BOMBEIRO VOLUNTÁRIO – Jornal O Estado

Fazer ações de voluntariado não é ser bonzinho. É algo maior, nobre e que contagia. Imagine-se, por exemplo, você como “Bombeiro Voluntário”. Há um projeto em andamento pelo Corpo de Bombeiros do Ceará que, em parceria com entidades ou empresas, treina pessoas, maiores de 18 anos, com boa capacidade física e um mínimo de conhecimento, para agir em múltiplas situações de risco. É um curso bem montado, com aulas teóricas e práticas que capacitam pessoas a, em situações de emergência, salvar vidas. Essas vidas são salvas não apenas em incêndios, mas em acidentes de veículos, paradas cardíacas, queda de um raio, choques elétricos etc.
São apenas vinte horas de treinamento alegre, descontraído e eficaz dadas por instrutores dedicados e, o que é melhor, com situações práticas em que somos colocados à prova para, saindo de nosso casulo pessoal, lembrar que a nossa indiferença deve acabar e ajudar pessoas que se engasgam, crianças ou velhos que atravessam ruas sem prestar atenção, outras que são vítimas de fraturas em acidentes até que se chame e chegue uma ambulância ou médico, em enchentes, fogos que podem ser debelados com atitude, água ou extintor. Até lá, você, se tiver atitude e treinamento, poderá fazer a diferença e, na verdade, salvar vidas. O que se espera de quem deseja ser bombeiro voluntário é que dedique um pouco do seu tempo a aprender, tenha determinação para servir, disciplina para encarar o problema e desprendimento pessoal.
A indiferença, o distanciamento dos problemas do outro, é o contraponto ao voluntariado que passa pela crença de que se pode melhorar o mundo, não para aparecer como herói, mas porque isso nos conforta e faz bem a quem recebe a atenção e é salvo. Procure conversar com pessoas que já fizeram esse curso. Participei de um deles com entusiasmo e conclui que em cidades grandes com estrutura viária complexa e precária a ajuda médica pode demorar a chegar. E minutos podem fazer a diferença. Nesses minutos cruciais é bom que apareça um bombeiro voluntário. Você, por exemplo.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 01/02/2008.

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