{"id":3899,"date":"2023-12-21T09:10:57","date_gmt":"2023-12-21T12:10:57","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/saraminda-e-o-sarney-sensual-2\/"},"modified":"2023-12-24T08:09:07","modified_gmt":"2023-12-24T11:09:07","slug":"saraminda-e-o-sarney-sensual-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/saraminda-e-o-sarney-sensual-2\/","title":{"rendered":"SARAMINDA E O SARNEY SENSUAL"},"content":{"rendered":"<p>O nosso comum amigo, C\u00e9sar Asfor Rocha, surpreendeu-me no Natal passado com a sua encomendada, mas especial dedicat\u00f3ria (\u201cAo Jo\u00e3o Soares, que tem a paix\u00e3o pela letras, o abra\u00e7o do Jos\u00e9 Sarney) no livro \u201cSaraminda\u201d.<br \/>\n      Li-o no dealbar do ano e, passado o processo eleitoral do Senado e pensadas as dores das suas incis\u00f5es vesiculares, vi-me aprestado a lhe agradecer a gentileza.<br \/>\n      Aviso-o que n\u00e3o sou cr\u00edtico liter\u00e1rio. Fa\u00e7o da empresa o meu viver, sem esquecer de tecer sonhos com os sentidos. Perpetro escritos, meras cr\u00f4nicas descompromissadas e publicadas e, guardados est\u00e3o poemas ainda virgens de outros olhos, pois a auto-censura os enclausura<br \/>\n      Al\u00e9m do amigo comum, restam-nos apenas a identidade do Jota e do Esse que emolduram o seu e o meu nome, mas isto \u00e9 alongar conversa, para a qual n\u00e3o recebi permiss\u00e3o.<br \/>\n      Receba, como agradecimento, o que escrevi abaixo, t\u00e3o isento quanto pode ser um pr\u00e9- sessent\u00e3o encantado por Saraminda, nossa amada.<br \/>\nCordialmente,<br \/>\nJo\u00e3o Soares Neto<br \/>\nSARAMINDA E O SARNEY SENSUAL<br \/>\n     Saraminda prova que Jos\u00e9 Sarney n\u00e3o \u00e9 normal. \u00c9 preciso ter muito de louco para misturar personagens, beirar a cria\u00e7\u00e3o de um realismo fant\u00e1stico (\u201cVoc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 morta? Aqui todos morrem e vivem.\u201d) com uma latinidade que o escritor brasileiro n\u00e3o costuma exercer e falar de comida (\u201cUm brochete de rabo de jacar\u00e9, frito com banha de anta e conhaque, um hoko e um assado de cochon bois\u201d), moda ( \u201cO vestido tinha a saia comprida, de pregas que ca\u00edam da cintura e eram acompanhados pelas dobras at\u00e9 a barra da saia circundada por uma cinta de rendas e de franjas bordadas. Um casaco de elegante corte de sino, repartido em duas abas tamb\u00e9m rendadas, que desciam como estolas e passavam alongadas al\u00e9m da cintura, ladeadas por duas fileiras de bot\u00f5es cobertos de cetim e pequenos bordados\u201d) e de uma guerra pelo territ\u00f3rio do Amap\u00e1 (\u201cacabo de saber que a Fran\u00e7a perdeu estas terras que agora s\u00e3o do Brasil. Foi uma decis\u00e3o da Su\u00ed\u00e7a.<br \/>\nAmanh\u00e3, s\u00f3 vai haver uma bandeira, a do Brasil\u201d) que n\u00e3o houve entre dois pa\u00edses t\u00e3o distintos quanto o Brasil e Fran\u00e7a.<br \/>\n      Saraminda prova que Jos\u00e9 Sarney n\u00e3o \u00e9 pol\u00edtico, pois exp\u00f5e, mesmo sem querer ou querendo, o seu lado sensual ao descrever como um retratista de pico de pena ou crayon o corpo(\u201cNela o sangue bret\u00e3o, judeu, \u00edndio, banto misturou-se ao longo dos s\u00e9culos, concentrou-se nos olhos, afinou os l\u00e1bios, alongou-lhe o pesco\u00e7o, deu-lhe sorte e sedu\u00e7\u00e3o\u201d), a faceirice( \u201cEu quero que voc\u00ea tenha alegria e felicidade.<br \/>\nPrazer de coisa de amor de gente que se junta&#8230; Quero que voc\u00ea receba meu corpo de ouro embrulhado em papel de seda, enrolado em veludo, cheirando a patchuli\u201d), as falas(\u201dSeu Cleto, me trate com respeito. N\u00e3o sou coisa suja, sou mulher para ser tratada com gosto. Aprecio modos. Entrei na vida mas n\u00e3o sou uma sem-vergonha\u201d) dessa mulher t\u00e3o simples e paradoxal, como se fora uma personagem vivida pela S\u00f4nia Braga dos \u00e1ureos tempos.<br \/>\n      Saraminda prova que Jos\u00e9 Sarney n\u00e3o \u00e9 rico. Se o fora n\u00e3o descreveria com tanta paix\u00e3o a avidez dos garimpeiros, a cobi\u00e7a(\u201cO garimpo \u00e9 de uma solid\u00e3o imensa. Quando a gente olha, parece que n\u00e3o \u00e9 no mundo. O ouro n\u00e3o tem cheiro. Se tivesse, o homem ia farejar e saberia onde ele est\u00e1\u201d) e a lux\u00faria(\u201ctive vontade de beijar, beijar com for\u00e7a, ficar deitado nele, mas me controlei , n\u00e3o dei modos para n\u00e3o verem onde estava minha bestitude\u201d)que o ouro( \u201cN\u00e3o achei que fosse ouro, de t\u00e3o feia, e pude ent\u00e3o compreender que a beleza do ouro est\u00e1 nos homens\u201d.) exerce sobre a raz\u00e3o e o imagin\u00e1rio de pessoas rudes com est\u00e9ticas comprometidas pelas rugas e as rusgas que terminam em sangue para aplacar a ira dos deuses.<br \/>\n       Saraminda atesta que Jos\u00e9 Sarney n\u00e3o \u00e9 romancista. \u00c9 um esp\u00e9cime novo, um poemancista com imagens (\u201cNa casa de sombras, era o remoer da lembran\u00e7a que alimentava os fantasmas\u201d) e figuras(\u201cEra um brinquedo muito triste esse jogo de gostar\u201d) dignas de um Borges\u00ef\u00ef<br \/>\nSaraminda fez enfim, Jos\u00e9 Sarney calar os que ainda n\u00e3o t\u00eam olhos para ver que, al\u00e9m da sua matreirice, da lhaneza, do faro e da capacidade de focar a pol\u00edtica, sobram-lhe sentimentos lustrados em palavras ajuntadas em bateias de id\u00e9ias que brotam como florestas de uma amaz\u00f4nia de encantamentos.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nespecial para o DN.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O nosso comum amigo, C\u00e9sar Asfor Rocha, surpreendeu-me no Natal passado com a sua encomendada, mas especial dedicat\u00f3ria (\u201cAo Jo\u00e3o Soares, que tem a paix\u00e3o pela letras, o abra\u00e7o do Jos\u00e9 Sarney) no livro \u201cSaraminda\u201d.<br \/>\n      Li-o no dealbar do ano e, passado o processo eleitoral do Senado e pensadas as dores das suas incis\u00f5es vesiculares, vi-me aprestado a lhe agradecer a gentileza.<br \/>\n      Aviso-o que n\u00e3o sou cr\u00edtico liter\u00e1rio. Fa\u00e7o da empresa o meu viver, sem esquecer de tecer sonhos com os sentidos. Perpetro escritos, meras cr\u00f4nicas descompromissadas e publicadas e, guardados est\u00e3o poemas ainda virgens de outros olhos, pois a auto-censura os enclausura<br \/>\n      Al\u00e9m do amigo comum, restam-nos apenas a identidade do Jota e do Esse que emolduram o seu e o meu nome, mas isto \u00e9 alongar conversa, para a qual n\u00e3o recebi permiss\u00e3o.<br \/>\n      Receba, como agradecimento, o que escrevi abaixo, t\u00e3o isento quanto pode ser um pr\u00e9- sessent\u00e3o encantado por Saraminda, nossa amada.<br \/>\nCordialmente,<br \/>\nJo\u00e3o Soares Neto<br \/>\nSARAMINDA E O SARNEY SENSUAL<br \/>\n     Saraminda prova que Jos\u00e9 Sarney n\u00e3o \u00e9 normal. \u00c9 preciso ter muito de louco para misturar personagens, beirar a cria\u00e7\u00e3o de um realismo fant\u00e1stico (\u201cVoc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 morta? Aqui todos morrem e vivem.\u201d) com uma latinidade que o escritor brasileiro n\u00e3o costuma exercer e falar de comida (\u201cUm brochete de rabo de jacar\u00e9, frito com banha de anta e conhaque, um hoko e um assado de cochon bois\u201d), moda ( \u201cO vestido tinha a saia comprida, de pregas que ca\u00edam da cintura e eram acompanhados pelas dobras at\u00e9 a barra da saia circundada por uma cinta de rendas e de franjas bordadas. Um casaco de elegante corte de sino, repartido em duas abas tamb\u00e9m rendadas, que desciam como estolas e passavam alongadas al\u00e9m da cintura, ladeadas por duas fileiras de bot\u00f5es cobertos de cetim e pequenos bordados\u201d) e de uma guerra pelo territ\u00f3rio do Amap\u00e1 (\u201cacabo de saber que a Fran\u00e7a perdeu estas terras que agora s\u00e3o do Brasil. Foi uma decis\u00e3o da Su\u00ed\u00e7a.<br \/>\nAmanh\u00e3, s\u00f3 vai haver uma bandeira, a do Brasil\u201d) que n\u00e3o houve entre dois pa\u00edses t\u00e3o distintos quanto o Brasil e Fran\u00e7a.<br \/>\n      Saraminda prova que Jos\u00e9 Sarney n\u00e3o \u00e9 pol\u00edtico, pois exp\u00f5e, mesmo sem querer ou querendo, o seu lado sensual ao descrever como um retratista de pico de pena ou crayon o corpo(\u201cNela o sangue bret\u00e3o, judeu, \u00edndio, banto misturou-se ao longo dos s\u00e9culos, concentrou-se nos olhos, afinou os l\u00e1bios, alongou-lhe o pesco\u00e7o, deu-lhe sorte e sedu\u00e7\u00e3o\u201d), a faceirice( \u201cEu quero que voc\u00ea tenha alegria e felicidade.<br \/>\nPrazer de coisa de amor de gente que se junta&#8230; Quero que voc\u00ea receba meu corpo de ouro embrulhado em papel de seda, enrolado em veludo, cheirando a patchuli\u201d), as falas(\u201dSeu Cleto, me trate com respeito. N\u00e3o sou coisa suja, sou mulher para ser tratada com gosto. Aprecio modos. Entrei na vida mas n\u00e3o sou uma sem-vergonha\u201d) dessa mulher t\u00e3o simples e paradoxal, como se fora uma personagem vivida pela S\u00f4nia Braga dos \u00e1ureos tempos.<br \/>\n      Saraminda prova que Jos\u00e9 Sarney n\u00e3o \u00e9 rico. Se o fora n\u00e3o descreveria com tanta paix\u00e3o a avidez dos garimpeiros, a cobi\u00e7a(\u201cO garimpo \u00e9 de uma solid\u00e3o imensa. Quando a gente olha, parece que n\u00e3o \u00e9 no mundo. O ouro n\u00e3o tem cheiro. Se tivesse, o homem ia farejar e saberia onde ele est\u00e1\u201d) e a lux\u00faria(\u201ctive vontade de beijar, beijar com for\u00e7a, ficar deitado nele, mas me controlei , n\u00e3o dei modos para n\u00e3o verem onde estava minha bestitude\u201d)que o ouro( \u201cN\u00e3o achei que fosse ouro, de t\u00e3o feia, e pude ent\u00e3o compreender que a beleza do ouro est\u00e1 nos homens\u201d.) exerce sobre a raz\u00e3o e o imagin\u00e1rio de pessoas rudes com est\u00e9ticas comprometidas pelas rugas e as rusgas que terminam em sangue para aplacar a ira dos deuses.<br \/>\n       Saraminda atesta que Jos\u00e9 Sarney n\u00e3o \u00e9 romancista. \u00c9 um esp\u00e9cime novo, um poemancista com imagens (\u201cNa casa de sombras, era o remoer da lembran\u00e7a que alimentava os fantasmas\u201d) e figuras(\u201cEra um brinquedo muito triste esse jogo de gostar\u201d) dignas de um Borges\u00ef\u00ef<br \/>\nSaraminda fez enfim, Jos\u00e9 Sarney calar os que ainda n\u00e3o t\u00eam olhos para ver que, al\u00e9m da sua matreirice, da lhaneza, do faro e da capacidade de focar a pol\u00edtica, sobram-lhe sentimentos lustrados em palavras ajuntadas em bateias de id\u00e9ias que brotam como florestas de uma amaz\u00f4nia de encantamentos.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nespecial para o DN.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-3899","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-inedito"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3899","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3899"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3899\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3906,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3899\/revisions\/3906"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3899"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3899"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3899"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}