Participei do 1º. Festival Internacional de Biógrafos, em tenda refrigerada sobre o calçadão da Praia de Iracema, tal como na Feira Literária de Paraty, a Flip. O ágape foi oportuno e repercutiu na grande mídia. Há uma ebulição provocada por questões judiciais, especialmente a de Roberto Carlos, contra Paulo César de Araújo, um dos palestrantes.
Cito apenas o bate-papo entre Ruy Castro e Mário Magalhães. Escutei-os com atenção e,no debate, houve perguntas de conteúdo e as de quem queriam aparecer. Ruy Cáustico, ops, Castro, é virulento em conteúdo, mas é moderado nas palavras. Mauro Magalhães, autor de “Marighella, foi um âncora culto. O desenvolto Ruy soltou a língua e espinafrou a “censura” de biografados vivos e a “ganância financeira” de familiares de mortos.
Todos sabem que a biografia é um escrito histórico, cronológico ou não, feito na terceira pessoa(ele-a) por alguém, de uma personalidade viva ou morta. A autobiografia é feita na primeira pessoa (eu) narrando ou esclarecendo fatos da própria vida do autor. A biografia autorizada é a que parte do próprio biografado ou de sua família com escritor convidado, após sua morte
Bios e grafia, gregos de origem, significam vida escrita. Neste novembro de 2013 a Academia Brasileira de Letras, por unanimidade, através da palavra de Ana Maria Machado, expressou no STF a repulsa ao cerceio à liberdade de expressão pedindo a derrubada dos arts. 20 e 21 do Código Civil que dão vez à censura. Os famosos passam metade da vida querendo aparecer e, de repente, querem o anonimato. Imagina.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 01/12/2013.

