{"id":3874,"date":"2023-12-21T09:10:56","date_gmt":"2023-12-21T12:10:56","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/intimidade-devassada\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:56","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:56","slug":"intimidade-devassada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/intimidade-devassada\/","title":{"rendered":"INTIMIDADE DEVASSADA"},"content":{"rendered":"<p>Recebi, de alguns leitores, cartas ou e-mails falando sobre o artigo Intimidade, que publiquei no dia 04 deste. Para quem n\u00e3o leu o referido artigo \u2013 e apenas para acompanhar o racioc\u00ednio dos leitores que me escreveram \u2013 digo que ele tratava do sagrado direito que temos de preservar a nossa intimidade e dos poucos amigos que a conhecem, sem precisar devass\u00e1-la, pois dela participam.<br \/>\nVoltando ao que recebi. Escolhi tr\u00eas leitores diferentes, identificados apenas pelas iniciais, que, cada um a seu modo, escreveram sobre o artigo<br \/>\n\u201cIntimidade\u201d. Como os textos s\u00e3o longos, tomo a liberdade de condens\u00e1-los.<br \/>\nO primeiro leitor(AJL) limitou-se a remeter o texto muito conhecido \u201cProcura-se de um amigo\u201d, de Vin\u00edcius de Moraes. A\u00ed v\u00e3o algumas partes: \u201cPrecisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir&#8230; Deve guardar segredo sem se sacrificar&#8230;N\u00e3o \u00e9 preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas n\u00e3o deve ser vulgar&#8230;Tem que ter resson\u00e2ncias humanas, seu principal objetivo dever ser o de amigo&#8230;Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consci\u00eancia de que ainda se vive\u201d.<br \/>\nA segunda carta \u00e9 de uma leitora (LPCC). Diz ela: \u201cSagradas as amizades. Voc\u00ea j\u00e1 definiu t\u00e3o bem o que \u00e9 um verdadeiro amigo. Posso acrescentar? E o que \u00e9 necess\u00e1rio para que duas pessoas sejam amigas? Algumas afinidades, uma \u00e9tica rigorosa no comportamento, uma lealdade inquestion\u00e1vel, e, o mais importante, aquela coisa que n\u00e3o se define, nem na amizade nem no amor, que n\u00e3o se sabe porque acontece: o gostar&#8230; Com os amigos deve-se fazer como fazem os bancos recadastrar periodicamente. As pessoas infelizmente mudam, e \u00e0s vezes para pior.\u201d<br \/>\nA terceira carta \u00e9 de uma leitora do Rio, psicanalista de profiss\u00e3o(TSPO) que escreve: \u201c Voc\u00ea deve perturbar muito seus leitores&#8230; e provavelmente, tamb\u00e9m, ench\u00ea-los de prazer&#8230;Voc\u00ea utiliza um recurso que obriga o leitor a se deter, a prestar aten\u00e7\u00e3o ao que est\u00e1 lendo. \u00c9 tamb\u00e9m um \u2018chega pr\u00e1 l\u00e1\u2019 que voc\u00ea parece dar, no real, aqueles que, justamente, querem chegar perto demais sem que para isso tenham conquistado o direito. \u00c9 algo que voc\u00ea usa, desconsertando o invasor, pedrinhas que coloca no caminho como se dissesse que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil assim chegar perto de pessoas atentas&#8230;Combina a delicadeza da sensibilidade \u00e0 crueza daquele que n\u00e3o faz concess\u00f5es&#8230; Agora, uma discord\u00e2ncia(e ela me cita): \u201c algumas pessoas se aproximam e dizem que gostam de n\u00f3s. Ora, como podem gostar do que n\u00e3o conhecem\u201d(termina a cita\u00e7\u00e3o). E ela continua: \u201c E eu digo: o pior \u00e9 que quase sempre os que gostam de n\u00f3s n\u00e3o nos conhecem. Pelo menos por inteiro. Mas e se n\u00f3s mesmos n\u00e3o nos conhecemos? E quem pode impedir que o outro goste de uma coisa em n\u00f3s que ele inventou (idealiza\u00e7\u00e3o)? Ele ( o outro), \u00e0s vezes precisa, para sobreviver, amar o que n\u00e3o existe. Mas que existe para ele. E logo existe&#8230;\u201d<br \/>\nObrigado aos tr\u00eas.<br \/>\n Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 25\/07\/1999.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recebi, de alguns leitores, cartas ou e-mails falando sobre o artigo Intimidade, que publiquei no dia 04 deste. Para quem n\u00e3o leu o referido artigo \u2013 e apenas para acompanhar o racioc\u00ednio dos leitores que me escreveram \u2013 digo que ele tratava do sagrado direito que temos de preservar a nossa intimidade e dos poucos amigos que a conhecem, sem precisar devass\u00e1-la, pois dela participam.<br \/>\nVoltando ao que recebi. Escolhi tr\u00eas leitores diferentes, identificados apenas pelas iniciais, que, cada um a seu modo, escreveram sobre o artigo<br \/>\n\u201cIntimidade\u201d. Como os textos s\u00e3o longos, tomo a liberdade de condens\u00e1-los.<br \/>\nO primeiro leitor(AJL) limitou-se a remeter o texto muito conhecido \u201cProcura-se de um amigo\u201d, de Vin\u00edcius de Moraes. A\u00ed v\u00e3o algumas partes: \u201cPrecisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir&#8230; Deve guardar segredo sem se sacrificar&#8230;N\u00e3o \u00e9 preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas n\u00e3o deve ser vulgar&#8230;Tem que ter resson\u00e2ncias humanas, seu principal objetivo dever ser o de amigo&#8230;Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consci\u00eancia de que ainda se vive\u201d.<br \/>\nA segunda carta \u00e9 de uma leitora (LPCC). Diz ela: \u201cSagradas as amizades. Voc\u00ea j\u00e1 definiu t\u00e3o bem o que \u00e9 um verdadeiro amigo. Posso acrescentar? E o que \u00e9 necess\u00e1rio para que duas pessoas sejam amigas? Algumas afinidades, uma \u00e9tica rigorosa no comportamento, uma lealdade inquestion\u00e1vel, e, o mais importante, aquela coisa que n\u00e3o se define, nem na amizade nem no amor, que n\u00e3o se sabe porque acontece: o gostar&#8230; Com os amigos deve-se fazer como fazem os bancos recadastrar periodicamente. As pessoas infelizmente mudam, e \u00e0s vezes para pior.\u201d<br \/>\nA terceira carta \u00e9 de uma leitora do Rio, psicanalista de profiss\u00e3o(TSPO) que escreve: \u201c Voc\u00ea deve perturbar muito seus leitores&#8230; e provavelmente, tamb\u00e9m, ench\u00ea-los de prazer&#8230;Voc\u00ea utiliza um recurso que obriga o leitor a se deter, a prestar aten\u00e7\u00e3o ao que est\u00e1 lendo. \u00c9 tamb\u00e9m um \u2018chega pr\u00e1 l\u00e1\u2019 que voc\u00ea parece dar, no real, aqueles que, justamente, querem chegar perto demais sem que para isso tenham conquistado o direito. \u00c9 algo que voc\u00ea usa, desconsertando o invasor, pedrinhas que coloca no caminho como se dissesse que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil assim chegar perto de pessoas atentas&#8230;Combina a delicadeza da sensibilidade \u00e0 crueza daquele que n\u00e3o faz concess\u00f5es&#8230; Agora, uma discord\u00e2ncia(e ela me cita): \u201c algumas pessoas se aproximam e dizem que gostam de n\u00f3s. 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