{"id":3886,"date":"2023-12-21T09:10:56","date_gmt":"2023-12-21T12:10:56","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/rupturas\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:56","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:56","slug":"rupturas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/rupturas\/","title":{"rendered":"RUPTURAS"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 pr\u00f3prio do ser humano viver de rupturas. Ali\u00e1s, as rupturas s\u00e3o o cerne do crescimento e progresso, sejam eles pessoais ou coletivos. Todo ato de romper, criar \u00e9, em sua ess\u00eancia, uma desobedi\u00eancia, uma quebra com o estabelecido, a procura do novo, mesmo que o novo seja at\u00e9 a reencarna\u00e7\u00e3o do velho.<br \/>\nNeste momento que estamos vivendo no mundo, no Brasil e em nossas vidas pessoais t\u00e3o plenas de problemas e carentes de solu\u00e7\u00f5es, \u00e9 chegada a hora das rupturas, de cada um entender que a mesmice, seja ela coletiva ou pessoal, n\u00e3o nos levar\u00e1 a nada, a n\u00e3o ser a vala comum da mediocridade, onde todos s\u00e3o enterrados como cad\u00e1veres desconhecidos ou indigentes mentais.<br \/>\n\u00c9 preciso ter a coragem de ousar, de olhar o dia, a vida, as pessoas e o mundo que nos cerca como algo a ser modificado, a partir de nossas informa\u00e7\u00f5es, conhecimentos e valores que, necessariamente, sofreram abalos s\u00edsmicos desde os nossos nascimentos. Os valores e a cultura que nos foram passados por nossos ancestrais, pais e mestres, embora essenciais \u00e0 nossa forma\u00e7\u00e3o, j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o mais refer\u00eancias p\u00e9treas. At\u00e9 porque a velocidade das transforma\u00e7\u00f5es ocorreu em todos os campos do conhecimento humano. O certo, o justo e o correto s\u00e3o decorr\u00eancia de valores em muta\u00e7\u00e3o e isto causa um desconforto tanto na \u201cTerra de Marlboro\u201d como aqui na p\u00e1tria do \u201clevar vantagem em tudo\u201d. At\u00e9 os amorais e imorais, naturalmente infensos a quest\u00f5es existenciais, est\u00e3o sendo atingidos por essa aura benfazeja.<br \/>\nFrancis Fukuyama, um pol\u00eamico professor americano da Universidade George Mason, nos Estados Unidos, j\u00e1 havia escrito h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada que est\u00e1vamos no fim da Hist\u00f3ria. Segundo ele, as na\u00e7\u00f5es tenderiam a ser democracias liberais e, quando atingissem esse fim, a Hist\u00f3ria terminaria. Iria acabar por falta de objetivo, a aus\u00eancia da luta pelo dom\u00ednio, a conquista e o reconhecimento, pr\u00f3prios do ser humano.<br \/>\nAgora, passados dez anos, ele nos prop\u00f5e uma nova leitura sobre o mesmo tema. Com o seu novo livro, a \u201cGrande Ruptura\u201d (The Great Disruption), ele fala das grandes crises ocorridas nas d\u00e9cadas de 60 a in\u00edcios da de 90, como o aumento de criminalidade, div\u00f3rcios, filhos naturais e, do outro lado, o descr\u00e9dito pelas institui\u00e7\u00f5es sociais e a perda da confian\u00e7a pessoal.<br \/>\nCitando Fukuyama, Anthony Gottlieb, do \u201cThe NYT Book Review\u201d, destaca esse trecho de seu livro: \u201cos seres humanos sempre criam regras morais pelas quais se pautam, em parte porque a natureza os fez assim e em parte pela busca de satisfa\u00e7\u00e3o de seus pr\u00f3prios interesses\u201d. Gottlieb deseja, na verdade, criticar. E o faz com veem\u00eancia: \u201cesse \u00e9 um fen\u00f4meno para o qual Fukuyama oferece apenas respostas insatisfat\u00f3rias\u201d. Ele insiste que nossa recupera\u00e7\u00e3o da Grande Ruptura n\u00e3o teve nada de autom\u00e1tico.<br \/>\nEu concordo com Gottlieb. Creio que, rompendo, n\u00f3s todos estamos crescendo e avan\u00e7ando e isto faz a diferen\u00e7a. Hoje, cada um est\u00e1, a seu modo, vivendo a sua ruptura continuada, descobrindo novos caminhos, fazendo releituras de suas hist\u00f3rias e tentando obter respostas. E isso \u00e9 bom.<br \/>\nJo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\n escritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 17\/10\/1999.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 pr\u00f3prio do ser humano viver de rupturas. Ali\u00e1s, as rupturas s\u00e3o o cerne do crescimento e progresso, sejam eles pessoais ou coletivos. 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Os valores e a cultura que nos foram passados por nossos ancestrais, pais e mestres, embora essenciais \u00e0 nossa forma\u00e7\u00e3o, j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o mais refer\u00eancias p\u00e9treas. At\u00e9 porque a velocidade das transforma\u00e7\u00f5es ocorreu em todos os campos do conhecimento humano. O certo, o justo e o correto s\u00e3o decorr\u00eancia de valores em muta\u00e7\u00e3o e isto causa um desconforto tanto na \u201cTerra de Marlboro\u201d como aqui na p\u00e1tria do \u201clevar vantagem em tudo\u201d. At\u00e9 os amorais e imorais, naturalmente infensos a quest\u00f5es existenciais, est\u00e3o sendo atingidos por essa aura benfazeja.<br \/>\nFrancis Fukuyama, um pol\u00eamico professor americano da Universidade George Mason, nos Estados Unidos, j\u00e1 havia escrito h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada que est\u00e1vamos no fim da Hist\u00f3ria. Segundo ele, as na\u00e7\u00f5es tenderiam a ser democracias liberais e, quando atingissem esse fim, a Hist\u00f3ria terminaria. Iria acabar por falta de objetivo, a aus\u00eancia da luta pelo dom\u00ednio, a conquista e o reconhecimento, pr\u00f3prios do ser humano.<br \/>\nAgora, passados dez anos, ele nos prop\u00f5e uma nova leitura sobre o mesmo tema. Com o seu novo livro, a \u201cGrande Ruptura\u201d (The Great Disruption), ele fala das grandes crises ocorridas nas d\u00e9cadas de 60 a in\u00edcios da de 90, como o aumento de criminalidade, div\u00f3rcios, filhos naturais e, do outro lado, o descr\u00e9dito pelas institui\u00e7\u00f5es sociais e a perda da confian\u00e7a pessoal.<br \/>\nCitando Fukuyama, Anthony Gottlieb, do \u201cThe NYT Book Review\u201d, destaca esse trecho de seu livro: \u201cos seres humanos sempre criam regras morais pelas quais se pautam, em parte porque a natureza os fez assim e em parte pela busca de satisfa\u00e7\u00e3o de seus pr\u00f3prios interesses\u201d. Gottlieb deseja, na verdade, criticar. 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E isso \u00e9 bom.<br \/>\nJo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\n escritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 17\/10\/1999.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3886","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3886","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3886"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3886\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3886"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3886"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3886"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}