Andei pesquisando para saber o que significa a palavra carnaval. Consta no Aurélio que era “no mundo cristão medieval, período de festas profanas que se iniciava no Dia de Reis (Epifania) e se estendia até a quarta-feira de Cinzas”. Diz, em seguida: “Os três dias imediatamente anteriores à quarta-feira de Cinzas, dedicados a diferentes sortes de diversões, folias e folguedos populares, com disfarces e máscaras”. Não há, nem nas definições seguintes, nada que explique a essência da palavra carnaval. Virei e mexi. Descobri em outras fontes três possíveis versões, talvez não confiáveis: 1- afastar a carne (carne vá), 2-carne nada vale (carnavalle) e 3- carro naval (car naval). Essas três versões permitem ilações de toda natureza e cada qual faça a sua, como melhor lhe aprouver. Desde que não ligue direção à bebida.
O fato é que, até hoje, apesar de ser uma festa profana, é atrelada ao calendário da Igreja Católica. Por sua vez, o calendário religioso depende das fases da lua ou do sistema lunar. Assim é que o domingo de Páscoa é sempre o primeiro domingo após a primeira lua cheia que acontece a partir de 21 de março. É uma festa móvel, como se vê, dependendo da lua, ora veja. Parece coisa de samba de crioulo doido, misturando fé, astronomia e diversão. Mas é assim que ainda hoje se marcam os dias de carnaval que pularam de três para quatro, cinco ou até uma semana, dependendo da cidade ser mais ou menos festeira.
Pelo sim, pelo não, estamos neste domingo de carnaval em pleno fazer nada, exceto para os que têm plantão obrigatório, e trabalham em órgãos de segurança, hospitais, transportes urbanos. E “brincantes” que se esbaldam, amanhecem no último dia, seja lá qual for, totalmente avariados, corpos moídos, ressacas física ou moral, quilos ganhos ou perdidos e contas que precisam ser pagas. E esse tempo de fazer nada me leva a indagar a razão de, “no Brasil, brasileiro”, a festa estar associada, desde os anos 40, a uma portuguesa, Carmem Miranda. Quem sabe se a baiana Ivete Sangalo, não venha a encarnar pela música, energia e séquito o ainda inculto e belo Brasil XXI?
João Soares Neto,
Escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 03/02/2008.
