ANTÔNIO ERMÍRIO – Diário do Nordeste

Só vi Antônio Ermírio de Moraes – AEM uma vez. Paletó amarfanhado, gravata de lado e os cabelos brancos, em desalinho.
Ele comandou, sem remuneração, por 35 anos, o Hospital da Beneficência Portuguesa, em São Paulo, ao qual dedicava tempo e talento. Além disso, cogeriu por 60 anos, o grupo Votorantim, fundado por seu pai, o ex-senador pernambucano José Ermírio de Moraes. AEM formou-se em engenharia metalúrgica, aos 21 anos, nos EEUU, e passou um ano trabalhando de graça para o pai, vendo se tinha jeito. Deu certo.
Em 1986, incensado por políticos que o viam capaz e rico, foi candidato a governador de SP. Como não era iniciado nas artes e manhas da política, foi derrotado, na reta final, por Orestes Quércia. A ideia de sua candidatura passava pela posterior possibilidade de ser presidente do Brasil. Não se saberá jamais o que haveria acontecido se ele tivesse ganhado a eleição.
Agora, no dia 04 deste junho, ele completou 85 anos. Há algum tempo passou a sofrer do mal de Alzheimer, após ter perdido dois filhos para o câncer.
O Alzheimer, doença neurológica incurável, mostra seu viés indistinto, pois AEM era pessoa ativa intelectualmente, sendo, desde 1999, membro da Academia Paulista de Letras. Escreveu três peças de teatro com críticas sérias à sociedade e à política. Embora sendo controlador de banco, fez constantes censuras ao modelo draconiano do mercado. Sua vida está sendo contada no livro “Antônio Ermírio de Moraes”, de José Pastore, editado pela Planeta.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 09/06/2013.

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