{"id":3870,"date":"2023-12-21T09:10:56","date_gmt":"2023-12-21T12:10:56","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/aos-sem-namoro\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:56","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:56","slug":"aos-sem-namoro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/aos-sem-namoro\/","title":{"rendered":"AOS SEM NAMORO"},"content":{"rendered":"<p>E a\u00ed voc\u00ea est\u00e1 lendo este artigo e n\u00e3o compreende a raz\u00e3o de tanta fala\u00e7\u00e3o sobre o Dia dos Namorados. Pois saiba: \u00e9 o quarto evento do com\u00e9rcio lojista. Lojistas e publicit\u00e1rios, \u00e0 parte, c\u00e1 entre n\u00f3s voc\u00ea talvez esteja \u00e9 com uma dor de cotovelo por se encontrar s\u00f3 nessa data.<br \/>\nAs rosas oferecidas, nas bancas improvisadas por toda a parte, parecem n\u00e3o lhe dizer respeito. S\u00f3 parecem. Na verdade, voc\u00ea est\u00e1 \u00e9 como se um espinho virtual tivesse furado o seu dedo de estima\u00e7\u00e3o. Aquele dedo usado para ligar para a pessoa querida. A\u00ed o amor acabou e o dedo ficou em riste, apontando para as suas falhas.<br \/>\nN\u00e3o se culpe, n\u00e3o \u00e9 bem assim. Os amores podem acabar. N\u00e3o pode acabar \u00e9 o amor no seu cora\u00e7\u00e3o. N\u00e3o pode deixar de existir \u00e9 a eterna busca pelo ideal de ser feliz, embora tudo seja mais um caminho que uma meta.<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 de ser nada. 12 de junho \u00e9 apenas um dia. Mas logo nessa data, voc\u00ea gostaria de estar com algu\u00e9m, n\u00e3o \u00e9? Sem essa de autocomisera\u00e7\u00e3o, bancando a v\u00edtima. Coisa feia. Talvez, voc\u00ea precise descobrir porque as coisas deram erradas. N\u00e3o na busca de culpados, mas na identifica\u00e7\u00e3o do que pode ser feito hoje e no futuro, o hoje do amanh\u00e3.<br \/>\nVai ver voc\u00ea n\u00e3o dava valor a quem lhe amava. Comprava presente, escrevia at\u00e9 um cart\u00e3o bonitinho, mas faltava a entrega. Esse se jogar sem medo no po\u00e7o profundo do amor. Essa capacidade de sentir o cora\u00e7\u00e3o apertar quando uma simples troca de olhares age como uma flecha.<br \/>\nTire os \u00f3culos escuros, mostre os seus olhos, n\u00e3o importa a cor, as rugas a redor. Mire com firmeza e diga dos seus sentimentos. Fingir saiu de moda. Enganar, j\u00e1 era. Abra a sua caixa de ferramentas e n\u00e3o tenha medo de consertar os seus defeitos. Acabe com o medo de se expor. O mais grave a acontecer \u00e9 descobrir ser voc\u00ea um mortal comum. N\u00e3o fique pensando que defeitos s\u00e3o privil\u00e9gio seu. Sai dessa.<br \/>\nAs novelas t\u00eam come\u00e7o, meio e fim. Voc\u00ea n\u00e3o deve imaginar dramas. Afinal de contas, Janete Clair e Dias Gomes est\u00e3o mortos. Enxugue as l\u00e1grimas. N\u00e3o \u00e9 preciso fazer da vida uma novela. Desvencilhe-se do novelo em que est\u00e1 enredado e n\u00e3o fique a\u00ed esperando algu\u00e9m cair do c\u00e9u \u00e0 sua procura.<br \/>\nOutros dias dos namorados vir\u00e3o, fique certo. Embora s\u00f3 exista um Dia do Namorados por ano, todo santo dia \u00e9 dia de namorar. Mexa-se, desenferruje a sua capacidade de ca\u00e7ar felicidade. N\u00e3o estou falando de pedrador e sim do ca\u00e7ador de esperan\u00e7a. Aquele que n\u00e3o esmorece quando tudo fica cinza e as \u00e1guas da vida parecem turvas.<\/p>\n<p>\u00c1guas turvas podem ser ilus\u00e3o de \u00f3tica, mude as lentes do sentimento, recicle-se na gest\u00e3o de um projeto pessoal verificando que seu ponto forte \u00e9 ter certeza dos seus pontos fracos lhe tornarem gente. Em amor, como na vida, n\u00e3o h\u00e1 qualidade total.<br \/>\nNo amor h\u00e1 loucura. La Fontaine, em uma de suas f\u00e1bulas, conta que o Amor e a Loucura brigaram um dia. A Loucura furou os olhos do Amor, tornando-o cego. V\u00eanus, m\u00e3e do Amor, pediu justi\u00e7a a J\u00fapiter e aos ju\u00edzes do Olimpo. E esses sentenciaram que a Loucura serviria de guia eternamente ao cego Amor.<br \/>\nPara de choramingar, v\u00e1 \u00e0 luta, o mundo \u00e9 seu e fique cego de Amor. Mas n\u00e3o esque\u00e7a de amar a si pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 13\/06\/1999.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>E a\u00ed voc\u00ea est\u00e1 lendo este artigo e n\u00e3o compreende a raz\u00e3o de tanta fala\u00e7\u00e3o sobre o Dia dos Namorados. Pois saiba: \u00e9 o quarto evento do com\u00e9rcio lojista. Lojistas e publicit\u00e1rios, \u00e0 parte, c\u00e1 entre n\u00f3s voc\u00ea talvez esteja \u00e9 com uma dor de cotovelo por se encontrar s\u00f3 nessa data.<br \/>\nAs rosas oferecidas, nas bancas improvisadas por toda a parte, parecem n\u00e3o lhe dizer respeito. S\u00f3 parecem. Na verdade, voc\u00ea est\u00e1 \u00e9 como se um espinho virtual tivesse furado o seu dedo de estima\u00e7\u00e3o. Aquele dedo usado para ligar para a pessoa querida. A\u00ed o amor acabou e o dedo ficou em riste, apontando para as suas falhas.<br \/>\nN\u00e3o se culpe, n\u00e3o \u00e9 bem assim. Os amores podem acabar. N\u00e3o pode acabar \u00e9 o amor no seu cora\u00e7\u00e3o. N\u00e3o pode deixar de existir \u00e9 a eterna busca pelo ideal de ser feliz, embora tudo seja mais um caminho que uma meta.<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 de ser nada. 12 de junho \u00e9 apenas um dia. Mas logo nessa data, voc\u00ea gostaria de estar com algu\u00e9m, n\u00e3o \u00e9? Sem essa de autocomisera\u00e7\u00e3o, bancando a v\u00edtima. Coisa feia. Talvez, voc\u00ea precise descobrir porque as coisas deram erradas. N\u00e3o na busca de culpados, mas na identifica\u00e7\u00e3o do que pode ser feito hoje e no futuro, o hoje do amanh\u00e3.<br \/>\nVai ver voc\u00ea n\u00e3o dava valor a quem lhe amava. Comprava presente, escrevia at\u00e9 um cart\u00e3o bonitinho, mas faltava a entrega. Esse se jogar sem medo no po\u00e7o profundo do amor. Essa capacidade de sentir o cora\u00e7\u00e3o apertar quando uma simples troca de olhares age como uma flecha.<br \/>\nTire os \u00f3culos escuros, mostre os seus olhos, n\u00e3o importa a cor, as rugas a redor. Mire com firmeza e diga dos seus sentimentos. Fingir saiu de moda. Enganar, j\u00e1 era. Abra a sua caixa de ferramentas e n\u00e3o tenha medo de consertar os seus defeitos. Acabe com o medo de se expor. O mais grave a acontecer \u00e9 descobrir ser voc\u00ea um mortal comum. N\u00e3o fique pensando que defeitos s\u00e3o privil\u00e9gio seu. Sai dessa.<br \/>\nAs novelas t\u00eam come\u00e7o, meio e fim. Voc\u00ea n\u00e3o deve imaginar dramas. Afinal de contas, Janete Clair e Dias Gomes est\u00e3o mortos. Enxugue as l\u00e1grimas. N\u00e3o \u00e9 preciso fazer da vida uma novela. Desvencilhe-se do novelo em que est\u00e1 enredado e n\u00e3o fique a\u00ed esperando algu\u00e9m cair do c\u00e9u \u00e0 sua procura.<br \/>\nOutros dias dos namorados vir\u00e3o, fique certo. Embora s\u00f3 exista um Dia do Namorados por ano, todo santo dia \u00e9 dia de namorar. Mexa-se, desenferruje a sua capacidade de ca\u00e7ar felicidade. N\u00e3o estou falando de pedrador e sim do ca\u00e7ador de esperan\u00e7a. Aquele que n\u00e3o esmorece quando tudo fica cinza e as \u00e1guas da vida parecem turvas.<\/p>\n<p>\u00c1guas turvas podem ser ilus\u00e3o de \u00f3tica, mude as lentes do sentimento, recicle-se na gest\u00e3o de um projeto pessoal verificando que seu ponto forte \u00e9 ter certeza dos seus pontos fracos lhe tornarem gente. Em amor, como na vida, n\u00e3o h\u00e1 qualidade total.<br \/>\nNo amor h\u00e1 loucura. La Fontaine, em uma de suas f\u00e1bulas, conta que o Amor e a Loucura brigaram um dia. A Loucura furou os olhos do Amor, tornando-o cego. V\u00eanus, m\u00e3e do Amor, pediu justi\u00e7a a J\u00fapiter e aos ju\u00edzes do Olimpo. E esses sentenciaram que a Loucura serviria de guia eternamente ao cego Amor.<br \/>\nPara de choramingar, v\u00e1 \u00e0 luta, o mundo \u00e9 seu e fique cego de Amor. Mas n\u00e3o esque\u00e7a de amar a si pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 13\/06\/1999.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3870","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3870","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3870"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3870\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3870"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3870"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3870"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}