Milhões de brasileiros devem aos bancos e às empresas de cartões de crédito. Na hora da abertura, tudo é facilitado e oferecido por pessoas bem treinadas, como se os cartões de crédito/débito/consignação fossem um amigão ou prova de que você é importante. O tal do status social. Fazem o seu cadastro, aprovam o seu limite de crédito/débito, estabelecem um dia para pagamento e deixam você livre para gastar. Na hora de comprar, os vendedores perguntam: à vista ou no cartão? E dizem, em seguida: você pode pagar em tantas vezes, sem juros. Conversa fiada. O preço à vista, quase sempre, é o mesmo preço do pagamento em 10 vezes, pois as grandes lojas ganham não só nos artigos que vendem como nas operações financeiras. É sem juro, mas cobram. E ai se você atrasar a data de pagamento… A multa não é a de lei, mas a que eles determinam. O que você deve a uma empresa de cartão ou banco passa a ser um recebível para ele. Você tem ideia de quanto foi a média dos juros dos cartões de crédito no ano passado? Cerca de 324% ao ano. Esses juros são extorsão e a classe lutadora, infelizmente, é enganada e não há quem a defenda. Só recentemente a presidente Dilma foi alertada do problema. Fizeram de conta que baixaram os juros. Baixaram um pouco. Pessoas pobres são induzidas até a fazer casamentos com festa e pagar no cartão de crédito. Depois, não têm como pagar. É preciso que o Banco Central se apiede e analise os problemas de milhões de pessoas inscritas no SPC, Serasa e em cartórios de protestos. Para limpar os nomes, mais despesas. Todos ganham e os pobres continuam sem defensores.
João Soares Neto
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 14/10/2012.

