{"id":3861,"date":"2023-12-21T09:10:56","date_gmt":"2023-12-21T12:10:56","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/complicar-ou-simplificar\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:56","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:56","slug":"complicar-ou-simplificar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/complicar-ou-simplificar\/","title":{"rendered":"COMPLICAR OU SIMPLIFICAR?"},"content":{"rendered":"<p>Vivemos tempos tecnol\u00f3gicos onde tudo \u00e9 fugaz. O saber de ontem \u00e9 a ignor\u00e2ncia de hoje. Confesso que, muitas vezes, fico intrigado com tantas teorias novas que, logo cedo, viram modismos. N\u00e3o importa nomin\u00e1-las para n\u00e3o magoar \u201cfacilitadores\u201d e os que ainda permanecem como seus seguidores. Fico intrigado e acrescento, de orelha em p\u00e9, quando algu\u00e9m, de boa f\u00e9, me diz que contratou uma consultoria de alto n\u00edvel para isso e aquilo.<br \/>\nOra, a primeira indaga\u00e7\u00e3o \u00e9 saber se a empresa e os seus dirigentes t\u00eam ess\u00eancia para entender e aplicar as novas t\u00e9cnicas que vierem a ser implantadas. Em segundo lugar, \u00e9 preciso saber quem s\u00e3o e quais as experi\u00eancias de \u201calto n\u00edvel\u201d da consultoria. J\u00e1 se disse que \u201cespecialista \u00e9 algu\u00e9m que vem de longe\u201d. N\u00e3o basta vir de longe, trazer modelos prontos e criticar o que, bem ou mal, est\u00e1 funcionando. \u00c9 preciso chegar junto e conhecer n\u00e3o s\u00f3 a realidade da empresa, mas as peculiaridades do mercado em que tenta sobreviver.<br \/>\nVi muitas dessas empresas com problemas s\u00e9rios depois de reformularem seus m\u00e9todos, sistemas e processos. Vi dirigentes com as m\u00e3os \u00e0 cabe\u00e7a sem saber o que fazer com tanto papel, sistemas \u201con line\u201d e o diabo a quatro, enquanto olhavam bestificados para as modifica\u00e7\u00f5es no lay-out e mobili\u00e1rio de suas empresas e descobriam que os problemas financeiros estavam em pior situa\u00e7\u00e3o do que quando a consultoria chegou. Agora, a consultoria passava a ser mais um problema financeiro.<br \/>\nSer\u00e1 que estou caricaturando ou exagerando? Talvez. H\u00e1 consultorias boas, mas n\u00e3o s\u00e3o muitas. E as que complicam o simples s\u00e3o as piores. Jack Trout, um americano que entende de administra\u00e7\u00e3o, escreveu recentemente o livro \u201cO Poder da Simplicidade\u201d (The Power of Simplicity, ed. Mc Graw Hill) que diz, entre coisas, mais ou menos o que venho dizendo h\u00e1 anos.<br \/>\nSegundo ele \u201c\u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil ser simples, porque as pessoas t\u00eam medo de parecer pouco inteligentes se agirem dessa forma&#8230; N\u00f3s ficamos impressionados pelas coisas que n\u00e3o conseguimos entender\u201d. Ora bolas, n\u00f3s n\u00e3o devemos ter medo de ser simples. Caso voc\u00ea n\u00e3o entenda, pergunte, anote, pesquise, estude. Mas, no final fa\u00e7a do seu jeito. Quem dorme com a sua consci\u00eancia e os seus problemas \u00e9 voc\u00ea. Voc\u00ea \u00e9 que paga as suas contas ou, na situa\u00e7\u00e3o atual, pagar\u00e1 as contas vencidas e a vencer.<br \/>\nO segredo de qualquer neg\u00f3cio \u00e9 gastar menos do que fatura. A fatura pressup\u00f5e um pagamento futuro que, \u00e0s vezes, custa a vir ou n\u00e3o vem. Gaste pouco, fazendo o m\u00e1ximo. \u00c9 m\u00e1gica mesmo e o nome \u00e9 trabalho duro, parcim\u00f4nia, simplicidade, mod\u00e9stia, cuidado com as despesas, sejam grandes ou pequenas e n\u00e3o deslumbrar. Deslumbrou, cuidado.<br \/>\nA outra hist\u00f3ria dos modismos \u00e9 \u201cencantar o cliente\u201d. Cliente n\u00e3o \u00e9 cobra nadja para ouvir m\u00fasica de um encantador de serpentes. Cliente \u00e9 para ser bem servido, respeitado e tratado com honestidade e aten\u00e7\u00e3o. Encantar lembra enfeiti\u00e7ar que, em linguagem vulgar, pode ser traduzido por picaretagem.<br \/>\nCuide do dia a dia de sua empresa e pare de inventar. Em resumo, vivendo no Brasil de hoje planejar a longo prazo \u00e9 como tentar descobrir o nome da futura namorada do Bill Clinton. Nem ele sabe.<\/p>\n<p> Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 04\/04\/1999.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vivemos tempos tecnol\u00f3gicos onde tudo \u00e9 fugaz. O saber de ontem \u00e9 a ignor\u00e2ncia de hoje. Confesso que, muitas vezes, fico intrigado com tantas teorias novas que, logo cedo, viram modismos. N\u00e3o importa nomin\u00e1-las para n\u00e3o magoar \u201cfacilitadores\u201d e os que ainda permanecem como seus seguidores. Fico intrigado e acrescento, de orelha em p\u00e9, quando algu\u00e9m, de boa f\u00e9, me diz que contratou uma consultoria de alto n\u00edvel para isso e aquilo.<br \/>\nOra, a primeira indaga\u00e7\u00e3o \u00e9 saber se a empresa e os seus dirigentes t\u00eam ess\u00eancia para entender e aplicar as novas t\u00e9cnicas que vierem a ser implantadas. Em segundo lugar, \u00e9 preciso saber quem s\u00e3o e quais as experi\u00eancias de \u201calto n\u00edvel\u201d da consultoria. J\u00e1 se disse que \u201cespecialista \u00e9 algu\u00e9m que vem de longe\u201d. N\u00e3o basta vir de longe, trazer modelos prontos e criticar o que, bem ou mal, est\u00e1 funcionando. \u00c9 preciso chegar junto e conhecer n\u00e3o s\u00f3 a realidade da empresa, mas as peculiaridades do mercado em que tenta sobreviver.<br \/>\nVi muitas dessas empresas com problemas s\u00e9rios depois de reformularem seus m\u00e9todos, sistemas e processos. Vi dirigentes com as m\u00e3os \u00e0 cabe\u00e7a sem saber o que fazer com tanto papel, sistemas \u201con line\u201d e o diabo a quatro, enquanto olhavam bestificados para as modifica\u00e7\u00f5es no lay-out e mobili\u00e1rio de suas empresas e descobriam que os problemas financeiros estavam em pior situa\u00e7\u00e3o do que quando a consultoria chegou. Agora, a consultoria passava a ser mais um problema financeiro.<br \/>\nSer\u00e1 que estou caricaturando ou exagerando? Talvez. H\u00e1 consultorias boas, mas n\u00e3o s\u00e3o muitas. E as que complicam o simples s\u00e3o as piores. Jack Trout, um americano que entende de administra\u00e7\u00e3o, escreveu recentemente o livro \u201cO Poder da Simplicidade\u201d (The Power of Simplicity, ed. Mc Graw Hill) que diz, entre coisas, mais ou menos o que venho dizendo h\u00e1 anos.<br \/>\nSegundo ele \u201c\u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil ser simples, porque as pessoas t\u00eam medo de parecer pouco inteligentes se agirem dessa forma&#8230; N\u00f3s ficamos impressionados pelas coisas que n\u00e3o conseguimos entender\u201d. Ora bolas, n\u00f3s n\u00e3o devemos ter medo de ser simples. Caso voc\u00ea n\u00e3o entenda, pergunte, anote, pesquise, estude. Mas, no final fa\u00e7a do seu jeito. Quem dorme com a sua consci\u00eancia e os seus problemas \u00e9 voc\u00ea. Voc\u00ea \u00e9 que paga as suas contas ou, na situa\u00e7\u00e3o atual, pagar\u00e1 as contas vencidas e a vencer.<br \/>\nO segredo de qualquer neg\u00f3cio \u00e9 gastar menos do que fatura. A fatura pressup\u00f5e um pagamento futuro que, \u00e0s vezes, custa a vir ou n\u00e3o vem. Gaste pouco, fazendo o m\u00e1ximo. \u00c9 m\u00e1gica mesmo e o nome \u00e9 trabalho duro, parcim\u00f4nia, simplicidade, mod\u00e9stia, cuidado com as despesas, sejam grandes ou pequenas e n\u00e3o deslumbrar. Deslumbrou, cuidado.<br \/>\nA outra hist\u00f3ria dos modismos \u00e9 \u201cencantar o cliente\u201d. Cliente n\u00e3o \u00e9 cobra nadja para ouvir m\u00fasica de um encantador de serpentes. Cliente \u00e9 para ser bem servido, respeitado e tratado com honestidade e aten\u00e7\u00e3o. Encantar lembra enfeiti\u00e7ar que, em linguagem vulgar, pode ser traduzido por picaretagem.<br \/>\nCuide do dia a dia de sua empresa e pare de inventar. Em resumo, vivendo no Brasil de hoje planejar a longo prazo \u00e9 como tentar descobrir o nome da futura namorada do Bill Clinton. Nem ele sabe.<\/p>\n<p> Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 04\/04\/1999.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3861","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3861","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3861"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3861\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3861"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3861"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3861"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}