REVER LIMITES – Diário do Nordeste

O Brasil vive uma euforia. Classes mudam de patamar. Famílias progridem. É tempo de rever ou estabelecer limites na família. A ausência de definição de limites provoca danos em todas as fases da vida de seus integrantes. A criança tem que conviver com um mínimo de regras definidas com carinho, mas firmeza. Ouve-se muito: tudo o que não tive vou dar a meus filhos. Não é bem assim, filhos devem ter o necessário e o possível, mas em termos. O importante, antes das “coisas” e facilidades que se dá, é que o casal tenha um objetivo comum na sua formação e inserção no mundo. As crianças testam os pais com choro, comportamento e outros. Definir regras de horários para estudo, lazer, higiene e convivência é básico. Os pais têm que deixar claro o que podem dar, o que não devem e o que é negociável. Um bom “não” significa para a criança limite de seu espaço pessoal, sua forma de demonstrar emoções, enfrentar o medo e saber usar a sua liberdade física, mental e verbal. Isso dará a ela a certeza de que a vida existe com limites. Em casa e na rua. Entretanto, não havendo consenso entre os pais, a criança começa a fazer jogos. Surge a mãe boazinha e o pai durão. Ou vice-versa. A criança sabe quando os pais hesitam e discutem. Aí forçam a barra. Agir em acordo, manter o combinado, o que foi dito, é a solução. É preciso firmeza desde cedo. Dói, talvez, Depois, será difícil, pois a facilidade em obter concessões com choro ou finca pé da criança balizará a relação. Presentes em excesso, facilidades e o não cumprimento do devido na educação e modos poderão dar o tom do futuro. Educar é definir limites e o que se espera de conduta.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 05/02/2012

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