A palavra validação tem significado interessante. Vem do latim “validare” e é usada no sentido de dar validade a algo ou pessoa. É usada para deixar claro, por exemplo, que acreditamos em alguém. Mas, e sempre tem um mas, essa validação sempre vem, não por nós mesmos, e sim por termos conhecimento de um fato na TV, rádio, jornal ou em papos. O “validador” é alguém confiável e, por conta disso, o que fala tem sentido e se dá fé. Neste 30 de abril, o Brasil recebeu de uma agência internacional de análises de risco a sua validação como “Grau de Investimento” (investment grade). Passa a ser agora um país confiável onde os estrangeiros podem investir sem medo. Outro exemplo de validação: existia em São Paulo, até esta semana, uma brasileira de 43 anos, com filhos, formada em teatro e que nunca teve vez na televisão nacional. Foi escolhida por Walter Salles para participar do filme “Linha de Passe”, ainda inédito. Pois ela, Sandra Corveloni, disputando com grandes figuras – sem saber, diga-se de passagem – como Angelina Jolie, Julianne Moore e Catherine Deneuve, ganhou o prêmio de melhor Atriz do Festival de Cannes, espécie de Oscar ‘cult’ europeu. Voltando ao fio da conversa: assim, o Brasil virou importante por conta dos outros. Agora, os nossos “experts” em economia começam a tecer loas ao que criticavam e as ações sobem e descem no embalo dos que sabem e podem manejar os cordões do mercado financeiro. Certamente, como o que escrevo só vai publicado dias depois, vocês verão nestes dias nas TVs e jornais a “descoberta” de Sandra Corveloni e seu endeusamento por entrevistadores que nunca a notaram antes. Nós todos somos, salvo exceções, vaquinhas de presépio, induzidos a achar que tal coisa é boa porque alguém usa ou faz; que fulano é importante porque saiu escrito; que o lugar é bom porque beltrano e cicrano o frequentam. Quanta bobagem. Valide ou valide-se por você mesmo, decida o seu pensar, não vá por aparências, propaganda, notícias plantadas e interesses. O Brasil está vivendo um grande momento, isto é um fato. Basta ter bom senso para ver. Do mesmo modo, Sandra ganhou por ter valor, desconhecido pelos que hoje a validam.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 01/06/2008.

