A revista Forbes, editada no Brasil, resolveu escolher a alguns meses, mediante eleição pela Internet — o que é democrático, justo e evita direcionamento, — as mulheres mais influentes do país. A ideia e o fato demonstram que mulheres estão saindo de meras coadjuvantes para figurarem na vanguarda. Imaginem, há mulheres comandando ou liderando áreas tão diversas quanto agronegócios, hotelaria, preservação do meio ambiente, política, jornalismo, varejo, cosmético, literatura, gastronomia, finanças, medicina e outros.
Não faz muito tempo, o Código Civil restringia as ações da mulher. Precisava da autorização do marido para realizar atos de comércio. Era assim e isso acabou. Acabou, não por deferência dos homens, mas pela mudança na velocidade dos acontecimentos. Isto nos alegra e mostra ser essa transformação mais célere que a capacidade masculina pode absorver. Ela é um terremoto feminino benéfico, eclodido para ficar e alterar as relações interpessoais.
Em ocasião recente, estive em uma roda da qual fazia parte uma das mulheres eleitas. Ela comanda um grande negócio em todo o Brasil. Impressionou-me o seu jeito de levar a conversa para o rumo desejado, mesmo sendo pressionada por interlocutor alemão, sem precisar levantar a voz ou alterar o gestual. O exemplo citado não é fato isolado. Hoje, mulheres ainda jovens, exercem profissões liberais ou lideram pessoas com segurança e leveza, deixando de lado a ideia botocuda de que seus acessos ao poder, quando ocorriam, seriam frutos de concessão masculina.
Os homens, ainda ciosos do poder unilateral, quando não cedem espaço, são atropelados pela sutileza, capacidade, firmeza de atitudes aliadas a rostos simpáticos, mas reguladores de comportamento. Do que tenho visto e de algumas conversas ocasionais com mulheres de ponta, fica bem claro, que elas sabem definir quem são e quais os objetivos pessoais e profissionais a serem alcançados. Haverá um tempo ainda, espera-se breve, no qual homens e mulheres lutarão, explícita ou tacitamente, questionando essa avalanche do sexo feminino como profissionais de bom quilate. Até lá, é bom todos procurarem entender que mérito e capacidade independem de sexo, mas de história de vida, desempenho, garra e liderança.
João Soares Neto,
cronista
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 05/03/2006.
