e3o havia preparo, de lado a lado.<br \/>\nEst\u00e1vamos at\u00f4nitos e n\u00e3o t\u00ednhamos refer\u00eancias. O resultado foi triste. Os casamentos iam fazendo \u00e1gua. Os que permaneceram, de um modo geral, ainda t\u00eam o ran\u00e7o da conveni\u00eancia burguesa e se apequenaram na acomoda\u00e7\u00e3o e na farsa. Os que acabaram, produziram suas mazelas, f\u00edsicas e mentais, desencorajando, muitas vezes, novas rela\u00e7\u00f5es pelo medo do fracasso e a inabilidade de saber lidar com circunst\u00e2ncias novas, como conviver com os filhos do outro ou da outra.<br \/>\nAntes que o \u201cbug\u201d do mil\u00eanio amea\u00e7asse os nossos computadores e, consequentemente as nossas vidas, fomos atacados por esse v\u00edrus do descompasso entre homens e mulheres, irremediavelmente destinados a desvendar os caminhos de uma nova rela\u00e7\u00e3o, a custa de tantos desencontros e muita dor. Ser\u00e1 que valeu a pena? Claro. \u00c9 preciso chorar para aprender a alegria de enxugar as l\u00e1grimas. \u00c9 necess\u00e1rio saber como levantar quando se trope\u00e7a. \u00c9 l\u00f3gico rediscutir as rela\u00e7\u00f5es homens e mulheres e transformar o casamento n\u00e3o em um contrato mas em um acordo de vontades, sentimentos e aspira\u00e7\u00f5es.<br \/>\nTudo isso \u00e9 \u00f3bvio, mas a vida nos mostra que nem sempre vemos o \u00f3bvio e nos perdemos complicando o simples, como se fossemos cerimonialistas querendo mostrar servi\u00e7o. \u00c9 preciso acabar com o duplo sentido do t\u00edtulo. As mulheres n\u00e3o s\u00e3o os n\u00f3s de nossas vidas. Pelo contr\u00e1rio, \u00e9 preciso aprender juntos a desatar n\u00f3s e celebrar alian\u00e7as. E a\u00ed sim, criar um novo n\u00f3s, mulher e homem, seres distintos e destinados a formar uma nova sociedade a procura das respostas que n\u00e3o conseguimos descobrir, ainda.<br \/>\n Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 07\/03\/1999.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Amanh\u00e3, dia 08, se comemora mais um Dia Internacional da Mulher. Talvez, por tal raz\u00e3o tenham me ocorrido \u00e0s reflex\u00f5es abaixo. N\u00e3o as fiz, com o prop\u00f3sito de agradar ou desagradar, mas com a inten\u00e7\u00e3o de procurar entender o que aconteceu conosco, homens e mulheres neste fim de s\u00e9culo. N\u00e3o necessariamente, o fim dos tempos. Qui\u00e7\u00e1, um novo.<br \/>\nN\u00f3s, os homens nascidos pelo meio deste s\u00e9culo, n\u00e3o fomos, culturalmente, acostumados a atender a alma feminina. V\u00edamos, em nossas casas, quase sempre, um pai dominador com direito a tudo. Nossa m\u00e3e era, via de regra, submissa. Estud\u00e1vamos em col\u00e9gios s\u00f3 para homens, jog\u00e1vamos futebol, brig\u00e1vamos de tapa uns com os outros, come\u00e7\u00e1vamos a namorar meio amedrontados e nos inici\u00e1vamos sexualmente com prostitutas.<br \/>\nO nosso contato mais aberto com as mulheres, como parceiras, come\u00e7ava na universidade ou no trabalho. Jovens, mulheres e homens, n\u00e3o sabiam como lidar um com o outro. Era o princ\u00edpio de um aprendizado doloroso e, ao mesmo tempo, estimulante. Surgiam os Beatles, acontecia o ano de 1968, eclodia o cen\u00e1rio de Woodstock e o feminismo mostrava a sua cara mais sect\u00e1ria, para se defender de um mundo absolutamente masculino, machista.<br \/>\nOs homens n\u00e3o sabiam como lidar com essa avalanche e reagiam mal. Procuravam uma afirma\u00e7\u00e3o e n\u00e3o tinham refer\u00eancias para descobrir a sa\u00edda. A perpetua\u00e7\u00e3o do machismo estava sedimentada no seu inconsciente e n\u00e3o havia, ainda, a consci\u00eancia de que homens e mulheres s\u00e3o seres complementares e n\u00e3o advers\u00e1rios. N\u00e3o existia literatura, n\u00e3o havia hist\u00f3ria, n\u00e3o havia boa vontade e, principalmente n\u00e3o havia preparo, de lado a lado.<br \/>\nEst\u00e1vamos at\u00f4nitos e n\u00e3o t\u00ednhamos refer\u00eancias. O resultado foi triste. Os casamentos iam fazendo \u00e1gua. Os que permaneceram, de um modo geral, ainda t\u00eam o ran\u00e7o da conveni\u00eancia burguesa e se apequenaram na acomoda\u00e7\u00e3o e na farsa. Os que acabaram, produziram suas mazelas, f\u00edsicas e mentais, desencorajando, muitas vezes, novas rela\u00e7\u00f5es pelo medo do fracasso e a inabilidade de saber lidar com circunst\u00e2ncias novas, como conviver com os filhos do outro ou da outra.<br \/>\nAntes que o \u201cbug\u201d do mil\u00eanio amea\u00e7asse os nossos computadores e, consequentemente as nossas vidas, fomos atacados por esse v\u00edrus do descompasso entre homens e mulheres, irremediavelmente destinados a desvendar os caminhos de uma nova rela\u00e7\u00e3o, a custa de tantos desencontros e muita dor. Ser\u00e1 que valeu a pena? Claro. \u00c9 preciso chorar para aprender a alegria de enxugar as l\u00e1grimas. \u00c9 necess\u00e1rio saber como levantar quando se trope\u00e7a. \u00c9 l\u00f3gico rediscutir as rela\u00e7\u00f5es homens e mulheres e transformar o casamento n\u00e3o em um contrato mas em um acordo de vontades, sentimentos e aspira\u00e7\u00f5es.<br \/>\nTudo isso \u00e9 \u00f3bvio, mas a vida nos mostra que nem sempre vemos o \u00f3bvio e nos perdemos complicando o simples, como se fossemos cerimonialistas querendo mostrar servi\u00e7o. \u00c9 preciso acabar com o duplo sentido do t\u00edtulo. As mulheres n\u00e3o s\u00e3o os n\u00f3s de nossas vidas. Pelo contr\u00e1rio, \u00e9 preciso aprender juntos a desatar n\u00f3s e celebrar alian\u00e7as. E a\u00ed sim, criar um novo n\u00f3s, mulher e homem, seres distintos e destinados a formar uma nova sociedade a procura das respostas que n\u00e3o conseguimos descobrir, ainda.<br \/>\n Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 07\/03\/1999.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3856","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3856","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3856"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3856\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3856"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3856"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3856"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}